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Tom Hanks é Walt Disney em comédia que revive Mary Poppins

Por trás do adocicado filme, houve queda de braço entre o magnata Walt Disney e a autora da série de livros sobre Mary Poppins, a australiana P. L. Travers

Tom Hanks no filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins: filme parecia que nunca sairia do papel. Mas a persistência de Walt (Tom Hanks) e a ruína financeira da autora cimentaram um caminho diferente (Reprodução/Divulgação)
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Da Redação

Publicado em 6 de março de 2014 às 15h09.

São Paulo - Mesmo quem conhece e gosta do musical infantil "Mary Poppins", um dos clássicos do acervo dos estúdios Disney , em geral desconhece a acirrada disputa de bastidores necessária à produção do filme de 1964, estreia no cinema da atriz e cantora inglesa Julie Andrews, que lhe rendeu um Oscar de melhor atriz no papel da babá mágica que transforma uma família.

Por trás do adocicado filme, houve uma verdadeira queda de braço entre o magnata Walt Disney e a autora da série de livros sobre Mary Poppins, a australiana P. L. Travers, que durou bons 20 anos. Disney era apaixonado pelos livros, tanto quanto suas filhas, que o fizeram prometer que os transformaria em filme.

Travers, por sua vez, fez de tudo para que a promessa não fosse cumprida. O duelo é o centro da comédia dramática "Walt nos Bastidores de Mary Poppins", de John Lee Hancock.

Não se tratava de simples maldade. A escritora (Emma Thompson) não gostava de animação, nem de musicais, o carro-chefe dos estúdios Disney. Nem sonhava em permitir, portanto, que a sua adorada personagem fosse cooptada para esse universo que, em última instância, ela considerava vulgar.

O filme parecia que nunca sairia do papel. Mas a persistência de Walt (Tom Hanks) e a ruína financeira da autora cimentaram um caminho diferente.

Em 1961, Travers contempla o impasse. Não queria mais escrever, especialmente sobre sua querida personagem Mary Poppins - cuja história guardava uma profunda raiz autobiográfica. Mas não tem um tostão e corre o risco de perder até sua própria casa, em Londres.

Disney continua procurando seu agente, sem esmorecer, disposto a dobrar sua resistência e conseguir os direitos de adaptação. Esta mulher solitária e acuada vai, a contragosto, consentir em viajar até Los Angeles, para ver o que Disney está tramando com a sua personagem.


No fundo, o enredo, baseado em fatos reais e roteirizado por Kelly Marcel e Sue Smith, não passa de uma nota de rodapé, já que se sabe que o filme, afinal, foi realizado. Entretanto, a força das interpretações de Tom Hanks e Emma Thompson faz decolar uma história que teria tudo para ser banal.

Saindo do conflito entre duas personalidades opostas, ainda mais distanciadas pelo choque cultural entre a rígida australiana e o bonachão norte-americano, tira-se bom proveito dos flashbacks da infância da escritora, nascida Helen Lyndon Travers.

Daí emergem pouco a pouco a ligação dela com um pai alcoólatra, mas terno e cheio de imaginação (Colin Farrell), e outros detalhes que contribuem para a humanização da autora - que, no estúdio Disney, assume diariamente o papel da megera ávida por destruir o roteiro de Don DaGradi (Bradley Whitford) e, mais ainda, as músicas criadas pela dupla de irmãos Robert (B. J. Novak) e Richard Sherman (Jason Schwartzman). Afinal, a autora odeia musicais.

Mas o grande show aqui é mesmo de Tom Hanks. Muito à vontade, ele captura toda a ambiguidade da figura de Disney, um homem poderoso, rico, acostumado a ter tudo o que quer e com todos os meios para isso, além de inegavelmente sedutor, otimista e infatigável, o protótipo do vencedor americano.

Emma Thompson, por sua vez, caminha num estreito limite para não cair na caricatura, encarnando uma personagem ranzinza e antipática, por mais que esteja cheia de boas razões para resistir à pressão de Disney.

