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Como filmes e séries influenciam sua pedida no bar?

Que relevância um filme ou série do momento tem no mundo da coquetelaria e consequentemente na notoriedade que traz para uma determinada bebida?

O ator Jon Hamm como Don Draper, na série Mad Men. (Universal/Divulgação)

O ator Jon Hamm como Don Draper, na série Mad Men. (Universal/Divulgação)

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Julia Storch

Publicado em 14 de janeiro de 2023 às 07h00.

Ano novo, vida nova! Como é que na prática isso pode fazer sentido? Afinal, do último dia de dezembro para o primeiro de janeiro, pouca coisa muda. Talvez a ressaca que, eventualmente, possa aparecer após a virada. E que, em geral, acarreta uma promessa de nunca mais beber. Promessa essa que é quebrada tão rápido quanto a decisão que foi tomada.

Mas não, esse não será o tema dessa primeira coluna. Depois de 20 anos atrás do balcão, repito aqui para você a frase que provavelmente mais disse nesse período: “O que você vai beber hoje?”. E, com esse tempo todo de bar, pode imaginar os tipos de clientes que eu já atendi. Diversos! Daquela pessoa que não sabe o que quer até o habitué que sempre sabe o que vai pedir; do indivíduo que precisa de um momento para terminar um dia intenso ao casal mente aberta que arrisca um drinque diferente a cada rodada.

E é aqui onde quero entrar no assunto: qual a conexão que o drinque faz para você? Ou, mais especificamente, que relevância um filme ou série do momento tem no mundo da coquetelaria e consequentemente na notoriedade que traz para uma determinada bebida?

Dê o primeiro gole e acompanhe comigo.

Voltando para 1942, ano do filme Casablanca, o drinque que fez sucesso na época foi o French 75, que levava gin, suco de limão, açúcar e champanhe. E o que dizer de Marilyn Monroe tomando um Manhattan em Quanto Mais Quente, Melhor? Se observarmos esses filmes clássicos das décadas de 40 até 60, em sua maioria existia o momento do bar. Era uma estratégia dos roteiristas para fazer uma mudança de ritmo nos filmes.

Não por acaso, o início da era de ouro do cinema coincide com o final da lei seca nos EUA, e os americanos estavam ávidos pelas estrelas dos filmes e principalmente por boas bebidas.

Chegamos nos anos 80, Tom Cruise estrela Cocktail, romanceando muito a vida de bartender. Já nos anos 90, em Sex and The City, o queridinho da Carrie Bradshaw, das suas amigas e de toda uma geração foi o Cosmopolitan. Qual o efeito disso na cultura de bar? Trouxe o glamour para o balcão. Conectou moda, drinques e mulheres independentes, Madonna foi praticamente uma embaixadora na Europa desse drinque que leva vodca, licor de laranja, suco de cranberry e de limão.

Não podemos deixar de mencionar a lembrança mais icônica da história do cinema, o coquetel-assinatura de James Bond: o Vodca Martini. O motivo de ser batido e não mexido, eu conto outro dia.

Teve ainda Mad Men (2007), onde é impossível não lembrar do Old Fashioned bebido por Don Draper. O drinque feito com whisky, açúcar e angostura foi um dos mais pedidos na série. E agora, mais recentemente, a inocente série Emily em Paris colocou de volta nos balcões um clássico há muito esquecido, o Kir Royal. Por essa eu não esperava!

Enfim, goste ou não de um determinado drinque, garanto que ele fica muito mais prazeroso quando é possível enxergar qual foi o caminho que ele fez até chegar a você. Pode vir de uma série, um filme, mas existem inúmeras outras possibilidades. E quantos desdobramentos podem ocorrer nesse caminho?
Então, refletindo sobre a frase que eu repeti inúmeras vezes na minha vida de balcão, talvez ela tenha que ser mudada: “Olá, tudo bem? Qual conexão você quer fazer hoje?"

*Alexandre D’Agostino é um dos fundadores da Apothek Cocktails & Co. Bartender premiado. Atualmente é sócio da APTK Spirits marca de coquetéis engarrafado.

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