Revista Exame

Um quadro positivo: mercado de arte cresce no último ano e impulsiona novos artistas

Os números, as tendências, as próximas feiras e os novos queridinhos do mercado de artes plásticas, que voltou a crescer globalmente no ano passado

SP-Arte Rotas: feira focada em produções de artistas que foram subvalorizados ao longo do tempo (Caue Ito/Divulgação)

SP-Arte Rotas: feira focada em produções de artistas que foram subvalorizados ao longo do tempo (Caue Ito/Divulgação)

Daniel Salles
Daniel Salles

Repórter

Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.

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“Os mercados não se movem isoladamente. Eles refletem as ambições, as perspectivas, as pressões e as incertezas do mundo ao redor”, escreveu Noah Horowitz, CEO da Art Basel, no texto de abertura do décimo relatório sobre o mercado global de artes plásticas produzido pela feira em parceria com o UBS. O levantamento constatou que o segmento voltou a crescer no ano passado.

As vendas totais de obras de arte totalizaram 59,6 bilhões de dólares, o que representa um salto de 4% em relação a 2024. É uma cifra bem menor que os 68,1 bilhões de dólares obtidos em 2022, é verdade, mas que interrompe a retração registrada nos dois anos seguintes.

“Os dados apontam para algo mais significativo do que um retorno ao crescimento”, registrou Horowitz. “Refletem um setor que se adapta às novas realidades econômicas, aprimora seus modelos e fortalece suas bases para o longo prazo.

O relatório oferece um retrato detalhado do segmento e suas reviravoltas. Sustenta que os ganhos, no ano passado, foram impulsionados pela confiança surgida no segundo semestre. As vendas em leilões aumentaram 9%, com maior participação de obras de mais de 10 milhões de dólares. O setor de galerias também cresceu, com as vendas globais subindo 2%, para 34,8 bilhões de dólares.

As feiras de arte fortaleceram seu papel no comércio global. Representam, agora, 35% do faturamento das galerias, ante 31% em 2024. O levantamento constatou que o número de inaugurações de empreendimentos do tipo superou o de fechamentos — motivados, geralmente, pela elevação dos custos logísticos. E mapeou tendências, como o progresso em direção à paridade de gênero. As artistas mulheres agora correspondem a 45% do portfólio das galerias, o que representa aumento de 4% em relação a 2024.

Obra de Adriana Varejão: artista é uma das representantes do Brasil na Bienal de Veneza deste ano (Camilo Buitrago Gil/Divulgação)

Para Fernanda Feitosa, idealizadora e diretora da SP-Arte, o panorama está mais positivo para o mercado de artes brasileiro.

“Nos Estados Unidos e na Europa, em razão dos conflitos armados nos quais eles estão envolvidos, o setor não está avançando tanto quanto poderia”, diz. “No Brasil, pela distância disso tudo, o segmento demonstra mais vitalidade.” A julgar pela 22ª edição da SP-Arte, neste ano, o mercado brasileiro enfrenta um cenário para lá de favorável.

Diversas participantes registraram vendas expressivas — para a Fortes D’Aloia & Gabriel, por exemplo, foi a edição mais lucrativa. “A SP-Arte é um termômetro muito preciso do grau de atividade desse setor”, afirma Feitosa.

Arte em alta: feiras representaram 35% das vendas de galerias em 2025 (Casey Kelbaugh/CKA/Divulgação)

“Não foi o caso de soltar fogos de artifício, mas vendemos muito bem”, diz Antônia Bergamin, uma das sócias da Galatea, a respeito da participação na última SP-Arte.

A galeria registrou vendas de obras de artistas como Rubem Valentim (1922-1991) por cerca de 1,5 milhão de reais, enquanto uma tela de Antônio Dias (1944-2018) saiu por 500.000 reais.

Gabriel Branco, de 29 anos, um dos artistas no catálogo, venceu o Sauer Art Prize, prêmio da SP-Arte que reconhece nomes promissores da cena contemporânea. “Aumentou a procura por artistas que apostam in técnicas menos utilizadas, como tapeçaria e bordados, e o storytelling nesse meio está perdendo força”, afirma Bergamin. “A qualidade visual, agora, precisa falar mais alto.”


