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Nem todo hidratante é igual e entender isso pode mudar seu skincare

Apesar de parecerem iguais, produtos hidratantes podem agir de formas diferentes na pele. Entender isso ajuda a escolher qual produto se encaixa mais nas suas necessidades

Skincare: hidratantes podem ter propostas diferentes; entenda como (shironosov/Thinkstock)

Skincare: hidratantes podem ter propostas diferentes; entenda como (shironosov/Thinkstock)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 18 de março de 2026 às 14h03.

Muitas pessoas pensam que hidratação é algo que só preocupa quem tem pele seca. Mas, assim como o corpo precisa de água para funcionar bem, a pele também precisa ser hidratada para manter a saúde, e isso inclui os tipos de pele oleosa e mista.

A confusão, no entanto, começa já na palavra. Em português, quase tudo vira "hidratar". No sentido literal, o termo remete à água — e, de fato, muitos produtos dessa categoria trabalham com isso, ajudando a repor ou atrair água para a pele.

Mas nem todos funcionam dessa forma. Alguns produtos atuam repondo outros componentes da pele, como lipídios, ou até na estimulação de colágeno, enquanto outros criam uma camada que ajuda a reter a água que já está ali para não deixar que ela evapore.

Ou seja, embora todos os componentes estejam no grande guarda-chuva da hidratação, eles agem de maneiras distintas. Entender essa pode ser um divisor de águas na rotina de skincare.

O que significa hidratar a pele?

Do ponto de vista científico, o termo "hidratante" engloba diferentes tipos de ingredientes usados em cosméticos, como emolientes (óleos e gorduras), esqualeno, umectantes e agentes oclusivos. Mas no mercado, esses termos nem sempre são usados de forma precisa.

"Hidratante e umectante são termos de marketing e podem ser definidos pelas marcas praticamente da maneira que quiserem", explica o químico cosmético Perry Romanowski, cofundador do site The Beauty Brains, à Healthline.

Na prática, os produtos costumam seguir duas estratégias principais.

A primeira envolve os umectantes, ingredientes que funcionam como ímãs de água. Eles puxam a umidade do ambiente ou das camadas mais profundas da pele e a mantêm na superfície. Substâncias como ácido hialurônico, glicerina e aloe vera funcionam assim.

A segunda estratégia usa oclusivos e emolientes, geralmente à base de óleo. Esses ingredientes formam uma camada na superfície da pele que impede a perda de água. Entre os exemplos estão petrolato (vaselina), manteiga de karité e diferentes óleos vegetais.

"Eles funcionam criando uma barreira na superfície da pele que impede a perda de água. Também deixam a pele mais macia e menos ressecada", diz Romanowski.

No entanto, muitos cosméticos combinam as duas abordagens, diz o especialista. "A maioria dos cremes e produtos para a pele contém ingredientes oclusivos e emolientes, além de ingredientes umectantes — ou seja, hidratam e nutrem ao mesmo tempo", diz, adicionando que a textura do produto — gel, creme ou óleo — não define sua eficácia, e sim seus ingredientes.

Como escolher o produto ideal

Se a pele é naturalmente seca, descama ou apresenta pequenas fissuras ao longo do ano, o problema pode estar na dificuldade de reter umidade, diz o especialista. Nesses casos, produtos mais ricos em óleos e agentes oclusivos funcionam melhor.

Para quadros de ressecamento intenso, Romanowski afirma que a vaselina é uma das opções mais eficazes. Mas, se alguém preferir evitar o petrolato, alternativas incluem manteiga de karité, óleo de soja ou óleo de canola.

Já quando a pele está desidratada, o objetivo é repor água ativamente. Ingredientes como o ácido hialurônico são bastante usados nesses casos porque conseguem reter até 1.000 vezes o próprio peso em água.

Pele oleosa também pode estar desidratada

Um erro comum é achar que pele oleosa não precisa de hidratação, sendo que ela precisa ser tão hidratada quanto a pele seca. Isso porque, quando a barreira da pele não funciona bem, a umidade escapa e o organismo tenta compensar essa perda produzindo ainda mais óleo.

Essa situação pode se tornar um ciclo: quanto mais desidratada a pele fica, mais oleosidade pode surgir. Peles desse tipo costumam se beneficiar de hidratantes à base de água e não comedogênicos, que são mais leves e não obstruem os poros.

Como lavar o rosto adequadamente

Pode parecer que usar apenas água para lavar o rosto já seria suficiente para hidratar a pele — especialmente no caso das oleosas. Mas a água evapora rapidamente depois do banho e pode levar consigo parte dos óleos naturais da pele.

Sem essa proteção, há duas reações possíveis: nas peles secas, o resultado tende a ser ainda mais ressecamento; já nas oleosas, a perda de umidade pode estimular o organismo a produzir ainda mais óleo para compensar.

Como combinar esses cuidados?

A pergunta final que sobra é: o que devo fazer, hidratar ou nutrir a pele? A resposta costuma ser os dois. Como muitos produtos já combinam umectantes e oclusivos, eles conseguem ao mesmo tempo atrair água para a pele e impedir que ela escape.

Para quem gosta de rotinas mais elaboradas de skincare, é possível usar os dois separadamente: primeiro um umectante, à base de água, como um sérum com ácido hialurônico, e depois um produto oclusivo, à base de óleo, para "selar" a hidratação.

No entanto, vale dizer que a saúde da pele não depende apenas de cremes. Beber água regularmente ajuda a manter o equilíbrio do organismo, enquanto alimentos ricos em água também podem contribuir para esse processo, como melancia, morango e pepino.

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