Casual

Recife, a nova Meca do cinema brasileiro

"Bacurau", "Divino Amor", "Boi Neon" e "Aquarius" são alguns exemplos de filmes que consolidaram o Recife como a 'nova Meca' do cinema brasileiro

Bacurau: filme de Kleber Mendonça voltou a colocar Recife no mapa da grande audiência do cinema (Divulgação/Divulgação)

Bacurau: filme de Kleber Mendonça voltou a colocar Recife no mapa da grande audiência do cinema (Divulgação/Divulgação)

E

EFE

Publicado em 28 de novembro de 2019 às 10h55.

Recife — As produções cinematográficas do nordeste transcenderam fronteiras nos últimos anos e conquistaram o público em diversos festivais internacionais. "Bacurau", "Divino Amor", "Boi Neon" e "Aquarius" são apenas alguns exemplos de filmes que consolidaram o Recife como a 'nova Meca' do cinema brasileiro.

Os longas-metragens mais bem-sucedidos do Brasil contemporâneo deixaram de se restringir aos favela movies ambientados no Rio de Janeiro, como "Cidade de Deus" (2002) e "Tropa de Elite" (2007).

Com cenários chamativos, estúdios de pós-produção e uma pujante geração de diretores, o Recife se tornou referência no mapa mundial do cinema independente.

Considerada a 'Veneza brasileira' pelos canais fluviais, a capital pernambucana desenvolveu uma série de incentivos governamentais para o cinema e criou o Porto Mídia, um moderno complexo de estúdios de edição operado pelo Porto Digital, o maior parque tecnológico do país.

Novas gerações

O Nordeste, que já se destacou com as comédias "O Auto da Compadecida" (2000) e "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), agora dá lugar ao suspense de "Bacurau", às distopias de "Divino Amor", à subversão de "Boi Neon" e à crítica social de "Aquarius".

O caminho aberto por cineastas pernambucanos como Daniel Aragão e Claudio Assis, diretor de "Amarelo Manga" (2002), ganhador do Festival de Toulouse, e "A Febre do Rato" (2011), vencedor em Havana, propiciou o surgimento dos hoje consagrados Gabriel Mascaro, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, entre otros.

 

"É muito especial o que está acontecendo com os filmes de Pernambuco e outros do Nordeste que desempenham um grande papel no imaginário brasileiro, como 'Bacurau' (que ganhou prêmios em Munique, Lima, Sydney, Málaga e Cannes)", disse Mascaro, diretor de "Divino Amor" e "Boi Neon".

Kleber Mendonça Filho, junto a Juliano Dornelles, fizeram de "Bacurau" um 'faroeste' focado na violência e recheado de críticas sociais, explorando o descaso do poder público, a desigualdade e outros aspectos da realidade de muitos brasileiros.

"Aquarius", também dirigido por Mendonça Filho, é outro representante na lista de sucessos 'made in Nordeste'. Gravado no Recife, o filme e a protagonista, Sônia Braga, colecionaram prêmios mundo afora.

Incentivos

Pernambuco foi o primeiro estado brasileiro a promulgar uma lei de audiovisual própria, em 2014, como política cultural e complementar ao Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (FUNCULTURA), e o Recife, desde 2012, conta com o Sistema de Incentivo à Cultura (SIC).

"Esssa expressividade no cinema e nas artes plásticas é fruto de uma política cultural muito democrática que ajuda artistas e realizadores que produzem anualmente, como as novas gerações", comentou à Agência Efe a diretora Renata Pinheiro, de "Amor, Plástico e Barulho" (2013) e "Açúcar" (2017).

Pinheiro, a primeira mulher a dirigir um filme de ficcção no Nordeste, também destacou o histórico de escritores da região, como Clarice Lispector, criada no Recife, e João Cabral de Melo Neto, nascido na capital pernambucana.

Segundo Mascaro, a "tradição cultural nordestina" impulsionou a "consolidação de uma política pública" que "se combinou e ecoou" para "evitar a dependência da pós-produção e da finalização em São Paulo e Rio de Janeiro".

Acompanhe tudo sobre:CinemaRecife

Mais de Casual

Por que as big techs estão se voltando ao mercado de beleza

Por que mulheres estão se aproximando dos esportes de combate

Por dentro do grupo gastronômico que cresce sem pressa — e sem chef-celebridade

A cafeína do matchá tem o mesmo efeito do café?