Otimismo em números

Cifras que resumem o bom momento desse mercado:

59,6 bilhões de dólares é o total de vendas globais em 2025, o que representa um salto de 4% em relação a 2024

3,12 bilhões de reais é o valor estimado do mercado de arte no Brasil em 2025, o que equivale a 560,3 milhões de dólares (ou menos de 1% do volume global)

236,4 milhões de dólares foi o valor obtido pelo retrato de Elisabeth Lederer, de Gustav Klimt, no leilão inaugural da Sotheby‘s em sua nova sede em Nova York. Tornou-se o trabalho de arte moderna mais valioso já vendido em um leilão

35% é o percentual de faturamento que as feiras de arte, globalmente, representam para as galerias. É o patamar mais alto desde 2022

10 quilômetros lineares é a soma das paredes erguidas no Pavilhão da Bienal para a 22a edição da SP-Arte, que neste ano contabilizou 35.811 visitantes


AGENDA

Calendário artístico

As principais feiras de arte que ocorrem até o fim do ano

Art Basel: a tradicional feira suíça terá a terceira edição em Paris neste ano (Sara Barth/Divulgação)

SP-Arte Rotas

Derivada da SP-Arte, foi criada em 2022 com o propósito de valorizar a diversidade da arte brasileira e não se restringir ao eixo Rio-São Paulo. É fruto do reconhecimento pelo mercado, nos últimos anos, de produções que foram negligenciadas ou subvalorizadas ao longo do tempo — leia-se: obras de artistas negros, mulheres, indígenas e populares, como os autodidatas costumam ser chamados. Neste ano, o curador Bernardo Mosqueira assume o posto de diretor artístico no lugar de Rodrigo Moura. No ano passado, a SP-Arte Rotas ocupou a ARCA com 65 projetos curados.

Quando: de 26 a 30 de agosto | Onde: Arca, São Paulo

ArtRio

Criada em 2011, promove ações ao longo do ano todo, compartilhando conhecimento e estimulando a visitação de museus, galerias e instituições culturais cariocas. Todo ano, a feira, que chega à 16a edição em setembro, costuma reunir mais de 100 colecionadores e curadores vindos de países como Estados Unidos, Panamá, Suíça, Paraguai, Espanha, Peru, Dinamarca, França, Turquia, Bélgica e Itália. No ano passado, ela reuniu mais de 80 galerias. Um dos destaques é o programa Solo Duo, que incentiva a produção de projetos inéditos e exclusivos para a feira, com a participação de um ou dois artistas.

Quando: de 16 a 20 de setembro | Onde: Marina da Glória, Rio de Janeiro

The Armory Show

Inserido na programação cultural de Nova York desde quando foi criado, em 1994, o evento dá início à temporada de outono do circuito local das artes plásticas. Um dos setores reúne galerias internacionais que apresentam obras de arte dos séculos 20 e 21. O que é chamado de Solo é dedicado a mostras de um único artista emergente, consagrado ou histórico. Com curadoria de María Elena Ortiz, o setor Focus destaca artistas de todo o Caribe e regiões vizinhas. Em 2023, o Armory Show foi adquirido pela Frieze, uma das principais organizações mundiais de arte moderna e contemporânea.

Quando: de 24 a 27 de setembro | Onde: Javits Center, Nova York (EUA)

Frieze London

Fundada em 2003 por Amanda Sharp e Matthew Slotover, abre espaço, exclusivamente, para a arte contemporânea e artistas vivos. É simultânea à Frieze Masters, dos mesmos organizadores, também no Regent‘s Park. Esta outra oferece um contraponto histórico, reunindo obras produzidas antes dos anos 2000. E há uma terceira mostra, esta gratuita, só de esculturas. Nos últimos anos, os três eventos receberam mais de 90.000 visitantes. Ebony L. Haynes, da galeria David Zwirner, e Cédric Fauq, curador-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Bordeaux, são alguns dos membros do comitê de seleção da Frieze London 2026.

