Marjane Satrapi: a primeira mulher iraniana a escrever uma história em quadrinhos (Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 4 de junho de 2026 às 10h00.
Última atualização em 4 de junho de 2026 às 10h08.
O mundo das artes perdeu, nesta quinta-feira, 4, uma de suas vozes mais originais. A escritora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, consagrada pela criação da graphic novel Persépolis, morreu aos 56 anos. A morte foi confirmada por seus familiares da artista.
Segundo a nota oficial emitida pelo círculo íntimo de Marjane, a quadrinista "morreu de tristeza". Pouco mais de um ano atrás, ela perdeu o companheiro, o produtor e ator Mattias Ripa, com quem era casada e que faleceu em abril de 2025.
O presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou-se publicamente e destacou a capacidade única de Satrapi de transformar as memórias de infância em uma narrativa de alcance global. A direção do Festival de Cannes, da qual Marjane saiu vencedora em 2007 pela animação de Persépolis, prestou homenagens à realizadora e exaltou sua figura cativante e sua sensibilidade para traduzir poeticamente as dores do exílio e a paixão pela arte.
Nascida no Irã em 1969, Satrapi transformou o exílio em uma das autobiografias em quadrinhos mais potentes da 9ª arte. Mudou-se para a Europa na década de 1990, para fugir da guinada teocrática do país, e utilizou os quadrinhos e as telas como ferramentas de denúncia contra o autoritarismo e a opressão religiosa em sua terra natal.
Persépolis, sua obra mais famosa, costurou memórias pessoais da autora com a história geopolítica do Irã. Aborda a trajetória de Satrapi desde os 10 anos de idade até seu eventual exílio na Europa, passando por detalhes da ascenção do regime iraniano de volta ao poder antes dos anos 2000.
A autobiografia em quadrinhos foi adaptada para o cinema e se tornou um marco da animação global. Sob sua direção, o longa-metragem de mesmo nome conquistou o prestigiado Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu uma indicação ao Oscar em 2008. Na época, a autora fez questão de celebrar a projeção global da obra, dedicando as honrarias ao povo iraniano.
Para Marjane, a linguagem visual dos desenhos funcionava como o canal ideal para traduzir a complexidade das vivências que ela mesma passou e a identidade de seu país de origem de maneira acessível e sensível.