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Exclusivo: Instituto Baccarelli vence edital e assumirá a gestão do Theatro Municipal de São Paulo

A organização sem fins lucrativos é a mesma que administra a Orquestra Sinfônica de Heliópolis, que tem feito parcerias com grandes artistas nos últimos anos

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 25 de maio de 2026 às 17h29.

Última atualização em 25 de maio de 2026 às 18h48.

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O mercado de gestão cultural de São Paulo acaba de passar por uma das viradas mais históricas. O Instituto Baccarelli, organização social (OS) sem fins lucrativos, venceu o edital público para assumir a gestão do Theatro Municipal de São Paulo pelos próximos cinco anos.

A conquista consolida uma trajetória construída ao longo de três décadas na comunidade de Heliópolis. Também representa um marco político para a capital: a instituição é quem administra a orquestra sinfônica de Heliópolis, que tem feito várias parcerias com outros artistas em grandes festivais, como Lollapalooza e The Town ao longo dos últimos anos.

"Quando começamos em Heliópolis, muitos diziam que era impossível. Hoje, a nossa organização assume a responsabilidade de gerir o complexo cultural mais importante de São Paulo", afirma Edilson Ventureli, maestro e CEO do Instituto Baccarelli, em entrevista  à Casual EXAME. "Temos o compromisso de realizar uma gestão exemplar, transparente e de altíssima qualidade. Vamos entregar à cidade um Theatro Municipal artisticamente impecável, mas conectado ao seu tempo, mais democrático e próximo da população."

A musculatura por trás do palco

Atualmente, a instituição atende gratuitamente 1.650 alunos em sua estrutura de formação musical de alta performance, e atua como um celeiro de talentos para as principais orquestras do Brasil e do mundo.

Ao assumir o complexo do Theatro Municipal, o Instituto herdará o desafio de coordenar uma máquina complexa, que engloba corpos artísticos históricos — como a Orquestra Sinfônica Municipal, o Coro Lírico e o Balé da Cidade —, além de uma extensa programação de óperas, concertos e manutenção patrimonial do edifício histórico inaugurado em 1911.

A meta do Baccarelli para o próximo quinquênio é usar a expertise adquirida na periferia para oxigenar o centro cultural da cidade.

O plano envolve descentralizar o acesso, fortalecer a estabilidade técnica dos corpos estáveis e criar pontes mais fluidas entre a programação clássica e a diversidade demográfica de São Paulo.

"Excelência é algo que o Baccarelli pratica há 30 anos no dia a dia. No Municipal não será diferente", conclui Ventureli.

Entenda o embate jurídico para a gestão do Theatro Municipal

Embora o Instituto Baccarelli tenha sido declarado vencedor pela Comissão Especial de Seleção da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, a transição de comando não deve acontecer sem barulho.

A Sustenidos Organização Social de Cultura, atual gestora do complexo, apresentou um recurso administrativo questionando o parecer técnico. O Baccarelli, por sua vez, já protocolou um contrarrecurso defendendo o resultado.

A queda de braço jurídica e administrativa gira em torno de alguns pontos de atrito.

A matemática do edital, por exemplo, é uma delas. A Sustenidos alega que o edital continha um "vício" estrutural em um critério que analisava a eficiência da prestação de contas. A comissão identificou um erro de pontuação e, em vez de anular o certame, optou por desconsiderar o critério para as duas partes. A atual gestora pede a anulação total do processo por isso.

O Baccarelli rebate dizendo que a decisão foi equilibrada e legítima, já que afetou as duas concorrentes por igual.

Outro detalhe é o equilibro entre Música, Ópera e Balé.

A Sustenidos argumenta que o Baccarelli tem foco predominantemente musical e educacional em Heliópolis, sem experiência comprovada em áreas vitais do Municipal, como ópera, teatro e dança. O Instituto se defende apontando que o edital exigia experiência compatível em quaisquer das áreas listadas — e que suas três décadas gerindo orquestras, corais e o Teatro Baccarelli dão estofo suficiente para o cargo.

Por fim, havia também uma guerra de documentos. A atual gestora reclama que a comissão foi rígida demais ao zerar algumas de suas notas por falta de papelada. O Baccarelli contra-ataca no processo, e pontua que a concorrente deixou de entregar portfólios obrigatórios de dirigentes e artistas, enviando apenas currículos simples, e que aceitar novos documentos agora violaria a isonomia da disputa.

Os desafios do Baccarelli

A organização herda o desafio de coordenar uma engrenagem pesada, com orçamento estimado em R$ 663 milhões para os próximos cinco anos.

O certame atual já nasceu sob forte escrutínio: o Tribunal de Contas do Município (TCM) chegou a suspender o edital no fim do ano passado após críticas à falta de fundamentação técnica do valor global e à presença de critérios de julgamento "pouco objetivos". O edital só avançou após correções exigidas pelo tribunal, que já recomendava desde 2023 a substituição da atual OS.

Na avaliação da comissão deste novo processo, o Baccarelli obteve 75,5 pontos, contra 57,5 da Sustenidos. O parecer apontou que a organização de Heliópolis apresentou um "desempenho técnico mais consistente", destacando a qualificação de seus quadros artísticos, coerência institucional e as propostas de formação e ampliação de público.

O complexo abrange o edifício histórico de 1911, a Praça das Artes e todos os corpos artísticos estáveis da cidade, como a Orquestra Sinfônica Municipal, o Coro Lírico e o Balé da Cidade de São Paulo.

A troca de comando ocorre em meio a uma crise aguda entre a prefeitura e a atual gestora. O contrato com a Sustenidos vence no final deste mês, mas o governo de Ricardo Nunes já tentava romper o acordo de forma unilateral desde setembro do ano passado.

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