Quando: de 14 a 18 de outubro | Onde: The Regent’s Park, Londres (UK)

Art Basel (Paris)

Criada em 2024, a versão francesa da mais importante feira de arte do mundo já está inserida no ecossistema cultural da Cidade Luz — a programação da 3a edição ainda não foi divulgada. No ano passado, foram 206 galerias de 41 países e territórios — 65 delas localizadas na França — e mais de 73.000 visitantes. Os expositores relataram fortes vendas em todos os segmentos e setores do mercado, com destaque para obras de veteranos como Gerhard Richter, de ícones como Amedeo Modigliani (1884-1920) e de artistas em ascensão como Yu Nishimura, nascido no Japão, e Özgür Kar, da Turquia.

Quando: de 23 a 25 de outubro | Onde: Grand Palais, Paris (França)

Art Basel (Miami Beach)

Para as galerias e para os artistas brasileiros, virou uma das principais portas de entrada do cobiçado mercado americano. Sobre a próxima edição ainda há poucos detalhes. A de 2025 atraiu mais de 80.000 visitantes e reuniu 283 galerias de 43 países e territórios, incluindo 48 expositores estreantes. Registrou-se a presença de importantes colecionadores particulares e mecenas das Américas, da Europa, da Ásia, da África e do Oriente Médio. O americano Kelsey Isaacs, o panamenho Cisco Merel e o brasileiro Adriel Visoto são alguns dos artistas em ascensão cujas vendas chamaram atenção.

Quando: de 4 a 6 de dezembro | Onde: Miami Beach Convention Center, Miami (EUA)


NOVOS ARTISTAS  

Tinta fresca

Conheça alguns dos novos artistas brasileiros com vendagens expressivas

Da praia à galeria: retalhos de lycra descartados viram obras de arte nas mãos de Dani Cavalier (Rafael Salim Estudio/Divulgação)

Gabriel Branco

Nascido há 29 anos em São Mateus, zona leste paulistana, trabalha principalmente com fotografia analógica e pintura, explorando temas associados à vivência urbana nas periferias da cidade. Aproximou-se da pintura ao trabalhar como assistente de uma referência no assunto, o paulistano Paulo Monteiro. Branco é representado pela Galatea, com unidades em São Paulo e Salvador. Neste ano, a galeria estreou na ARCOmadrid com um estande só de obras dele. Na SP-Arte deste ano, ele venceu o Sauer Art Prize, que reconhece artistas promissores da cena contemporânea.

Dani Cavalier

Por meio de desenhos, pinturas, instalações e esculturas, a carioca de 33 anos explora temas relacionados ao corpo, à espiritualidade e à história do poder e da marginalização das mulheres. Nos últimos três anos, produziu o que apelidou de “pinturas sólidas”. São telas que ela manipula não com tintas, mas com retalhos coloridos de lycra que saem de fábricas têxteis do Rio de Janeiro especializadas em vestimentas de praia. O resultado? Obras que chamam atenção pelas justaposições dos tecidos, que formam novas tramas envolventes. É mais um nome representado pela Galatea.

Adriel Visoto

Na última edição da Art Basel Miami Beach, foi um dos destaques de vendas entre os artistas em ascensão. Nascido em Brazópolis, Minas Gerais, há 39 anos, o pintor é formado em artes plásticas pela Escola Guignard da UEMG, além de mestre em artes visuais pela Unicamp. Seus trabalhos mais recentes registram experiências triviais e rituais cotidianos, vivenciados sobretudo no espaço doméstico. Representado pela Verve, situada em São Paulo, tem obras no acervo permanente do Masp e do Museu de Arte do Rio (MAR).

Luana Vitra

Mineira de Contagem, está com 31 anos. Suas obras são produzidas com materiais diversos, como pedra de minério de ferro, quartzo azul, tecido e miçangas de vidro. Na 35a Bienal de São Paulo, em 2023, apresentou a instalação “Pulmão da Mina”, inspirada no hábito que pessoas escravizadas tinham de levar canários para o trabalho em minas de ouro. As aves serviam de alerta para a presença de gases tóxicos emanados pela extração mineral, aos quais não resistiam imediatamente. A galeria de Vitra é a Mitre, outra de São Paulo.

Tadáskía

No catálogo da Fortes D’Aloia & Gabriel, a carioca de 33 anos entrou para o acervo do MoMa em 2024. Suas obras também integram as coleções do Instituto Inhotim, do Museu de Arte do Rio, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Masp, do Guggenheim, em Nova York, e da Tate, em Londres. Na 35a Bienal de São Paulo, Tadáskía expôs três esculturas feitas de bambu, palha e taboa, entre outros trabalhos chamativos. Ela também trabalha com desenho, fotografia e tecido, criando paisagens imaginadas e místicas.

