Baratas ciborgues: insetos equipados com sensores e câmeras para inspeção de dutos (Divulgação)
Redatora
Publicado em 1 de abril de 2026 às 11h03.
As chamadas baratas ciborgues saíram das telas de cinema ou dos livros de ficção científica para entrar na vida real das pessoas. Elas estão sendo usadas para detectar vazamentos em tubulações e inspecionar estruturas subterrâneas. Equipadas com sensores, câmeras e controle remoto, os insetos conseguem circular por espaços onde equipamentos tradicionais têm dificuldade de entrar.
Segundo o jornal Financial Times, a tecnologia vem sendo desenvolvida por pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.
Para funcionar, as baratas recebem uma espécie de “mochila” com componentes eletrônicos, como bateria, sensores e câmera. O sistema envia pequenos sinais elétricos ao corpo do inseto, o que permite direcionar seus movimentos.
Nas versões mais recentes, os dispositivos incluem iluminação e até uma estrutura com rodas. Isso ajuda as baratas a percorrer distâncias maiores e registrar imagens de possíveis danos.
A tecnologia foi criada inicialmente para operações de busca e resgate, sobretudo em áreas atingidas por desastres, como terremotos.
Os insetos já foram testados em situações reais, usando câmeras infravermelhas para tentar localizar pessoas em ambientes com acesso limitado. Atualmente, o uso também se expande para tarefas mais comuns, como a inspeção de redes antigas e a identificação de falhas em tubulações.
O principal diferencial está na própria natureza das baratas. Elas conseguem se mover com facilidade em espaços estreitos e irregulares, algo que ainda limita muitos robôs.
Essa capacidade, desenvolvida ao longo da evolução, permite explorar ambientes complexos com mais eficiência. Além disso, melhorias no sistema reduziram o consumo de energia, aumentando o tempo de uso dos dispositivos.
O desenvolvimento de insetos modificados não acontece apenas em Singapura. Empresas e grupos de pesquisa em outros países também estudam aplicações semelhantes.
Uma startup alemã, a Swarm Biotactics, trabalha em dispositivos com sensores e sistemas de comunicação para operações de monitoramento e reconhecimento.