Ciência

Estudo revela 'segredo' da rápida evolução dos cactos

Pesquisa indica que mudanças nas flores aceleram o surgimento de novas espécies

Cactos: pesquisadores associaram mudanças nas flores ao surgimento de novas espécies (Getty Images)

Cactos: pesquisadores associaram mudanças nas flores ao surgimento de novas espécies (Getty Images)

Publicado em 17 de maio de 2026 às 06h45.

Os cactos são conhecidos pelo crescimento lento e pela resistência em ambientes extremos, mas um novo estudo revelou que essas plantas do deserto estão evoluindo em ritmo surpreendentemente acelerado. Pesquisadores descobriram que a velocidade com que as flores mudam de forma está diretamente ligada ao surgimento de novas espécies.

O trabalho analisou mais de 750 espécies de cactos e concluiu que a rapidez das mudanças florais teve influência maior na diversificação do grupo do que o tamanho das flores ou o tipo de polinizador. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Reading e publicada na revista científica Biology Letters.

Segundo os autores, a descoberta desafia ideias antigas sobre evolução vegetal, incluindo hipóteses associadas aos estudos de Charles Darwin sobre flores altamente especializadas.

Como foi feito o estudo

Os pesquisadores analisaram flores que variavam de apenas 2 milímetros até 37 centímetros de comprimento. Apesar da enorme diferença de tamanho, o comprimento das flores apresentou pouca relação com o aparecimento de novas espécies. O principal fator associado à diversificação foi a velocidade das transformações florais ao longo do tempo.

Segundo Jamie Thompson, autor principal do estudo, os cactos cujas flores evoluíam mais rapidamente também apresentavam maior probabilidade de originar novos grupos.

Os cientistas observaram o mesmo padrão tanto em linhagens evolutivas recentes quanto em espécies mais antigas.

Estudo muda visão sobre a evolução nos desertos

A pesquisa também desafia a ideia de que desertos são ambientes estáveis e pouco dinâmicos. De acordo com os pesquisadores, os resultados mostram que essas regiões podem funcionar como centros de rápidas transformações evolutivas, mesmo em condições extremas de temperatura e escassez de água.

Atualmente, existem cerca de 1.850 espécies conhecidas de cactos. Os cientistas afirmam que a maior parte dessa diversificação ocorreu nos últimos 20 a 35 milhões de anos, período em que o grupo se espalhou pelas Américas.

Descoberta pode ajudar conservação de espécies ameaçadas

Os pesquisadores afirmam que os resultados também podem contribuir para estratégias de conservação ambiental. Segundo a equipe, compreender a velocidade de evolução das espécies pode ajudar cientistas a identificar quais cactos têm menor capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

Atualmente, quase um terço das espécies conhecidas está ameaçado de extinção. Os autores defendem que futuras ações de preservação considerem não apenas características físicas das plantas, mas também a rapidez com que elas conseguem responder a alterações ambientais.

O estudo também utilizou um banco de dados aberto chamado CactEcoDB, desenvolvido ao longo de sete anos por pesquisadores de diferentes países. A plataforma reúne informações sobre habitats, características florais e relações evolutivas de cactos.

Diante disso, os cientistas acreditam que as ferramentas devem ajudar futuras pesquisas sobre biodiversidade, adaptação climática e conservação de plantas do deserto.

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