Mayara Ferrão

Nascida em Salvador há 33 anos, ela venceu o Sauer Art Prize na SP-Arte de 2025. No mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual, “O primeiro rastro foi água”, na Galeria Verve, que a representa. Em 2024, participou de residência artística no Pivô Arte e Pesquisa de Salvador. Formada em artes visuais pela UFBA, ela recorre à fotografia, à ilustração, à pintura, ao vídeo e até à inteligência artificial para criar narrativas protagonizadas por corpos negros, originários e dissidentes. Uma de suas obras foi adquirida pelo MoMA.


ARTISTAS CONSOLIDADOS

Prestígio inabalável

Jonathas de Andrade: releitura crítica da história em diferentes meios visuais (Jonathas de Andrade/Divulgação)

Adriana Varejão

Para muitos colecionadores, ela é tida como um must have. Representada, atualmente, por duas galerias estrangeiras, a americana Gagosian e a inglesa Victoria Miro, Varejão figura no acervo de importantes instituições, como Instituto Inhotim, Guggenheim, MoMA e Tate Modern. Algo hipnótica, sua obra é extremamente conceitual e política. Propõe, constantemente, um diálogo com a história colonial e pós-colonial do Brasil e remete tanto ao barroco brasileiro quanto à literatura de viagem setecentista. Na Bienal de Veneza deste ano, representa o Brasil ao lado de Rosana Paulino.

Beatriz Milhazes

É um dos principais nomes da abstração contemporânea. Suas telas, para lá de coloridas, são o sonho de consumo de muita gente — quem não gostaria de pendurar uma delas na parede de casa? A obra de Milhazes espelha diversas referências da cultura brasileira, do Barroco ao Carnaval. Com padrões vibrantes e contrastes cromáticos, cria uma harmonia dinâmica por meio da técnica de monotransfer, desenvolvida por ela. Sua produção se expande para colagem, gravura e escultura, e integra importantes coleções e exposições internacionais. Sua galeria é a Fortes D’Aloia & Gabriel.

Volpi

Todos os anos, na SP-Arte, uma grande quantidade de telas do ítalo-brasileiro Alfredo Volpi (1896–1988) troca de mãos. Figura central na história da arte brasileira, ele deixou uma obra vasta, o que explica o impressionante número de transações, até hoje, envolvendo o nome dele. Isso e o inegável apelo de suas telas, inconfundíveis — as fachadas e as bandeirinhas viraram sua marca. Sua obra combina cultura popular e rigor formal, com cores luminosas preparadas artesanalmente. Uma das galerias que comercializam sua obra é a Galatea.

Lucas Arruda

No ano passado, definitivamente, passou a ombrear com os nomes mais celebrados da arte contemporânea brasileira. O motivo: foi o primeiro brasileiro a ter uma exposição individual no Musée d’Orsay, em Paris. Avesso aos holofotes, o paulistano de 42 anos cria pinturas que navegam entre a figuração e a abstração. Ele cria atmosferas sutis onde horizonte, cor e vazio tensionam realidade e imaginação. Seus trabalhos evocam estados contemplativos, nos quais o olhar reconstrói paisagens interiores em constante transformação. Suas galerias são a Mendes Wood DM e a americana David Zwirner.

Jonathas de Andrade

A provocativa obra deste artista alagoano de 44 anos caiu nas graças do público, da crítica e dos colecionadores. Oscilando entre a fotografia, o vídeo e a instalação, Andrade faz trabalhos ficcionais, mas que também fazem as vezes de documentários em diálogo com comunidades, ampliando vozes marginalizadas. Por meio de narrativas poéticas e alegóricas, ele investiga e tensiona construções de gênero, classe e raça no Brasil, propondo releituras críticas da história e explorando a arte como força de transformação social. É representado pela Nara Roesler.

