O desafio de liderar está se movendo da cobrança por resultado para a inspiração e oengajamento | GettyImages /
Redatora
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 11h20.
Chegar ao topo deixou de ser garantia de satisfação profissional. É o que mostra o Índice de Competitividade de Talentos (ICT) 2026, da consultoria LHH, que ouviu mais de 4.600 executivos brasileiros e chegou a um número que contraria décadas de senso comum corporativo: 60% deles querem mudar de carreira, mesmo ocupando cargos estratégicos e de alta responsabilidade.
O dado dialoga com outro levantamento, conduzido pela NYU em parceria com o Burning Glass Institute, que identificou que um em cada quatro profissionais em meio de carreira enfrenta estagnação, definida como permanecer no mesmo posto, sem promoção ou aumento real, por cinco anos ou mais.
No Brasil, uma pesquisa da Conquer reforça o quadro: apenas 30,6% dos profissionais dizem se sentir seguros e estáveis na trajetória atual.
A conclusão que une os três estudos é que o esforço individual parou de ser suficiente para garantir avanço. E é justamente esse ponto de virada que motivou José Cláudio Securato, CEO da Exame Educação e fundador da Saint Paul Escola de Negócios, a estruturar um programa voltado a quem já ocupa o topo do organograma.
Para Securato, existe um momento na trajetória profissional em que trabalhar mais deixa de mover o ponteiro. "Crescer passa a depender menos do que você faz e mais das decisões que você toma", diz o executivo.
Segundo ele, o erro mais comum entre profissionais de alta performance é esperar que o mercado reconheça o potencial acumulado. Securato defende que carreiras consistentes raramente acontecem por acaso: são resultado de decisões tomadas com intenção, não de tempo de casa ou volume de entregas.
Foi a partir desse diagnóstico que nasceu o SEER, Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul. A proposta não é preparar alguém para o próximo cargo, mas para a próxima versão de sua liderança, uma distinção que Securato faz questão de marcar.
O programa tem 124 horas de carga horária, com aulas mensais em formato presencial, na unidade Consolação, em São Paulo, e transmissão simultânea online.
A turma com início em 17 de setembro de 2026 é conduzida por Maria Silvia Costa, com passagem por instituições como Santander e BankBoston, que estrutura o conteúdo a partir do cruzamento entre neurociência, governança e tomada de decisão em cenários de incerteza.
Um dos módulos leva a turma a Ouro Preto, em Minas Gerais, para uma imersão pensada como contraponto ao ambiente corporativo tradicional, deslocando o grupo de conselho para discutir cultura, subjetividade e liderança fora do escritório.
O recorte do SEER conversa diretamente com o que os números da LHH e da NYU sugerem: o incômodo no topo da hierarquia não é sobre remuneração ou status, mas sobre clareza de rumo. Securato resume a provocação que abre o programa: "Você está apenas acompanhando essas mudanças ou está conduzindo a sua própria trajetória?"
O mercado seguirá se transformando, com ou sem a participação ativa de quem já chegou à liderança. A diferença, segundo o programa, está em quem decide para onde essa transformação vai.