Ciência

Criatura bizarra de um olho ajudou na evolução humana, diz estudo

Parte desse olho ancestral ainda existe no corpo humano; Ao longo da evolução, ela se transformou na glândula pineal, um órgão cerebral sensível à luz

Olho humano tem origem em verme de 600 milhões de anos (Freepik)

Olho humano tem origem em verme de 600 milhões de anos (Freepik)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 27 de abril de 2026 às 19h04.

Já pensou se o ser humano tiver partes de sua origem vindas de um 'monstro' com um olho só que viveu há 600 milhões de anos? Uma Uma nova pesquisa indica que em um passado  distante, um de nossos ancestrais tinha apenas um único olho, semelhante a um pequeno ciclope, localizado no topo da cabeça.

Cientistas da Universidade de Lund, na Suécia, e da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirmam que todos os vertebrados descendem desse organismo ancestral de um só olho. Segundo o estudo, vestígios desse antigo “olho mediano” ainda existem nos dias atuais, embora em uma forma completamente diferente: ele teria dado origem à glândula pineal, uma pequena estrutura localizada profundamente no cérebro.

“Os resultados são surpreendentes. Eles viram de cabeça para baixo nossa compreensão sobre a evolução do olho e do cérebro”, afirma Dan-E Nilsson, professor emérito de biologia sensorial da Universidade de Lund.

Ancestral semelhante a um verme

Esse ancestral viveu há cerca de 600 milhões de anos, segundo divulgado pelo Science Daily. Tratava-se de um animal pequeno, com aparência semelhante à de um verme, que passava a maior parte do tempo fixo em um mesmo local, alimentando-se por meio da filtração de plâncton da água do mar.

Em um estágio ainda mais antigo de sua evolução, esse organismo provavelmente tinha dois olhos, como muitos outros animais da época.

À medida que o animal adotou um modo de vida mais sedentário, a presença de dois olhos deixou de ser necessária. Com o tempo, os olhos pareados desapareceram completamente.

Como o único “olho mediano” ganhou importância

Mesmo após a perda dos dois olhos, o organismo manteve um conjunto de células fotossensíveis no centro da cabeça. Gradualmente, esse aglomerado evoluiu para um olho simples e único, capaz de perceber claro e escuro e ajudar o animal a se orientar em relação ao ambiente.

Milhões de anos depois, esse ancestral passou por outra transformação importante: tornou-se novamente mais ativo e adotou um estilo de vida nadador. Essa mudança aumentou a pressão evolutiva por uma visão mais sofisticada.

Os pesquisadores acreditam que partes desse olho mediano original acabaram dando origem a novos olhos pareados, agora capazes de formar imagens — os precursores dos olhos dos vertebrados modernos.

Por que os olhos dos vertebrados são tão diferentes

Esse caminho evolutivo incomum ajuda a explicar por que os olhos dos vertebrados diferem tanto dos olhos de outros grupos animais, como insetos e lulas.

Nos vertebrados, a retina é, essencialmente, uma extensão do cérebro. Já em muitos outros animais, os olhos se desenvolvem a partir de tecidos superficiais do corpo, o que resulta em estruturas anatômicas bem diferentes.

A glândula pineal: vestígio vivo de um olho ancestral

Uma das descobertas mais intrigantes do estudo divulgado pelo Science Daily é que uma parte desse olho ancestral ainda existe no corpo humano. Ao longo da evolução, ela se transformou na glândula pineal, um órgão cerebral sensível à luz.

A glândula pineal é responsável pela produção de melatonina, hormônio que regula o ritmo circadiano, influenciando o ciclo do sono e vigília.

“É impressionante pensar que a capacidade da glândula pineal de regular nosso sono de acordo com a luz tem origem no olho mediano ciclopiano de um ancestral que viveu há cerca de 600 milhões de anos”, conclui Dan-E Nilsson.

Acompanhe tudo sobre:Teoria da evolução

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