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Em 'Mayday', Ryan Reynolds e Kenneth Branagh redefinem a amizade masculina

Em entrevista exclusiva à Casual EXAME, atores destacam a proposta cômica da Apple TV para repensar masculinidade, estereótipos e a sensação de pertencimento

Muito além da ação: como o filme ‘Mayday’ desconstrói a masculinidade frágil (Apple TV / Divulgação)

Muito além da ação: como o filme ‘Mayday’ desconstrói a masculinidade frágil (Apple TV / Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 5 de setembro de 2026 às 12h01.

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À primeira vista, a receita de Mayday, nova produção da Apple TV, tem todos os elementos de uma comédia de ação tradicional: tiroteios, perseguições e a nostalgia dos anos 1980. Mas, em tempos nos quais a masculinidade e o papel do homem na sociedade, sobretudo para gerações mais jovens, são postos em xeque, o filme vai muito além da comédia.

Na trama, o piloto norte-americano Troy "Assassin" Kelly (Ryan Reynolds) é abatido em território russo e resgatado por Nikolai Ustinov (Kenneth Branagh), um ex-agente da KGB exilado. Para além da premissa divertida, em especial porque Nikolai é um improvável fanático pela cultura dos Estados Unidos, o filme desconstrói os preconceitos do protagonista e faz com que as velhas certezas dele ruam diante da humanidade de seu salvador.

Nessa colisão geográfica e ideológica, o cerne da narrativa quer debater a desconstrução da masculinidade frágil. A abordagem surge como uma provocação oportuna em tempos nos quais a cultura red pill avança ao tentar redefinir a identidade masculina pela casca do isolamento e da dominação.

“Antes da comédia e da geopolítica, essa é uma história de amor. Sobre um amor que nasceu e cresce aos poucos, que é afetuoso, carinhoso e, ao mesmo tempo, não é nada romântico. Ele se desenvolve e se consolida no campo da amizade entre dois homens heterossexuais", comentou Ryan Reynolds em entrevista exclusiva à Casual EXAME no Brasil

Amizade masculina (e internacional)

O termo red pill nasceu no cinema com o filme Matrix (1999), no qual o protagonista precisa escolher entre a pílula azul, que o mantém em uma ilusão confortável, e a vermelha, que o desperta para a realidade. Na década de 2000, o conceito foi apropriado por fóruns masculinos online dos Estados Unidos sob a premissa de que as mulheres teriam privilégios sociais em detrimento dos homens. Nos últimos anos, contudo, a expressão nomeou uma subcultura extremista, caracterizada por comportamentos hostis que ultrapassam o ambiente digital e tem resultado em episódios reais de violência de gênero.

Em Mayday, que se passa muito antes desse movimento entrar em ascensão, a identidade masculina ganha contornos inesperados em dois homens que são a visão do masculino dos anos 1980: militares.

“Essa dupla incomum, por conta do contato tão íntimo com a violência e a morte como soldados profissionais, adquire uma consciência da raridade de uma conexão”, explica Kenneth Branagh. “Os dois personagens se tornam capazes da admiração e do afeto por meio das circunstâncias limites que os forçam a conversar, e fazem isso sem que deixem de ser masculinos. Talvez, façam isso com uma liberdade que só vem de uma profissão em que você sabe que pode morrer muito rápido”.

O longa-metragem estreia no catálogo da Apple TV em 4 de setembro. Equilibra sequências de ação vibrantes com uma comédia rasgada, enquanto entrega uma reflexão sincera sobre identidade, admiração mútua e como a verdadeira coragem masculina reside na capacidade de ouvir, aprender e reconhecer a humanidade no outro.

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