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Colunista
Publicado em 20 de junho de 2026 às 12h35.
A ascensão chinesa no mercado automotivo não depende apenas de SUVs híbridos ou hatches elétricos. Tanques a diesel, como o Haval H9, também dão sua contribuição.
Entre os principais concorrentes – Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer –, o SUV da GWM é, sem dúvida, o mais interessante. E também o mais em conta, já que os rivais partem respectivamente de R$ 417.590 e R$ 422.590, enquanto um H9 deixa a concessionária mediante um pagamento de R$ 335 mil.
Talvez a silhueta quadrada seja seu maior apelo, já que todo SUV algum dia na vida já imitou o Land Rover Defender, apesar de tudo, ainda a referência estética e mercadológica da maioria dos utilitários esportivos, sobretudo os novatos chineses.
O proposital exagero da grade dianteira casa bem com os faróis redondos encaixados em molduras quadradas, outra semelhança com o SUV inglês. Dois quadrados assimétricos, um sobre o outro, constituem as lanternas, igualzinho no Defender.
Mas a corpulência da cintura para baixo, combinada à grande área envidraçada e corpo mais esbelto da cintura para cima, resulta em um carro parrudo e elegante. Vem daí parte do status que carrega o H9.

Montado na fábrica da GMW em Iracemápolis (SP) com peças importadas da China, o Haval H9 é um utilitário dos grandes: 4,95 metros de comprimento, 1,98 m de largura, 1,93 m de altura e 2,85 m de entre-eixos. Daí o farto espaço interno e o porta-malas de 791 litros.
Sua base é a picape Poer P30, o que já adianta um pouco do nível de equipamentos disponível no H9, que traz teto solar panorâmico, bancos dianteiros com massagem, aquecimento e ventilação (o do motorista ainda tem ajuste elétrico de seis vias e memória); console central climatizado, ar-condicionado de três zonas, faróis “full Led”, carregamento de celular por indução de 50W e com resfriamento, tela multimídia de 14,6 polegadas e sistema de áudio com 640W e dez alto-falantes.
São equipamentos que, operando num ambiente sóbrio com lampejos de requinte, garantem o bem-estar dos ocupantes.

Para tentar dar conta dos 2.525 kg do H9 foi escalado um 2.4 turbodiesel, de 184 cv e 48,9 kgfm de torque. Acoplado a uma transmissão automática de nove marchas, não faz milagre, mas garante um rodar digno a um SUV desse porte.
A dirigibilidade é letárgica e cambaleante, embalada pelo típico ranger dos motores a diesel – justamente o que buscam os consumidores desse tipo de veículo.
O H9 também carrega habilidades fora do asfalto. Há tração 4x4 com bloqueio dianteiro e traseiro, além de reduzida com torque amplificado em 2,64 vezes. Sua capacidade de imersão também é de se gabar: 800 mm. Outros itens que credenciam o H9 como típico aventureiro são a interface e a tomada elétricas para reboque. E para ajudar a subir no jipão, estribo lateral elétrico.
De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o Toyota SW4 fechou 2025 com 17.056 unidades emplacadas, bem à frente das 2.205 do Haval H9.
A diferença neste ano é menor, o que reflete o avanço do H9 no segmento há anos dominado pelo rival da Toyota: até o fim de maio, o SW4 havia vendido 5.656 unidades, enquanto o representante da Haval fora a preferência de 4.866 novos clientes no período.
Ainda assim, talvez o caminho até uma eventual vitória sobre seu principal concorrente seja longo – a boa ergonomia e a autonomia de mais de 800 km serão aliados.