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De bar a hotel cinco estrelas: por que restaurantes apostam no club sandwich

De hotéis cinco estrelas a bares e boulangeries, clássico americano ressurge com versões de até R$ 110

Le Jardin: Club Sanduíche servido no Hotel Rosewood São Paulo (Divulgação/Divulgação)

Le Jardin: Club Sanduíche servido no Hotel Rosewood São Paulo (Divulgação/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 2 de maio de 2026 às 11h08.

Nem sempre a inovação nasce do inédito. Às vezes, ela ressurge na releitura de um clássico. É o que acontece com o club sandwich, sanduíche criado nos clubes privados dos Estados Unidos no fim do século XIX e que agora retorna como objeto de desejo em restaurantes de perfil premium. Em 2026, o lanche deixa de ser apenas comfort food para ocupar espaço no mercado de lifestyle gastronômico.

Tradicionalmente montado com três fatias de pão tostado, proteínas de frango em camadas e corte triangular preciso, o club sandwich sempre carregou um código de elegância funcional. Nasceu como refeição prática para elites urbanas e volta agora impulsionado por dois fatores centrais: nostalgia e estética digital.

Astor: Club Sandwich ganha versão com salmão no lugar do filé de frango (Bruno Geraldi/Divulgação)

Em cidades como Nova York, chefs transformaram o preparo em item aspiracional. Mario Carbone, nome influente da cena americana, ajudou a recolocar o sanduíche em evidência ao exaltá-lo publicamente. Em São Paulo, casas tradicionais e hotéis de luxo seguem o movimento.

Na capital paulista, o fenômeno aparece em diferentes faixas de preço e posicionamento. O Le Jardin, no Rosewood São Paulo, oferece versão a R$ 110 com frango orgânico, avocado e batatas fritas. Já a Lanchonete da Cidade serve o Club Paulistano por R$ 67, enquanto o Café Hotel aposta no apelo autoral por R$ 55.

Novas versões da receita também surgem em casas como Astor e SubAstor com a substituição do frango por salmão defumado, avocado com wasabi e ovo pochê por R$ 75. Já o Le Jazz Brasserie aposta em leitura francesa no pão preto com dill e cream cheese. A Padoca do Maní traduz o conceito para linguagem local, usando pão de mandioca e mostarda Dijon.

O club sandwich também atende a uma lógica relevante do mercado atual: pratos fáceis de fotografar, compartilhar e compreender. Sua arquitetura em camadas e corte triangular oferece forte apelo visual nas redes sociais. A estética do empilhamento perfeito ajuda a transformar um item centenário em conteúdo contemporâneo.

O sucesso recente indica um consumidor disposto a pagar mais por referências conhecidas reinterpretadas. Em tempos de excesso de novidades, clássicos oferecem segurança emocional.

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