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O novo acessório da moda contra o calor recorde na Europa

Vendido por US$ 149,99, cerca de R$ 768, o Shark ChillPill saiu das gôndolas de eletrônicos e apareceu nas arquibancadas de Wimbledon e nas passarelas de Paris

Linha completa do Shark ChillPill em sete cores, com o corpo do aparelho, o bocal de ventilação e a placa InstaChill separados, mostrando o sistema modular de encaixe do produto (Divulgação)

Linha completa do Shark ChillPill em sete cores, com o corpo do aparelho, o bocal de ventilação e a placa InstaChill separados, mostrando o sistema modular de encaixe do produto (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 12h03.

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Nas semifinais masculinas de Wimbledon, com a temperatura batendo 35°C nas arquibancadas, um mesmo objeto reaparecia nas mãos do público a cada poucos minutos. Não era um leque, nem um daqueles ventiladores de garrafa d'água que circularam nos últimos verões. Era o Shark ChillPill, um aparelho de US$ 149,99, cerca de R$ 768, que combina ventilador, borrifador e uma placa de resfriamento por contato.

O acessório já vinha sendo flagrado nas mãos de londrinos bem-vestidos em bairros como Chelsea e Marylebone antes do torneio. Em Paris, a Vogue britânica o classificou como o acessório mais importante da semana de moda masculina, realizada no fim de junho. A tenista Aryna Sabalenka foi vista usando o aparelho entre os games de uma partida disputada sob forte calor em Roland Garros, episódio registrado pela revista Grazia meses antes de Wimbledon.

Engenharia para o calor

Shark ChillPill

o ChillPill segurado junto a uma bolsa Thom Browne, unindo utilidade térmica e vestimenta de grife (Reprodução/Instagram)

O ChillPill é fabricado pela SharkNinja, empresa americana com sede em Needham, Massachusetts, negociada na Bolsa de Nova York sob o código SN. O aparelho tem três funções combinadas: um ventilador sem hélices capazes de lançar ar a até 7,6 metros por segundo, com dez velocidades ajustáveis; um borrifador de névoa seca para uso interno e externo; e uma placa chamada InstaChill, que reduz a temperatura da pele em até 9°C ao entrar em contato direto com a região.

O design foi pensado para ser usado no corpo, e não guardado na bolsa. A versão básica vem com uma pulseira, mas pulseiras adicionais, clipes para bolsas e presilhas para carrinhos de bebê são vendidos separadamente. Neil Shah, diretor comercial da SharkNinja, disse em comunicado que o resfriamento pessoal não havia acompanhado a forma como as pessoas realmente vivem, e que a empresa via ali uma oportunidade de ir além do ventilador tradicional.

Um continente sem ar-condicionado

O sucesso do produto acontece num momento específico do calendário climático europeu. A onda de calor que atingiu o continente em 2026 bateu recordes em Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Irlanda, com pico de 40,3°C registrado em Mora, no interior português, no fim de maio. Segundo estimativas, o número de mortes atribuídas ao calor extremo já passava de 45 mil até o início de julho.

A diferença em relação aos Estados Unidos ajuda a explicar por que um ventilador de mão virou item de desejo do outro lado do Atlântico. Enquanto cerca de 90% das residências americanas têm ar-condicionado, a taxa de posse na Europa gira em torno de 20%, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Prédios antigos, restrições em áreas tombadas e o compromisso do continente com metas de neutralidade climática até 2050 tornam a instalação de aparelhos fixos mais difícil, o que empurra o consumidor para soluções portáteis.

Preço como parte do apelo

O valor do ChillPill chamou atenção da imprensa especializada em tecnologia. A CNN Underscored descreveu o preço como um choque, mesmo elogiando o desempenho do produto em testes. No mercado de ventiladores portáteis, a faixa de preço costuma ficar bem abaixo dos US$ 150, o que torna o ChillPill um item de posicionamento mais próximo do acessório de moda do que do eletrodoméstico de necessidade básica.

O fenômeno se soma a uma lista de objetos utilitários que ganharam status de item de estilo nos últimos anos, das garrafas térmicas às bolsas de academia. No caso do ventilador, a urgência climática dá ao objeto uma justificativa dupla: ele resolve um problema real de conforto térmico e, ao mesmo tempo, funciona como sinal visível de participação numa temporada marcada pelo calor recorde no continente europeu.

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