Humor: Pesquisadores até tentam quebrar o gelo, mas a plateia raramente compra (Facebook/Mark Zuckerberg/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 19 de março de 2026 às 12h22.
Existe um consenso informal no mundo acadêmico: uma boa piada pode salvar uma apresentação. O problema é que, na prática, isso quase nunca acontece.
Um estudo publicado na revista "Proceedings of the Royal Society B". mostrou que cientistas até tentam ser engraçados em palestras, mas a maioria das piadas simplesmente não funciona.
A análise passou por mais de 500 apresentações em eventos de biologia. A ideia era entender se o humor ajuda ou atrapalha na comunicação científica. Spoiler: na maior parte dos casos, ele só passa batido.
O dado mais curioso não é nem o fracasso em si, mas a frequência. Os pesquisadores observaram que o uso de piadas é relativamente comum. Ou seja, não é falta de tentativa — é falta de acerto.
E aqui entra um ponto meio incômodo: cientistas são ótimos em explicar coisas complexas, mas isso não significa que dominam timing, contexto ou leitura de plateia. Humor exige sensibilidade social, algo bem diferente de montar um gráfico impecável.
Outro detalhe relevante é o ambiente. Conferências científicas não são exatamente um terreno fértil para stand-up. O público está focado em dados, resultados e conclusões. Quando entra uma piada no meio, ela precisa ser muito bem calibrada para não parecer deslocada.
No fim, o estudo joga um balde de água fria na ideia popular de que usar humor como ferramenta universal de engajamento. Funciona? Às vezes. Mas, no contexto científico, a chance de dar errado parece ser maior.