Ciência

Tatuagem invisível? Cientista cria tinta que desaparece e reaparece com a luz

Tinta fotocrômica desenvolvida nos Estados Unidos alterna entre estados colorido e transparente conforme a exposição à luz e pode ter aplicações médicas

Tatuagem: cientista testou na própria perna uma tinta fotocrômica capaz de mudar de aparência conforme a exposição à luz (Carson Bruns et al./Matter & Light)

Tatuagem: cientista testou na própria perna uma tinta fotocrômica capaz de mudar de aparência conforme a exposição à luz (Carson Bruns et al./Matter & Light)

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 10h00.

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Um cientista da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, testou no próprio corpo uma tinta de tatuagem que pode ficar invisível e reaparecer com a exposição à luz. A tecnologia permite modificar a aparência dos desenhos sem removê-los da pele.

O experimento foi realizado pelo nanotecnólogo Carson Bruns, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da tinta, chamada PhotoTat. A inovação foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Matter & Light, em 9 de outubro.

Como funciona a tatuagem que aparece e desaparece?

A tinta utiliza pigmentos fotocrômicos, substâncias capazes de alterar sua estrutura química quando recebem luz de determinados comprimentos de onda.

Os pesquisadores encapsularam esses compostos em pequenas partículas de polimetilmetacrilato (PMMA), um material acrílico utilizado em diferentes aplicações médicas.

A fórmula foi desenvolvida em três cores principais: azul, amarelo e magenta. A combinação dos pigmentos permite produzir outras tonalidades. Em condições normais, a tinta fica praticamente invisível. Quando exposta à luz ultravioleta (UV), adquire cor em poucos segundos.

Os desenhos podem permanecer visíveis por horas ou dias, dependendo da iluminação. A exposição à luz visível intensa permite fazê-los desaparecer novamente. O mecanismo é semelhante ao utilizado em lentes de óculos que escurecem quando expostas à luz solar.

Cientista testou tinta invisível na própria pele

Além dos experimentos com silicone e pele de porco, Bruns decidiu avaliar a tecnologia no próprio corpo. Durante aproximadamente 12 meses, o pesquisador aplicou diferentes combinações de pigmentos na perna, preenchendo desenhos de escamas de peixe.

Os testes mostraram que as tatuagens respondiam à exposição à luz ultravioleta e visível, permitindo alterar suas cores. Segundo os resultados, os pigmentos continuaram funcionando após mais de dois anos, sem perda evidente da capacidade de mudar de aparência.

O experimento em humanos, porém, envolveu apenas o próprio pesquisador. Por isso, os resultados ainda não são suficientes para comprovar a segurança da tecnologia em outras pessoas.

Tinta pode ser usada em tratamentos contra o câncer

Os pesquisadores também investigam possíveis aplicações médicas para a PhotoTat. Uma das propostas envolve a radioterapia, tratamento que utiliza radiação para combater tumores.

Em determinados procedimentos, pacientes recebem pequenas tatuagens permanentes para ajudar os profissionais de saúde a posicionar corretamente os equipamentos.

Com a nova tecnologia, essas marcações poderiam ficar visíveis apenas durante as sessões de tratamento e desaparecer visualmente depois. A tinta também poderia ser utilizada em procedimentos dermatológicos que exigem a identificação de pontos específicos da pele.

Apesar dos resultados experimentais, a PhotoTat ainda precisa passar por avaliações adicionais de toxicidade, esterilidade e segurança antes de ser disponibilizada para uso amplo.

Diante disso, a equipe pretende continuar aprimorando os pigmentos e investigando sua estabilidade na pele.

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