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Por que países exigem que datacenters tragam a própria energia?

Cargas contínuas e concentradas chegam à rede mais rápido que a geração; a cobrança por firmeza no atendimento entra no radar em várias regiões

 (Adobe Stock/Divulgação)

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Weslly Morais
Weslly Morais

Colunista

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 11h00.

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O avanço da inteligência artificial (IA) impulsiona a construção de datacenters. A energia elétrica é um recurso essencial para eles. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo global de datacenters salte de 485 terawatts-hora (TWh) em 2025 para 950 TWh em 2030, cerca de 3% da eletricidade mundial. No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê que a carga dos datacenters cresça cerca de 10 vezes entre 2026 e 2030.

Um exemplo do impacto dos datacenters na rede está em Paulínia (SP). A CloudHQ implementou um conjunto de datacenters que poderá chegar a 288 megawatts (MW) quando concluído, o equivalente à demanda de 890 mil domicílios.

Segundo a IEA, os datacenters de IA podem consumir tanta eletricidade quanto fundições de alumínio, mas são mais concentrados geograficamente. Nos EUA, quase metade da capacidade está em cinco polos regionais e, só em São Paulo, concentram-se 38% da demanda existente no Brasil, conforme dados do JLL. Essa carga é quase constante ao longo do dia. Assim, garantir potência firme, no ponto certo, a toda hora, é o desafio central.

O que os países já exigem

Diversos países já criaram regras para integrar essas cargas. A Argentina, pela Resolução 264/2026, exige que o grande consumidor contrate geração nova e comprove potência firme; a geração própria é uma das opções. A Irlanda, desde dezembro de 2025, condiciona as maiores conexões a geração ou armazenamento despachável equivalente à capacidade do datacenter.

Outros recorrem a tarifas e ao planejamento. Em Ohio, a American Electric Power passou a cobrar de datacenters acima de 25 MW ao menos 85% da capacidade contratada por até 12 anos. O Texas exige que cargas a partir de 75 MW aceitem corte remoto em emergências. Na Europa, a ENTSO-E recomenda conexões flexíveis, inclusive com geração despachável própria, e a Espanha propôs exigir 1 MW de renovável nova para cada MW de nova demanda, com cobertura horária de 80%, incentivando também baterias.

Ritmo e financiamento: o que vem pela frente

Os instrumentos variam e mostram a preocupação dos países em garantir firmeza no suprimento, ou a pagar um extra por ela. Um desafio é o possível descompasso de ritmo: datacenters costumam ficar prontos bem antes da geração e da transmissão que os atendem. Isso exige informação sobre prazos e demanda, transparência sobre a capacidade da rede, como mapeamentos da capacidade de integração destas tecnologias, e alocação que priorize projetos maduros, capazes de garantir o próprio suprimento. Um exemplo é a Alemanha, que adotou ações para substituir a fila de conexão por ordem de chegada por critérios mais rígidos, como controle do terreno, status da licença, maturidade técnica, capacidade financeira e organizacional do desenvolvedor e ganhos de dividir o ponto de conexão.

A demanda que motiva essas regras não é passageira. Bem dimensionada, ela pode ancorar o financiamento e contribuir para maior previsibilidade de receita à geração. Mas, se mal dimensionada, pode ser um risco ao abastecimento e à operação dos sistemas elétricos.

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