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E se o ultrassom pudesse destruir vírus? Ciência começa a testar

Pesquisa da USP indica que ondas sonoras podem inativar vírus como Sars-CoV-2 e H1N1 por meio da ressonância

Vírus: ultrassom danifica estrutura e reduz capacidade de infecção, aponta estudo da USP (Getty Images)

Vírus: ultrassom danifica estrutura e reduz capacidade de infecção, aponta estudo da USP (Getty Images)

Publicado em 25 de abril de 2026 às 14h03.

O uso de ultrassom, tecnologia comum em exames médicos, pode se tornar uma alternativa no combate a vírus respiratórios.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP mostrou que ondas sonoras de alta frequência conseguem danificar vírus como o Sars-CoV-2 e o influenza A (H1N1), reduzindo sua capacidade de infectar células.

Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports e indicam que o efeito ocorre por meio de ressonância — um tipo de vibração que atinge diretamente a estrutura do vírus, sem depender de aquecimento ou formação de bolhas.

Como o ultrassom afeta vírus respiratórios

Nos experimentos, os cientistas utilizaram frequências entre 3 MHz e 20 MHz, faixa compatível com equipamentos médicos. Após a exposição, os vírus apresentaram sinais claros de degradação: ficaram menores, fragmentados e com a estrutura comprometida.

Além das alterações físicas, houve impacto direto na funcionalidade. Em laboratório, o Sars-CoV-2 perdeu grande parte da capacidade de infectar células, e em alguns casos sua replicação foi quase totalmente interrompida.

Técnica pode ter aplicação ampla

Embora os testes tenham sido realizados com vírus específicos, os pesquisadores indicam que o método pode funcionar em outros microrganismos com estrutura semelhante, especialmente os de formato esférico.

Entre eles estão o vírus da gripe aviária (H5N1), o vírus sincicial respiratório (VSR), além de agentes como herpes simples (HSV-1 e HSV-2), varicela-zoster e arbovírus como dengue, chikungunya e zika.

Segurança é um dos principais pontos

Um dos destaques do estudo é o potencial de segurança da técnica. Durante os testes, não houve aumento significativo de temperatura nem alteração do pH, indicando que o efeito ocorre de forma direta sobre os vírus, sem comprometer o ambiente ao redor.

Isso diferencia o ultrassom de métodos tradicionais, como calor ou radiação, que podem causar danos aos tecidos humanos. Por esse motivo, a abordagem é considerada uma alternativa não invasiva e potencialmente mais segura.

Quando a técnica pode chegar aos pacientes?

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que a aplicação clínica ainda depende de novas etapas. Os próximos passos incluem testes pré-clínicos em modelos animais para avaliar eficácia e segurança em organismos vivos.

Segundo o professor do Instituto de Física de São Carlos da USP e coordenador do estudo, Odemir Martinez Bruno, o uso terapêutico do ultrassom pode abrir novas possibilidades no combate a doenças virais.

Já o pós-doutorando do IFSC, Flavio Protasio Veras, afirma que o estudo amplia a compreensão sobre a vulnerabilidade estrutural dos vírus e pode contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias antivirais.

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