BMW R 1250 RT: a moto feita para tempos de pandemia

Testamos o mais recente lançamento da marca, uma legítima estradeira, no interior de São Paulo, no momento em que as viagens acontecem em destinos nacionais

Para quem gosta de viajar de moto em grande estilo, e sempre no asfalto, a boa notícia do ano é que a BMW Motorrad volta a oferecer, depois de longos seis anos de ausência, a icônica touring R 1250 RT.

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Me arrisco a dizer que uma boa parte dos motociclistas de longo curso que encontro, rodando nas BRs da vida, estão montados numa bigtrail. Muitos saem do asfalto, mas outro tanto não. Alguns pelo amor ao estilo. Outros talvez por falta de opção. Não mais. A R 1250 RT chegou, e a Casual teve o prazer de testá-la em primeira mão.

A R 1250 RT vem celebrar o amor às estradas justamente no momento em que muitos aeroportos internacionais estão fechados e as viagens a lazer devem acontecer principalmente em destinos nacionais. Se você já gostava de estradas, agora tem mais motivos para rodar por aqui.

Importada diretamente da Alemanha, a moto traz muita tecnologia embarcada, linhas elegantes e sofisticação. O tradicional motor boxer agora incorpora o sistema variável de distribuição BMW Shift Cam, e entrega 136 cv de potência a 7.750 rpm e 143 Nm de torque a 6.250 rpm.

Um teste diferente

Adaptado à pandemia, esse foi um teste singular, individual. Nada de grandiosos eventos ou viagens em grupos. O bem bolado plano era receber a moto em casa pela manhã, devidamente higienizada, e fazer sozinho um dos percursos pré-programados pela marca, com direito a um almoço para dois em algum lugar sofisticado não muito longe de São Paulo e, depois, voltar para casa onde a moto seria retirada no final da tarde. Ou seja, uma viagem perfeita para um casal.

Logo convidei minha “conja”, que normalmente não roda comigo, com toda razão. A garupa seca da minha Harley-Davidson Sportster 2005 não é nada convidativa. Mas um bate e volta ao hotel Fasano Boa Vista, em Porto Feliz, interior de São Paulo, numa moto confortável como essa era um convite difícil de recusar.

Ela aceitou de pronto. Nossas preparações foram extensas, incluído a elaboração de uma playlist, para servir de trilha sonora do teste.

Chegada a hora, nós, todos paramentados e suando em bicas (imagine um dia quente), fomos à garagem. Na minha cabeça pueril de quem está beirando os 50 anos, mas ainda se sente na quarta série, numa moto dessa classe e estirpe, tudo seria fácil e descomplicado.

Só que não. Foram quinze longos minutos tentando parear meu smartphone com o sistema de som da moto. E nada feito. O fabricante do smartphone decidiu, anos atrás, que as entradas P2 estavam obsoletas, mas esqueceu de combinar com o resto do mundo. Cabeçudo que sou, me recusava a desistir; e a conja já não aguentava mais a minha teimosia.

Melhor viajar sem música do que não viajar. Assim, subi na moto contrariado, mas resoluto. Bora pegar a estrada.

Na estrada

Logo no primeiro quarteirão, eu tentava desesperadamente colocar o rádio numa estação minimamente rock-and-roll, também sem muito sucesso (vejam que, se a moto é sofisticada e recheada de recursos da eletrônica embarcada, já o piloto não é dos mais acostumados a manejar essas modernidades; minha moto é de uma simplicidade estoica).

Foi quando o farol abriu, eu não vi. O carro de trás buzinou e a Flavia me cutucou, tudo ao mesmo tempo. Emputecido com minha própria incompetência, engatei a primeira, entortei o punho e mandei ver, instintivamente. A moto arrancou com tanta vontade que quase nos deixou estatelados no meio da rua.

O design fluido e elegante da R 1250 RT engana. Ela anda muito. É muito torque, e o tempo todo. Flavia tomou um belo susto e custei à convencê-la de que a arrancada brusca fora um mero acidente e não uma manifestação de masculinidade tóxica.

Grande e parruda, a R 1250 RT desloca seus 279 quilos com leveza e graciosidade. A tocada é leve, segura e precisa. Tem três modos de pilotagem, rain (chuva), road (dia a dia) e dynamic (alto desempenho). Um modo para cada situação.

De série ela oferece, entre outros, suspensão eletrônica ESA com ajuste automático de pré-carga, ABS Pro, controle de tração dinâmico, troca de marchas quickshift, cruise control.

O grande destaque é o conforto. Cheia de mimos, a R 1250 RT tem de um tudo.

Desde manoplas e assentos aquecidos, para-brisa com ajuste elétrico de altura, partida sem chave, sistema de travamento central, alarme, bolsas laterais e muito mais.

A viagem seguiu. Flavia, a moto e eu fomos nos acertando, mas, sempre desconfiada, ela conferia, por cima do meu ombro, tudo que eu fazia. Não foi nem preciso usar o cruise control. Toda vez que eu ameaçava passar dos 120 km/h, tomava um cutucão entre as costelas. É o VCPC (velocidade controlada pela conja): deixa no chinelo qualquer coisa que a engenharia alemã possa inventar.

O percurso de ida foi meio tenso, afinal, existe a dinâmica do movimento e também a dinâmica do casal. O almoço no Fasano Boa Vista foi delicioso. Nossa conversa principalmente.

A volta foi muito mais gostosa. Bastante entrosados com a moto, a garupa e o piloto relaxaram, a estrada passou a fluir e nossos movimentos se encadearam.

Esse é o destino manifesto da BMW R 1250 RT: nos conduzir para dentro da viagem. Atenuar nosso racional, tão desgastado por essa pandemia, e nos conectar com nosso lado mais instintivo e onírico.

Um merecido descanso, uma breve escapada da acachapante realidade desses nossos dias. Pena que essa escapada durou tão pouco. Mal deu para começar a explorar os muitos recursos e luxos do modelo.

A R 1250 RT custa a partir de R$ 165.750 para a versão na cor Branco Alpine e R$ 178.750 na versão Azul Planet com o pacote Option 719.

BMW GS ou RT, eis a questão

“Tanto a linha GS quanto RT são modelos que atendem perfeitamente os consumidores que buscam por uma motocicleta capaz de viajar longas distâncias”, diz Luiz Alcântara, especialista de produtos da BMW Motorrad. “Entretanto, a linha GS possui em seu DNA a vocação para o off-road. Agora, caso o cliente opte única e exclusivamente pelas estradas, a R 1250 RT é a melhor, entregando muito conforto, performance e requinte.”

Se eu ganhasse uma bolada na loteria ficaria com as duas, e ainda arrumava uma R Nine T Racer, uma roadster de estilo retrô, para completar a Santíssima Trindade da marca.

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