Ferrari Luce em Rosso Fiammante, uma das cinco cores de lançamento
Jonalista colaborador
Publicado em 26 de maio de 2026 às 10h55.
A Ferrari apresentou o Luce na Vela de Calatrava, em Roma, ontem, 25. A data não foi escolhida ao acaso: 79 anos atrás, no mesmo dia, o Ferrari 125S venceu o Grande Prêmio de Roma no circuito das Termas de Caracalla, com Franco Cortese ao volante. Era a primeira vitória oficial da marca. O Luce é o primeiro veículo totalmente elétrico da marca e conta com quatro portas e cinco lugares, custando € 550 mil. As entregas estão previstas para o quarto trimestre de 2026.
Ferrari Luce com rodas de 23 polegadas na dianteira e 24 na traseira, as maiores já usadas em um Ferrari de rua. O design é assinado pela LoveFrom, coletivo fundado por Jony Ive e Marc Newson
Os números de desempenho: 1.050 cv, 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, velocidade máxima de 310 km/h e autonomia estimada em 530 km. A plataforma usa quatro motores elétricos, um por roda, com bateria de 122 kWh e arquitetura de 800 V, capaz de recarregar até 350 kW. O peso em ordem de marcha é de 2.260 kg.
O design foi confiado à LoveFrom, coletivo fundado por Jony Ive, ex-diretor de design da Apple, e Marc Newson. A colaboração com uma equipe externa ao Ferrari Design Studio, conduzido por Flavio Manzoni, foi uma decisão deliberada. A silhueta é definida pela chamada "glass house", uma estrutura envidraçada contínua que se estende da linha da cintura às extremidades do carro. Os faróis traseiros são redondos e remetem ao 360 Modena e ao 458 Italia. As rodas, por sua vez, têm 23 polegadas na dianteira e 24 na traseira, as maiores já usadas num Ferrari de rua. O projeto reúne mais de 60 patentes.
Vista traseira do Ferrari Luce em Azzurro La Plata, uma das cinco cores de lançamento. Os faróis redondos são uma referência direta ao 360 Modena e ao 458 Italia
O interior abandona o túnel central, possível porque a bateria fica integrada ao piso, e apresenta três mostradores analógico-digitais desenvolvidos com a Samsung Display, além de telas OLED de 12,9 e 12 polegadas. A chave é feita em vidro Corning Gorilla Glass, com display E-Ink. O sistema de áudio tem 21 alto-falantes e 3.000 W.
Painel do Ferrari Luce combina três mostradores analógico-digitais com telas OLED desenvolvidas pela Samsung Display
Para o som do trem de força, a Ferrari desenvolveu um sistema próprio e patenteado. Um acelerômetro de alta precisão capta em tempo real as vibrações dos eixos elétricos, filtra o sinal e o amplifica de forma análoga ao funcionamento de uma guitarra elétrica. A intensidade muda conforme a posição do e-Manettino. No modo Range, o carro fica em silêncio.
Interior do Ferrari Luce em couro italiano bege. O modelo é o primeiro Ferrari com cinco lugares, configuração possível porque a bateria fica integrada ao piso, eliminando o túnel central
No mercado, o Luce entra como modelo adicional, não substituto, das linhas existentes. A Ferrari reafirma o que chamou de "neutralidade tecnológica": seguirá produzindo carros a combustão e híbridos. A ação da empresa caiu 6,3% em Milão no dia do lançamento. Analistas atribuíram a queda à reação negativa de parte dos fãs ao design e à preocupação com os custos de pesquisa e desenvolvimento.
"Quando você tem uma nova tecnologia, precisa sempre ter em mente uma palavra: respeito", disse o CEO Benedetto Vigna à CNBC. "Respeito da tecnologia, porque ela precisa estar adequadamente representada no design."