Prudentemente, a história contorna algumas polêmicas, como o fato de que a adaptação traumatizou a autora, talvez pela perda de controle que acarretou - incluindo até cenas de animação, o que ela tinha proibido. Por isso, ela nunca mais autorizou outras adaptações para o cinema. Estava certa? Os muitos fãs de "Mary Poppins" seguramente podem discordar.

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São Paulo - Mesmo quem conhece e gosta do musical infantil "Mary Poppins", um dos clássicos do acervo dos estúdios Disney , em geral desconhece a acirrada disputa de bastidores necessária à produção do filme de 1964, estreia no cinema da atriz e cantora inglesa Julie Andrews, que lhe rendeu um Oscar de melhor atriz no papel da babá mágica que transforma uma família.

Por trás do adocicado filme, houve uma verdadeira queda de braço entre o magnata Walt Disney e a autora da série de livros sobre Mary Poppins, a australiana P. L. Travers, que durou bons 20 anos. Disney era apaixonado pelos livros, tanto quanto suas filhas, que o fizeram prometer que os transformaria em filme.

Travers, por sua vez, fez de tudo para que a promessa não fosse cumprida. O duelo é o centro da comédia dramática "Walt nos Bastidores de Mary Poppins", de John Lee Hancock.

Não se tratava de simples maldade. A escritora (Emma Thompson) não gostava de animação, nem de musicais, o carro-chefe dos estúdios Disney. Nem sonhava em permitir, portanto, que a sua adorada personagem fosse cooptada para esse universo que, em última instância, ela considerava vulgar.

O filme parecia que nunca sairia do papel. Mas a persistência de Walt (Tom Hanks) e a ruína financeira da autora cimentaram um caminho diferente.

Em 1961, Travers contempla o impasse. Não queria mais escrever, especialmente sobre sua querida personagem Mary Poppins - cuja história guardava uma profunda raiz autobiográfica. Mas não tem um tostão e corre o risco de perder até sua própria casa, em Londres.

Disney continua procurando seu agente, sem esmorecer, disposto a dobrar sua resistência e conseguir os direitos de adaptação. Esta mulher solitária e acuada vai, a contragosto, consentir em viajar até Los Angeles, para ver o que Disney está tramando com a sua personagem.


No fundo, o enredo, baseado em fatos reais e roteirizado por Kelly Marcel e Sue Smith, não passa de uma nota de rodapé, já que se sabe que o filme, afinal, foi realizado. Entretanto, a força das interpretações de Tom Hanks e Emma Thompson faz decolar uma história que teria tudo para ser banal.

Saindo do conflito entre duas personalidades opostas, ainda mais distanciadas pelo choque cultural entre a rígida australiana e o bonachão norte-americano, tira-se bom proveito dos flashbacks da infância da escritora, nascida Helen Lyndon Travers.

Daí emergem pouco a pouco a ligação dela com um pai alcoólatra, mas terno e cheio de imaginação (Colin Farrell), e outros detalhes que contribuem para a humanização da autora - que, no estúdio Disney, assume diariamente o papel da megera ávida por destruir o roteiro de Don DaGradi (Bradley Whitford) e, mais ainda, as músicas criadas pela dupla de irmãos Robert (B. J. Novak) e Richard Sherman (Jason Schwartzman). Afinal, a autora odeia musicais.

Mas o grande show aqui é mesmo de Tom Hanks. Muito à vontade, ele captura toda a ambiguidade da figura de Disney, um homem poderoso, rico, acostumado a ter tudo o que quer e com todos os meios para isso, além de inegavelmente sedutor, otimista e infatigável, o protótipo do vencedor americano.

Emma Thompson, por sua vez, caminha num estreito limite para não cair na caricatura, encarnando uma personagem ranzinza e antipática, por mais que esteja cheia de boas razões para resistir à pressão de Disney.

Prudentemente, a história contorna algumas polêmicas, como o fato de que a adaptação traumatizou a autora, talvez pela perda de controle que acarretou - incluindo até cenas de animação, o que ela tinha proibido. Por isso, ela nunca mais autorizou outras adaptações para o cinema. Estava certa? Os muitos fãs de "Mary Poppins" seguramente podem discordar.

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