OSGEMEOS

No catálogo da Nara Roesler, Otávio e Gustavo Pandolfo ajudaram a abrir as portas das artes plásticas para o grafite. Muita gente que não cogitava investir em arte mudou de ideia depois de colocar o olho em um dos trabalhos da dupla. Desde os anos 1990, eles criam um universo onírico repleto de personagens inspirados no folclore e na cultura hip-hop. Suas obras transformam a paisagem urbana em narrativas visuais, combinando crítica social, imaginação e forte identidade gráfica. É impossível, mesmo de longe, não reconhecer os traços deles.


ARTISTAS PARA FICAR DE OLHO

Novas influências

Alguns dos profissionais que estão dando as cartas nos bastidores do circuito

Amanda Carneiro e Raphael Fonseca: curadores-chefes para a 37ª Bienal de São Paulo, no próximo ano (Bienal de São Paulo/Divulgação)

Amanda Carneiro

Ao lado de Raphael Fonseca, foi empossada curadora-chefe da 37a Bienal de São Paulo, marcada para 2027. A nomea-ção da dupla marca um reencontro da instituição com uma tradição curatorial marcadamente brasileira. Desde 2018, Carneiro é curadora do Masp, onde organizou mostras em parceria com instituições como The Whitworth, American Folk Art Museum, Museo Universitario del Chopo e Itaú Cultural. Também foi organizadora artística da 60a Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza (2024) — Stranieri Ovunque — Foreigners Everywhere.

Ana Carolina Ralston

Curadora e pesquisadora de artes visuais, assinou a curadoria de exposições festejadas, caso da última individual de José Bechara na galeria Marilia Razuk, em São Paulo. A 14a edição da Mostra 3M de Arte, intitulada “Biomorfos: a Reinvenção do Ser”, também foi organizada por ela. No Parque da Luz, em São Paulo, reuniu obras de Ayrton Heráclito e Luiz Zerbini, entre outros artistas. O palco de outra grande mostra assinada por Ralston, “Paisagens Perdidas para Lina Bo Bardi”, de Ana Maria Tavares, foi a Casa de Vidro.

Camila Yunes

Está determinada a quebrar a ideia de que apenas quem tem muito dinheiro pode adquirir uma obra de arte. A art advisor é neta de Ivani e Jorge Nunes, que formaram uma coleção de arte monumental administrada por sua mãe, Beatriz Yunes Guarita. Fundada em 2018, a consultoria de Camila auxilia na catalogação e expansão de coleções existentes e ajuda aqueles que estão começando. Certa vez, foi incumbida de comprar uma obra específica de Olafur Eliasson e descobriu que ela já havia sido vendida. A solução foi convencer o artista dinamarquês a criar uma nova, semelhante à original.

Raphael Fonseca

Carioca radicado em Lisboa, é curador de artes visuais da Culturgest, com sedes no Porto e na capital de Portugal, e vai exercer o mesmo cargo no pavilhão de Taiwan na 61a Bienal de Veneza, neste ano. Mais: é curador at large de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum, nos Estados Unidos. Viajou do Rio de Janeiro para São Paulo, pela primeira vez, em 2006, para visitar a Bienal de São Paulo, da qual acaba de virar curador-chefe, ao lado de Amanda Carneiro. A dupla estará à frente da 37a edição da mostra.


À vista de todos

A festejada coleção de José Olympio e Andréa Pereira está aberta ao público

Os laços de José Olympio com o mercado financeiro — ele é ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e do J. Safra — são tão conhecidos quanto sua ligação com as artes plásticas. Ex-presidente da Fundação Bienal de São Paulo e ex-presidente do conselho da Pinacoteca de São Paulo, ele é tido como um dos maiores colecionadores de arte contemporânea do Brasil. Ao lado da mulher, Andréa Pereira, montou um acervo de valor inestimável ao longo de três décadas. São mais de 2.000 obras de artistas festejados, como Mira Schendel, Tunga, Waltercio Caldas, Leonilson, Erika Verzutti, Nuno Ramos, Jac Leirner, e por aí vai. Digna de um museu, a coleção é mantida num armazém de 1.600 metros quadrados na região da Ceagesp, em São Paulo. Tudo isso para dizer que o espaço, desde 1o de abril, está aberto ao público com visitas gratuitas, mediante agendamento prévio. É mais uma grande novidade para o circuito de artes plásticas de São Paulo.

galpaodalapa.art.br


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