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Filme brasileiro leva debate sobre machismo e escravidão no Festival de Berlim

Produção nacional acompanha o olhar de meninas entre infância, sonhos e desafios sociais

“A Fabulosa Máquina do Tempo” está indicado ao prêmio de melhor documentário da Berlinale (querbeet/Getty Images)

“A Fabulosa Máquina do Tempo” está indicado ao prêmio de melhor documentário da Berlinale (querbeet/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 18h09.

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A documentarista brasileira Eliza Capai participa do Festival Internacional de Cinema de Berlim com o filme “A Fabulosa Máquina do Tempo”, documentário que discute temas como escravidão persistente desde a colonização, sexismo e machismo profundo no Brasil e na América Latina a partir do olhar de meninas protagonistas.

Embora tenha sido filmado no Guarujá, o longa trata de questões mais amplas da região. Segundo a diretora, a proposta foi abordar temas históricos e sociais complexos “com o frescor da infância”, acompanhando meninas cujas famílias saíram recentemente da miséria e que, pela primeira vez, têm acesso a alimentação regular, educação e a possibilidade de sonhar com o futuro.

O documentário retrata a transição dessas crianças da inocência para uma fase marcada por curiosidade e ansiedade diante da adolescência. Mesmo vivendo em condições precárias, algumas em casas com chão de terra e sem água corrente no interior árido do Brasil, elas se veem como privilegiadas por poder estudar, brincar e projetar um futuro diferente.

No filme, as meninas imaginam máquinas do tempo que as levam ao passado, quando a sobrevivência era a principal preocupação, e ao futuro, no qual se visualizam como mulheres independentes e bem-sucedidas. Para Capai, o medo de crescer tem relação com a percepção de que “não é bom ser mulher naquele lugar” e com o receio de perder a capacidade de sonhar. Ainda assim, a diretora destaca que a obra busca conectar o público à esperança de que essa nova geração tenha trajetórias diferentes das de suas mães e avós.

A ideia do filme e a relação com o Bolsa Família

A ideia do filme surgiu após uma viagem da cineasta ao Guarujá, em 2013, quando pesquisava para a Agência Pública os impactos do programa Bolsa Família dez anos após sua implementação na cidade. Na ocasião, ouviu mulheres adultas relatarem experiências que associavam à escravidão, enquanto suas filhas demonstravam novos horizontes: queriam estudar e construir autonomia, muitas vezes sem o desejo de casar ou ter filhos.

Capai voltou ao local em 2021 e encontrou uma realidade em transformação. Além de frequentar a escola e ter acesso à alimentação, algumas das meninas já produziam conteúdo para redes sociais, como o TikTok. Essa mudança inspirou a ideia de retratar a saída da miséria e a construção de novos sonhos por meio dessa geração.

A produção ganhou forma em 2024, quando a equipe retornou ao Guarujá com coprodução estruturada e um escritório de vídeo voltado ao trabalho com meninas de sete a 12 anos.

“A Fabulosa Máquina do Tempo” é o quinto longa documental de Eliza Capai, está indicado ao prêmio de melhor documentário da Berlinale e será exibido na seção Generation, dedicada ao cinema infantil e juvenil.

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