Estande do salão Watches & Wonders, em Genebra: termômetro da indústria (Fabrice Coffrini/Getty Images)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 09h02.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 09h08.
A tendência se manteve no mercado de relógios suíços. Em 2025, o valor de exportações apresentou queda de 1,7% em relação ao ano anterior, em um total de 25,6 bilhões de francos suíços. Os dados são da Fédération de l’Industrie Horlogère Suisse (FH) e foram divulgados nesta quinta-feira, 28.
Poderia ter sido pior. Em dezembro, as exportações cresceram 3,3% em valor depois de quatro meses de declínio, devido principalmente à redução nas compras nos Estados Unidos devido ao anúncio das tarifas.
O resultado de dezembro interrompeu uma sequência negativa, depois de um crescimento acentuado durante a pandemia, sugerindo alguma resiliência no fim do ano.
O ciclo recente dessa indústria pode ser dividido em fases:
Esse padrão mostra que, embora 2025 não tenha sido excepcional, a indústria voltou a uma fase mais moderada e seletiva, contrastando com os picos excepcionais de 2022 e 2023.
Outra marca desse ciclo recente é a dissociação entre valor e volume. Em 2025, o número total de relógios exportados caiu 4,8%, para 14,6 milhões de unidades, enquanto o valor registrou queda menor.
Isso se deve a uma tendência de procura por relógios mais caros. O segmento com preço de exportação superior a 3.000 francos manteve-se mais resiliente que o restante do portfólio. Embora também tenha recuado em 2025, seu peso continuou sendo significativo no faturamento total.
Manufaturas como Rolex, Cartier, Patek Philippe e Audemars Piguet têm sido pilares desse segmento premium, com forte desempenho mesmo em períodos de desaceleração, valorizadas por colecionadores e mercados mais estáveis. Essas marcas têm crescido em faturamento a cada temporada, segundo estudo anual feito pelo Morgan Stanley com a consultoria LuxConsult.
Em 2025, mercados tradicionais reagiram de forma diferente. Os Estados Unidos tiveram forte crescimento, com exportações subindo quase 20% em dezembro, devido principalmente à redução de tarifas e, novamente, a uma forte demanda por relógios de luxo.
Já países como China, Hong Kong e Japão apresentaram retração, refletindo uma procura mais cautelosa em mercados asiáticos — algo que já vinha acontecendo desde 2024 e continuou em 2025. O mercado europeu, mais maduro, também mostrou variação, com quedas em países como Alemanha e Itália.
O balanço de 2025 aponta para um setor que deixou para trás a fase excepcional de crescimento pós-pandemia, quando relógios passaram a ser considerados ativos de investimento, e entrou em um novo patamar, mais realista. A desaceleração está longe de representar um colapso do setor, mas a um ajuste de mercado, mais equilibrado.
O Watches & Wonders de Genebra, o mais importante salão de relojoaria e uma espécie de termômetro desse mercado, deve refletir essa fase de maturidade. A tendência é que as principais manufaturas continuem focando em relógios com mais complicações e metais preciosos, de maior valor final, deixando o segmento de entrada para as marcas independentes. Em abril, quando a feira será realizada, desta vez com a participação de 66 marcas, saberemos ao certo.