Casual

Juliana Paes na Viradouro: como a Dolce&Gabbana fez o Carnaval de vitrine de luxo

No retorno histórico da atriz à Sapucaí após 17 anos, a alta-costura italiana encontrou o samba do Mestre Ciça para provar que a folia brasileira é a nova fronteira estratégica das grandes grifes globais

Carnaval 2026: Juliana Paes retorna à Sapucaí com Dolce & Gabbana (Mauro PIMENTEL / AFP)

Carnaval 2026: Juliana Paes retorna à Sapucaí com Dolce & Gabbana (Mauro PIMENTEL / AFP)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 15h03.

Tudo sobreDolce & Gabbana
Saiba mais

O Carnaval sempre foi sinônimo de exuberância. Penas, pedras, brilho e nudez são indissociáveis dos figurinos das rainhas de bateria. Mas se nas semanas de moda de Paris ou Milão as fantasias ainda não encontraram lugar nas passarelas, no Brasil, as marcas de luxo já começaram a olhar a Marquês de Sapucaí como vitrine.

Na última segunda-feira, 16, a atriz Juliana Paes retornou à avenida do Sambódromo após 17 anos para ser Rainha de Bateria da Viradouro, escola de samba de Niterói e vencedora do Carnaval do Rio em 2024. Estava vestida, dos pés à cabeça, com uma fantasia produzida pela Dolce&Gabbana

O convite selou um retorno que também foi movido pelo afeto: Juliana honrou o desejo de seu pai, Carlos Henrique Paes, falecido há um ano, que sonhava em vê-la novamente à frente dos ritmistas.

O olhar da Dolce & Gabbana para a Sapucaí

Foi a primeira vez que a marca de luxo italiana fez uma peça para o Carnaval brasileiro. A vestimenta, batizada de "Brilho Eterno da Rainha", foi assinada pessoalmente por Domenico Dolce e Stefano Gabbana. Exigiu 250 horas de trabalho, com a perícia de 13 artesãos. 

O figurino foi inspirado em uma coleção de 2025 da maison, e fundiu o DNA barroco italiano com a identidade da Viradouro em uma composição de biquíni de pedrarias, um colar prateado com rubis e cravejado de cristais, ombreiras cravejadas e um sutiã vazado em formato de coração.

Trabalhada em uma paleta de prata, dourado e vermelho, a peça também apresentava um bodychain sofisticado de cascata de cristais, que percorria o corpo da atriz. A calcinha do biquíni era inteiramente cravejada, reproduzindo a estética do sutiã, com inspiração na icônica coleção Primavera/Verão 2005 da Dolce&Gabbana.

Na cabeça, uma coroa de estrelas em filigrana dourada com gemas e cristais, combinado a brincos marcantes. O costeiro era de plumas de reuso da mesma cor — um conjunto que traduziu o rigor da alta-costura para o movimento da avenida.

Todo o figurino foi pensado para ser um tributo à "constelação" de musas — de Monique Evans e a Paolla Oliveira — que reinaram sob o comando do lendário Ciça, homenageado pela Viradouro em 2026. O samba-enredo enalteceu a atuação do mestre de bateria, que assumiu o cargo na escola entre 1999 e 2009 e retornou em 2019.

O convite para Juliana Paes foi feito pelo próprio Ciça. "Como é que eu poderia dizer não para esse cara? Foi o convite mais lindo da minha vida", disse a atriz em vídeo para as redes sociais publicado logo após a apresentação da Viradouro.

Juliana Paes e o Mestre Ciça no desfile da Viradouro em 2026, na Marquês de Sapucaí (Mauro PIMENTEL / AFP)

O "Mestre dos Mestres": O legado de inovação de Ciça

A Unidos do Viradouro foi a terceira escola a entrar na Sapucaí, já na madrugada de terça-feira, 17. Sob o enredo "Pra Cima, Ciça!", desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, a agremiação de Niterói transformou a avenida em uma celebração à trajetória de Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça.

A comissão de frente abriu o desfile com dois grandes apitos, que eventualmente se fundiram para formar a Praça da Apoteose. Do meio deles, uma estrutura elevou o próprio Mestre Ciça para saudar o público em uma imagem que uniu o presente e o passado, representado pelo menino Vitor Gabriel.

Mestre Ciça no abre-alas da Viradouro em 2026, na Marquês de Sapucaí (Wagner Meier/Getty Images)

À frente da "Furacão Vermelho e Branco" desde 2019 — após um hiato de dez anos —, Ciça é o nome por trás dos campeonatos de 2020 e 2024 da escola de Niterói. Carioca, nascido em 1956, o carnavalesco construiu uma carreira pautada pela ousadia técnica.

Passou por instituições como Estácio de Sá, Unidos da Tijuca e União da Ilha — onde quebrou um jejum de 28 anos ao conquistar o Estandarte de Ouro em 2017. Na Grande Rio, entrou para a história ao executar a "paradinha" mais longa já registrada na Sapucaí, que desafiou a métrica tradicional do desfile.

A apresentação da escola de samba relembrou momentos clássicos de Ciça à frente da Viradouro, incluindo a apresentação histórica de 2007, quando o mestre de bateria colocou os músicos em um carro alegórico que mimetizava um tabuleiro de xadrez. Neste ano, ele subiu acompanhado de Paes e seguido pela bateria, que se ajoelhou para homenageá-lo.

Apesar de um problema técnico no penúltimo carro alegórico, onde o elevador central não subiu como o planejado, a escola manteve o rigor técnico e concluiu a travessia dentro do tempo oficial.

Acompanhe tudo sobre:CarnavalJuliana PaesDolce & GabbanaLuxo

Mais de Casual

Rolex vende como nunca, lidera como sempre

O que realmente importa na hora de escolher um tênis de corrida

Fasano terá um novo hotel em palácio histórico de Milão

Cold brew: como fazer o café gelado ideal para os dias de calor