Intestino: estudo mostra que o contato próximo pode alterar a microbiota intestinal (Getty Images)
Redatora
Publicado em 25 de abril de 2026 às 16h34.
A convivência diária com outras pessoas pode influenciar diretamente a sua saúde intestinal de forma silenciosa. Um estudo conduzido pela Universidade de East Anglia indica que o contato social próximo pode favorecer a troca de bactérias intestinais, indo além do simples compartilhamento de ambiente.
Os resultados, publicados na revista Molecular Ecology, sugerem que interações frequentes, como viver na mesma casa ou manter vínculos próximos, ajudam a moldar a microbiota intestinal ao longo do tempo.
Para investigar o fenômeno, os cientistas analisaram a toutinegra-das-Seychelles, uma ave que vive em uma ilha isolada nas Seychelles.
O estudo mostrou que indivíduos que interagiam com maior frequência apresentavam microbiotas intestinais mais semelhantes, sobretudo em relação a bactérias que dependem de contato direto para se disseminar.
Segundo o pesquisador Chuen Zhang Lee, doutorando na Escola de Ciências Biológicas da Universidade de East Anglia, o padrão observado indica que a proximidade social desempenha um papel central na transmissão desses microrganismos. Como essas bactérias não sobrevivem bem fora do organismo, elas tendem a se espalhar por meio de interações diretas e frequentes, e não apenas pelo ambiente compartilhado.
Embora o estudo tenha sido feito com aves, pesquisas anteriores já apontavam um padrão semelhante em humanos.
Casais e pessoas que vivem juntas por longos períodos costumam apresentar microbiomas intestinais parecidos, mesmo quando mantêm dietas diferentes.Atividades cotidianas, como cozinhar juntos, dividir objetos ou manter proximidade física, podem facilitar essa troca de microrganismos e influenciar o equilíbrio da microbiota intestinal.
Entre os microrganismos compartilhados estão bactérias anaeróbicas, que vivem em ambientes sem oxigênio e são fundamentais para a digestão, imunidade e equilíbrio do organismo. Uma vez estabelecidas no intestino, essas bactérias tendem a formar colônias duradouras.
Isso significa que o convívio prolongado pode ter efeitos contínuos sobre a saúde intestinal, já que essas comunidades microbianas permanecem ativas por longos períodos.
Diante disso, pesquisadores destacam que o intestino humano funciona como um ecossistema complexo, influenciado por diversos fatores, como alimentação, estilo de vida e, agora, também o convívio social.