Ciência

Dietas podem ter o mesmo efeito que Ozempic para emagrecer?

Estudos mostram que alimentos ricos em fibras e gorduras saudáveis podem estimular a produção natural de GLP-1

Novo Nordisk: farmacêutica dona do Ozempic tem revés em novo medicamento. (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Novo Nordisk: farmacêutica dona do Ozempic tem revés em novo medicamento. (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Publicado em 9 de outubro de 2025 às 14h43.

Depois do sucesso de medicamentos para perda de peso como Ozempic e Wegovy, as redes sociais foram tomadas por receitas e dietas que prometem resultados semelhantes — sem prescrição médica. Uma das mais populares é a chamada “oatzempic”, mistura de aveia, água e limão que teria efeito supressor de apetite.

Embora nenhuma receita seja tão potente quanto os remédios, certos alimentos podem estimular naturalmente a produção de GLP-1, hormônio central no processo de emagrecimento, como mostra reportagem publicada pela BBC.

Ozempic, Wegovy e similares pertencem a uma classe conhecida como agonistas do GLP-1, que imitam um processo natural do organismo. Após uma refeição, o intestino libera esse hormônio, que estimula a produção de insulina, reduz a liberação de açúcar pelo fígado, desacelera a digestão e diminui o apetite.

Dieta do ozempic?

Dois componentes da alimentação têm relação direta com o aumento dos níveis de GLP-1, as fibras e os polifenóis. Quando ingeridos, esses nutrientes são transformados pela microbiota intestinal em ácidos graxos de cadeia curta, que estimulam a liberação do hormônio.

Além disso, pesquisas mostram que o sabor amargo dos alimentos ricos em polifenóis ativa receptores gustativos que enviam sinais ao intestino para produzir hormônios digestivos — entre eles, o GLP-1.

Alimentos ricos em fibras incluem frutas, legumes, verduras, leguminosas e oleaginosas. Os polifenóis também estão presentes em frutas, vegetais e castanhas.

Outro nutriente importante é a gordura monoinsaturada, encontrada em azeite de oliva, abacate e nozes, que também tem sido associada à elevação dos níveis de GLP-1.

Como e quando comer também conta

Não é apenas o que se come que influencia a liberação de GLP-1, mas também a forma de comer. Estudos citados pela BBC sugerem que a ordem dos alimentos impacta na resposta hormonal.

Comer proteínas e vegetais antes dos carboidratos pode elevar os níveis do hormônio, embora os mecanismos por trás disso ainda não sejam totalmente compreendidos.

O horário das refeições também faz diferença. Pesquisas indicam que comer no início da manhã estimula uma maior produção natural de GLP-1, efeito ligado ao ritmo circadiano do corpo. Já refeições mais tardias tendem a ter um impacto menor.

Os especialistas acreditam que uma dieta rica em fibras, polifenóis e gorduras saudáveis pode ajudar a estimular a produção natural do hormônio — e, consequentemente, contribuir para o controle do apetite.

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