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De galãs a personagens intensos: a trajetória de Juca de Oliveira

Com papéis memoráveis na TV, Juca de Oliveira morre aos 91 anos.

Nino, Santiago e Dr. Augusto Albieri: veja papéis marcantes da carreira de Juca de Oliveira (Gshow/Reprodução)

Nino, Santiago e Dr. Augusto Albieri: veja papéis marcantes da carreira de Juca de Oliveira (Gshow/Reprodução)

Ana Dayse
Ana Dayse

Colaboradora

Publicado em 21 de março de 2026 às 13h23.

O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu neste sábado, 21, aos 91 anos, em São Paulo, após mais de seis décadas dedicadas ao teatro, à televisão e ao cinema. Internado desde 13 de março, ele construiu uma das trajetórias mais consistentes da dramaturgia brasileira, com personagens que atravessaram gerações.

Nascido em 16 de março de 1935, em São Roque (SP), José Juca de Oliveira Santos iniciou a carreira artística após abandonar o curso de Direito para ingressar na Escola de Arte Dramática de São Paulo.

Nos palcos, dividiu cena com nomes como Aracy Balabanian e Glória Menezes antes de integrar o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde atuou em montagens de clássicos como O Pagador de Promessas e A Morte do Caixeiro Viajante.

Da TV Tupi ao protagonismo nacional

A estreia de Juca de Oliveira na televisão ocorreu na década de 1960, na TV Tupi, com participações em teleteatros e humorísticos. O reconhecimento nacional veio em 1969, quando protagonizou a novela Nino, O Italianinho, papel que o consolidou como um dos rostos mais populares da época.

Nos anos 1970, ampliou seu espaço na dramaturgia com personagens marcantes, entre eles João Gibão, na primeira versão de Saramandaia, além de atuações em Cuca Legal, À Flor da Pele e Pecado Rasgado. A década reforçou sua associação a figuras densas, de forte carga emocional.

'O Clone', 'Avenida Brasil' e 'Flor do Caribe'

A partir dos anos 1990, voltou a se destacar em produções da TV Globo, como Fera Ferida, Os Ossos do Barão e Torre de Babel. No início dos anos 2000, ganhou nova projeção ao interpretar o geneticista Dr. Augusto Albieri em O Clone. A novela, exibida entre 2001 e 2002, alcançou repercussão no Brasil e no exterior, e o personagem tornou-se um dos mais emblemáticos de sua carreira.

Em 2012, Juca de Oliveira integrou o elenco de Avenida Brasil como Santiago. Também participou de Flor do Caribe, Os Experientes e O Outro Lado do Paraíso, mantendo-se ativo na atuação até a última década.

Cinema e dramaturgia de Juca de Oliveira

No cinema, Juca destacou-se desde os anos 1960. Em 1967, viveu Sebastião Naves em O Caso dos Irmãos Naves, longa baseado em um caso real ocorrido durante o Estado Novo. Décadas depois, Juca atuou em Bufo & Spallanzani, papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado, além de participações em O Signo da Cidade, De Onde Eu Te Vejo e Outras Estórias.

Paralelamente à atuação, Juca também se dedicou à escrita teatral e ao roteiro, assinando textos como Meno Male, Hotel Paradiso e Caixa Dois, além de colaborar em projetos que deram origem a adaptações para o cinema.

Ao longo da carreira, o ator acumulou reconhecimentos como o Troféu APCA de Melhor Ator, em 1973.

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