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Copa do Mundo 2026: hotéis dos EUA enfrentam demanda abaixo do esperado

Tarifas em cidades-sede americanas caíram cerca de um terço desde o pico do ano; no México, reservas chegavam a apenas 30% da capacidade em março

Copa 2026: hotéis reduzem preços diante de demanda fraca ((Foto: Dursun Aydemir/Anadolu via Getty Images))

Copa 2026: hotéis reduzem preços diante de demanda fraca ((Foto: Dursun Aydemir/Anadolu via Getty Images))

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 15 de abril de 2026 às 17h05.

Hotéis nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos optaram por reduzir seus preços diante de uma demanda menor do que a esperada. Segundo a empresa de análise de dados Lighthouse Intelligence, as tarifas em Atlanta, Dallas, Miami, Filadélfia e São Francisco caíram cerca de um terço em relação ao pico registrado no início do ano.

O setor esperava que o torneio revertesse a queda nas viagens ao país registrada em 2024, quando a receita por quarto disponível diminuiu pela primeira vez desde a pandemia. A promessa feita por Gianni Infantino, presidente da Fifa, de que "centenas de milhares" de visitantes movimentariam as cidades-sede ainda não se concretizou.

"Estou vendo muita gente entrar em pânico e baixar seus preços", disse Scott Yesner, fundador da Bespoke Stay, empresa de gestão de aluguéis de curta duração e hotéis boutique sediada na Filadélfia, em entrevista ao Financial Times.

Vijay Dandapani, presidente da Associação de Hotéis de Nova York, afirmou ao FT que não havia um "aumento importante" de demanda até o momento. "É possível que tenhamos um crescimento, mas certamente não será como o que a Fifa prometeu."

Quartos sobrando

A própria Fifa contribuiu para o excesso de oferta ao cancelar milhares de reservas que havia contratado para suas comissões técnicas e equipes. Segundo Jan Freitag, analista da CoStar, empresa de dados do setor hoteleiro, os cancelamentos excederam as expectativas dos hoteleiros e deixaram muitos quartos disponíveis para venda nos períodos entre jogos.

Lior Sekler, diretor comercial da HRI Hospitality, disse ao FT que a expectativa de que a Copa atrairia torcedores tanto nas cidades-sede quanto nas regiões vizinhas — onde se esperava um fluxo de turistas — "simplesmente não está se concretizando".

Rosanna Maietta, presidente da American Hotel & Lodging Association, disse ao FT que os mais de 2 milhões de ingressos vendidos até agora não se traduziram no nível de reservas normalmente associado a um evento como a Copa.

Por que a demanda está baixa?

Executivos do setor atribuem a demanda reduzida ao preço dos ingressos, a percepção negativa dos EUA no exterior e a instabilidade geopolítica, segundo o FT. A Football Supporters Europe estimou que um torcedor precisaria desembolsar ao menos US$ 6.900 em ingressos para acompanhar seu time da fase de grupos até a final — quase cinco vezes o custo do torneio no Catar.

Sekler concorda sobre a insatisfação com o governo Trump. "O desejo das pessoas de vir para os Estados Unidos neste momento está em baixa", afirmou.

Aran Ryan, diretor de estudos do setor na Tourism Economics, citou ao FT preocupações com passagens aéreas, travessias de fronteira e o sentimento anti-EUA — agravado, segundo ele, pelo conflito no Irã. O grupo revisou para baixo sua projeção de crescimento de visitantes internacionais nos EUA em 2025, de 3,9% para 3,4%.

Os renovados temores de inflação com o conflito no Oriente Médio também pesam nas decisões de viagem, segundo Dandapani. A alta esperada nas passagens aéreas por causa dos preços dos combustíveis faz com que, pelo menos para os europeus, seja uma boa ideia adiar o torneio até 2030, quando será realizado na Espanha, Portugal e Marrocos.

Reservas de última hora

Ed Grose, diretor executivo da Greater Philadelphia Hotel Association, disse ao FT que as reservas na cidade estavam "estáveis, mas não frenéticas — não no nível que nossos membros previam". Ele ainda esperava um aumento repentino de última hora, já que executivos do setor observaram que os viajantes estão deixando reservas para o último momento.

Yesner notou que os aluguéis de curta duração estavam superando os hotéis, um sinal de que grupos de torcedores podem estar dividindo propriedades para reduzir custos. A demanda doméstica ajuda, mas as metas do setor dependem do turista estrangeiro, que "fica mais tempo e gasta mais", segundo Grose.

Ryan ponderou ao FT que parte da responsabilidade pode ser dos próprios hoteleiros. "Se os hotéis achavam que podiam exigir estadias de várias noites a preços exorbitantes, talvez as expectativas fossem simplesmente altas demais."

México também em baixa

No México, a situação é parecida. Segundo o El Economista, as reservas nas cidades-sede — Cidade do México, Guadalajara e Monterrey — estavam em torno de 30% da capacidade quatro meses antes do torneio. Miguel Ángel Fong, presidente da Associação Mexicana de Hotéis e Motéis, reconheceu ao veículo que o ritmo está "lento" e que "ainda há muito espaço a preencher".

Monterrey registra ocupação em torno de 60%, mas com oferta de quartos menor do que Guadalajara. "Em porcentagem é maior, mas em número de quartos é menor", explicou Fong ao El Economista. Na capital de Jalisco, novos hotéis abriram recentemente e outros devem inaugurar antes do torneio, o que adiciona 500 quartos ao estoque local.

Em Guadalajara, as reservas oscilam pelo calendário espaçado das partidas. O setor projeta ocupação entre 80% e 90% durante o evento, com lotação nos dias de jogo — mas o intervalo em relação ao patamar atual ainda é grande.

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