Feridas: material de silicone se transforma em espuma após ser aplicado na lesão (Divulgação/AleSac)
Redatora
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 11h35.
Uma espuma injetável que se adapta ao formato de feridas profundas pode ajudar no tratamento de lesões complexas e, no futuro, contribuir para reduzir complicações que levam a amputações. A solução está sendo desenvolvida pela startup AleSac a partir de pesquisas realizadas na Universidade Técnica da Dinamarca (DTU).
O método utiliza um composto de silicone líquido aplicado diretamente na lesão. Depois da aplicação, o material se expande e forma uma espuma macia capaz de preencher cavidades de diferentes formatos.
Além de se moldar ao ferimento, o material foi projetado para absorver líquidos e combater bactérias. Testes realizados em laboratório mostraram atividade contra microrganismos multirresistentes em menos de 120 minutos.
Grande parte dos produtos utilizados atualmente no tratamento de feridas tem formato plano. Essa característica pode dificultar o cuidado de lesões profundas, que apresentam cavidades e geometrias irregulares. A proposta da nova tecnologia é fazer com que o próprio material acompanhe o formato do ferimento.
O composto é aplicado diretamente na cavidade e se expande até formar uma espuma moldável. Dessa forma, consegue ocupar áreas que seriam difíceis de alcançar com curativos convencionais.
Anne Ladegaard Skov, cofundadora da AleSac e pesquisadora da DTU, explica, em comunicado, que a ideia surgiu justamente das dificuldades encontradas no cuidado de ferimentos profundos.
A proposta, segundo ela, foi desenvolver um material capaz de se adaptar à própria lesão e criar melhores condições para tratar casos complexos.
Foto: Divulgação/AleSac (Divulgação/AleSac)
A tecnologia também foi desenvolvida para absorver o exsudato, líquido produzido durante o processo inflamatório que pode se acumular na região lesionada.
Outra característica investigada é sua capacidade antibacteriana. Segundo os pesquisadores, testes realizados em laboratório mostraram atividade contra bactérias multirresistentes em menos de 120 minutos.
O material também foi projetado para inibir o crescimento bacteriano e atuar sobre biofilmes, estruturas que podem dificultar o combate a infecções.
Os desenvolvedores enxergam potencial principalmente em traumas graves, incluindo lesões provocadas por explosões e outros ferimentos complexos. Nessas situações, uma intervenção rápida pode ajudar a preservar tecidos e diminuir complicações que eventualmente levam à amputação.
Apesar dos resultados iniciais, a espuma ainda não é um tratamento disponível para pacientes. A AleSac foi selecionada para o BioLab CATALYST, programa norte-americano de aceleração de tecnologias médicas. A participação deve ajudar a empresa a avançar nas etapas técnicas e regulatórias necessárias para uma eventual comercialização nos Estados Unidos.
Entre os próximos passos está o caminho para uma futura avaliação e possível aprovação pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana.
A expectativa é que a tecnologia também possa ser utilizada em regiões de crise ou locais onde pacientes não tenham acesso imediato a atendimento hospitalar avançado. Nessas circunstâncias, controlar a contaminação e manter a lesão em condições adequadas pode ser importante até a realização do tratamento definitivo.
Antes disso, porém, serão necessários novos estudos. A eventual utilização da espuma dependerá da confirmação de sua segurança e eficácia, além do cumprimento das exigências regulatórias.