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Dor do crescimento: o que causa, como aliviar e quando procurar um médico

Condição comum na infância provoca dores nas pernas, geralmente à noite, e ainda não tem tratamento específico

'Dor do crescimento': estudo brasileiro investiga o uso de laser e ultrassom para aliviar os sintomas (Freepik)

'Dor do crescimento': estudo brasileiro investiga o uso de laser e ultrassom para aliviar os sintomas (Freepik)

Publicado em 5 de setembro de 2026 às 11h14.

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A chamada “dor do crescimento” pode assustar os pais, mas o nome não explica sua origem. A condição não está comprovadamente relacionada ao crescimento dos ossos e costuma provocar episódios de dor nas pernas, principalmente no fim do dia ou durante a noite.

Segundo a Agência Einstein, o problema é considerado benigno e pode afetar até uma em cada cinco crianças em idade escolar, embora os números variem conforme o estudo. Em geral, o desconforto ocorre nos dois lados do corpo e não impede a criança de realizar suas atividades normalmente no dia seguinte.

A origem exata dessas dores ainda não é conhecida. Por isso, também não existe um tratamento específico capaz de eliminar a condição.

O que pode aliviar os sintomas

Enquanto os episódios acontecem, algumas medidas podem ajudar a diminuir o incômodo. Massagens, calor aplicado na região dolorida e alongamentos antes de dormir estão entre as estratégias utilizadas.

Em situações de dor mais intensa, medicamentos analgésicos podem ser indicados. Nesse caso, o uso deve seguir orientação médica.

A falta de um tratamento direcionado levou pesquisadores brasileiros a investigar uma alternativa. Um estudo piloto avaliou uma técnica que combina laser de baixa intensidade e ultrassom.

Pesquisa brasileira avaliou nova técnica

O trabalho foi realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFSC/USP). Os resultados foram publicados no Journal of Biophotonics em abril.

Participaram nove crianças diagnosticadas com dor do crescimento. Parte delas recebeu a aplicação combinada das duas tecnologias, enquanto as demais passaram por um procedimento semelhante, mas sem que os aparelhos fossem efetivamente acionados.

Nem as crianças, nem seus responsáveis, nem os pesquisadores sabiam quais participantes haviam recebido a terapia ativa durante o experimento. Em vez de aplicar a técnica diretamente nas pernas, os pesquisadores trabalharam nas mãos e nos pés. A escolha levou em conta características dessas regiões, como a concentração de vasos sanguíneos e terminações nervosas.

As crianças submetidas à terapia apresentaram diminuição da intensidade da dor após a sessão. Também não foram identificados efeitos adversos relacionados ao procedimento. Isso, porém, não significa que o método já possa ser considerado um tratamento comprovado. Como a pesquisa teve uma amostra muito pequena, os resultados servem principalmente como uma primeira avaliação da segurança e do potencial da técnica.

Ensaios com mais participantes ainda são necessários para determinar se o efeito observado se mantém em um grupo maior de crianças.

Por que o nome pode enganar?

Apesar de ser conhecida popularmente como “dor do crescimento”, a condição não é explicada pelo crescimento acelerado da criança. Essa relação é uma das principais confusões associadas ao problema.

Pesquisadores consideram diferentes possibilidades para explicar as dores. Fadiga muscular e fatores genéticos estão entre as hipóteses. Também existem investigações sobre possíveis relações com níveis de ferro e vitamina D.

Nenhuma dessas explicações, entretanto, consegue justificar todos os casos. Uma característica comum é a ausência de sintomas pela manhã. A criança pode sentir dor durante a noite e, horas depois, estar caminhando, correndo e brincando normalmente.

Quando a dor merece investigação

Nem toda dor nas pernas deve ser atribuída à chamada dor do crescimento. Alguns sinais fogem do padrão esperado e precisam ser avaliados por um médico.

Dor que permanece durante o dia, ocorre repetidamente em apenas uma perna ou vem acompanhada de dificuldade para caminhar são exemplos. Inchaço nas articulações também merece atenção. Febre, perda de peso, aparecimento de manchas roxas e cansaço excessivo são outros sinais que exigem investigação.

Esses sintomas podem aparecer em diferentes condições, incluindo problemas ortopédicos, reumatológicos, infecciosos e hematológicos. Por isso, a avaliação médica é importante quando o quadro não segue o padrão típico da dor do crescimento.

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