Henrique Fogaça: chef é um dos novos embaixadores da Einsenbahn, marca de cerveja parte do portfolio da Heineken
Estagiária de jornalismo
Publicado em 29 de abril de 2026 às 09h00.
Última atualização em 29 de abril de 2026 às 11h08.
A cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no Brasil, com 15,34 bilhões de litros produzidos nacionalmente em 2024, de acordo com dados do Anuário da Cerveja de 2025 do Governo Federal. Comparativamente, o vinho, mais comumente associado à gastronomia, teve 490 milhões de litros comercializados no país em 2025, segundo dados do seminário Adega Ideal.
Apesar do amplo consumo, a harmonização com cerveja em refeições ainda não é uma prática tão comum. Ela não precisa ser complicada ou luxuosa, e, para explicar as bases por trás de uma boa combinação, o chef Henrique Fogaça conversou com a EXAME.
O ponto de partida, segundo ele, é educar o paladar antes de qualquer combinação.
"A dica de ouro é começar a degustar com mais cuidado a cerveja. Sentir a acidez, o lúpulo da cerveja — o amargor, o frescor — e começar a entender, dentro das papilas gustativas, a bebida. Aí você começa a fazer o contraponto, o contraste ou a continuidade da harmonização", diz Fogaça.
Uma das formas mais comuns de harmonização entre comidas e bebidas é apostar na semelhança.
"Você pode ter uma sobremesa doce e tomar uma cerveja que é meio adocicada — aí ela que vai junto na mesma linha", exemplifica o chef. A lógica é que sabores próximos tendem a se complementar sem que um sobressaia sobre o outro.
Uma das diferenças centrais entre cerveja e vinho na hora de harmonizar é o teor alcoólico. A cerveja, em geral mais leve, abre espaço para combinações que o vinho muitas vezes não comporta.
"Enquanto um vinho pode sobrar numa harmonização com pratos leves como frutos do mar, peixes, frango ou saladas, a cerveja já vai ser uma ótima opção", diz Patrícia Sakakura, especialista em cervejas da Eisenbahn à EXAME. "Cervejas adocicadas vão funcionar com pratos adocicados. Sobremesas vão funcionar muito bem com uma cerveja de trigo, por exemplo."
A diretriz mais básica, segundo Sakakura, é simples: "Cervejas leves com pratos leves e cervejas intensas com pratos mais gordurosos e mais intensos."
Uma IPA, por exemplo, com amargor mais marcante e teor alcoólico mais alto, combina com pratos com personalidade equivalente, como carnes defumadas, queijos fortes ou hambúrgueres.
Para quem tem um paladar mais aventureiro, outra linha possível é combinar sabores mais distintos e deixar que a tensão entre eles crie algo novo.
"Se eu tenho algo doce e tomo uma IPA, algumas notas dessa doçura podem se complementar com o amargor e equilibrar", explica Fogaça.
O resultado não é o cancelamento de um sabor pelo outro, mas uma terceira experiência: "A mágica é quando o terceiro sabor — que é os dois juntos na boca — seja ainda melhor do que eles provados individualmente", diz Sakakura.
A carbonatação é um dos recursos mais úteis nesse tipo de combinação. As borbulhas da cerveja funcionam como limpeza de paladar, cortando a gordura de pratos mais pesados. "Até mesmo a Pilsen, mais leve, pode funcionar em uma harmonização mais intensa com um petisco", diz Sakakura.
Além do teor de gordura e do amargor, ela lembra que outros fatores importam: "É importante também perceber as formas de cocção e o nível dos temperos do prato, porque isso vai influenciar muito na experiência."
Henrique Fogaça é uma figura que muitos brasileiros conhecem por sua presença na televisão. O chef é um dos jurados do "Masterchef Brasil" desde a primeira temporada do reality show, transmitida em 2014.
Desde então, ele apenas não esteve presente na temporada de 2023 do programa. A personalidade rockeira de Fogaça já rendeu a ele posição de jurado em mais quatro versões do reality: o "Masterchef Júnior", "Masterchef Profissionais", "Masterchef Celebridades" e "Masterchef Confeitaria".
Apesar desse lado midiático, Fogaça diz que a base de tudo que ele faz é a cozinha. "Eu sou um cozinheiro raiz com lado empresário", afirma.
Ele conta que a entrada no mundo dos negócios foi gradual. "Comecei vendendo hambúrguer na rua, comida na rua, trabalhando em loja de conveniência. Fui fazendo aos poucos", conta. Para quem quer empreender, o conselho é começar pequeno e não deixar o medo paralisar: "O não, o mundo já te deu. Tira o medo da frente e começa pequeno — menos é mais. Faz seis sanduíches, vende, começa, vê o público. Pé no chão."