'The Dink': a hora e a vez do pickleball
Repórter de Casual
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 06h21.
Última atualização em 10 de agosto de 2026 às 10h54.
Existe um esporte um tanto quanto incomum que virou febre nos Estados Unidos. Cresceu 311% no país nos últimos três anos, já reuniu mais de 20 milhões de praticantes na faixa dos 25 aos 34 anos. Envolve raquete, às vezes quadra de saibro. Não, não é o tênis. É o pickleball: o esporte "da moda" que ganhou as redes sociais e que agora vira tema do filme 'The Dink', nova comédia da Apple TV.
Com produção executiva de Ben Stiller e roteiro do comediante Sean Clements, a trama acompanha Dusty Boyd (Jake Johnson), um ex-prodígio do tênis que sofreu uma lesão quando mais novo e estaciona aos 40 anos, dando aulas do esporte para crianças no clube de elite de seu pai. Subestimado pelo patriarca, um purista que considera o pickleball uma afronta ao tênis, Dusty sofre uma lesão e acaba forçado a entrar na quadra do rival para se reabilitar, mas acaba indo muito além do esporte.
O fenômeno do esporte guia toda a narrativa e tira sarro, da melhor maneira possível, das diferenças entre o pickleball e o tênis. Apesar do gênero cômico, também passa longe dos clichês das comédias românticas e abre espaço para discutir o amadurecimento, as relações entre homens e mulheres e a formação do caráter.
A Casual EXAME participou de uma conversa com o elenco e o diretor Josh Greenbaum, com outros jornalistas. Na entrevista, os protagonistas Jake Johnson e a vencedora do Oscar Mary Steenburgen detalharam a construção da dinâmica do filme, a escolha por fugir de um par romântico tradicional e o equilíbrio do tom cômico.

Um dos pilares centrais da narrativa é a relação entre Dusty e Candace, uma recém-divorciada que encontra no esporte um novo sentido para a vida. Interpretada por Mary Steenburgen, a personagem forma com Jake Johnson uma dupla em quadra que se inicia em tom de hostilidade e evolui para cumplicidade — até além.
O destino dos dois, no entanto, vai no caminho oposto das comédias românticas e seus casais já pré-desenhados.
"Passamos por várias versões do roteiro até decidirmos qual seria o destino desses dois. Quando Mary entrou para o elenco, a dinâmica se transformou e resolvemos reestruturar a história para desenvolver um novo tipo de relação, que não estamos tão acostumados a ver em comédias românticas", explicou Johnson durante a entrevista. "Pareceu mais natural."
Para Steenburgen, a virada na trama foi fundamental para tirar o filme do lugar-comum e aprofundar o peso emocional dos personagens.
"Existe uma diferença de idade e de momento de vida, mas eles se encontram em pontos em que compartilham a mesma dor e a mesma esperança. É uma história sobre comunidade, sobre encontrar suas pessoas e entender que sempre há uma saída para momentos difíceis", comentou Mary Steenburgen.

Se na ficção a ascensão do pickleball acende a fúria de puristas do tênis, como o personagem de Ed Harris, no mundo real, a dinâmica é mais complexa. A pergunta que ronda o mercado esportivo norte-americano é: a febre da raquete de plástico está destruindo o esporte mais tradicional?
A resposta curta é não. O tênis vive um momento de alta nos Estados Unidos. Dados de 2025 mostram que a modalidade atingiu o recorde de 27,3 milhões de praticantes no país (com crescimento anual de 6,2%), dos quais 14,5 milhões são considerados core players — aqueles que jogam 10 ou mais vezes por ano.
No mesmo período, no entanto, o pickleball alcançou 24,3 milhões de praticantes. Mesmo numericamente atrás, a taxa de expansão anual foi de 22,8%, com um salto de 171,8% em três anos.
O filme The Dink já está disponível no catálogo global da Apple TV.