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Torre Palace: a história por trás do hotel de luxo implodido em Brasília

Inaugurado nos anos 1970, hotel que já hospedou de diplomatas a craques da Seleção foi ao chão neste domingo em operação com 165 kg de explosivos

Torre Palace Hotel: a história do edifício mais icônico de Brasília (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Torre Palace Hotel: a história do edifício mais icônico de Brasília (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 13h55.

Última atualização em 25 de janeiro de 2026 às 14h31.

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Na manhã deste domingo, 25, o horizonte de Brasília mudou. Às 10h01, o Torre Palace Hotel foi demolido e marcou o fim de uma trajetória de mais de meio século no Setor Hoteleiro Norte.

A operação de implosão, que utilizou 165 kg de explosivos distribuídos estrategicamente em cinco pavimentos, transformou em escombros o que já foi um dos endereços mais luxuosos da capital federal. É apenas a quarta vez que uma estrutura em área tombada pelo patrimônio histórico da cidade passa por esse tipo de intervenção.

Para garantir a segurança, o entorno do hotel foi isolado desde as primeiras horas da manhã. O "super cérebro" da operação envolveu a perfuração de 600 metros de pilares para a instalação da carga explosiva.

Do glamour à decadência

Idealizado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj em 1973, o edifício foi, durante 53 anos, a mistura entre o glamour da alta sociedade com uma decadente disputa judicial que se arrastou por décadas. O patrimônio era avaliado em R$ 200 milhões e se tornou o centro de um racha entre a viúva do fundador e seus seis filhos.

Inaugurado em uma fase de efervescência da capital, o Torre Palace viveu anos de ouro. Com 140 apartamentos e 14 andares, tinha uma visão panorâmica que abraçava desde o Congresso Nacional até o Estádio Mané Garrincha.

No auge, foi o porto seguro de diplomatas e celebridades até a virada do milênio. Pelos corredores passaram craques do tricampeonato mundial de 70, como Carlos Alberto Torres e Rivellino, além de vozes marcantes da música brasileira, como Jair Rodrigues.

Após o falecimento do fundador, no entanto, o destino do hotel mudou. O desentendimento sobre os rumos do negócio paralisou a gestão e, em 2013, o Torre Palace fechou definitivamente as portas. Foi o início de um período de abandono que o transformaria de joia arquitetônica em problema de segurança pública.

Sem manutenção e sob penhora judicial, o prédio virou palco de episódios dramáticos. Em 2016, uma megaoperação policial — com direito a helicópteros, balas de borracha e barricadas incendiadas por ocupantes — tentou retomar o controle do edifício. O local havia se transformado em uma espécie de "cracolândia vertical", que gerou insegurança em um dos metros quadrados mais nobres de Brasília.

O fim do imbróglio e o futuro do lote

Nos últimos anos, o destino do Torre Palace parecia selado pelo fracasso: tentativas de leilão sem lances e desistências judiciais mantiveram a carcaça de concreto de pé, mesmo com pedidos de demolição do governo desde 2019.

O nó só começou a ser desatado no segundo semestre de 2025, quando a propriedade finalmente trocou de mãos. Com a implosão deste domingo — a quarta em área tombada na história da cidade —, o terreno limpo agora abre espaço para um novo empreendimento de luxo, cujo nome e projeto ainda são mantidos sob sigilo.

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