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Análise final de provas sobre possível assassinato de Pablo Neruda começa no Chile

Em outubro de 2017, um grupo de 16 peritos confirmou que ele não morreu de câncer, embora não pudessem apontar a causa exata

O escritor, poeta e diplomata chileno Pablo Neruda (Reprodução/AFP)

O escritor, poeta e diplomata chileno Pablo Neruda (Reprodução/AFP)

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AFP

24 de janeiro de 2023, 17h52

Um painel de peritos judiciais e médicos iniciou, nesta terça-feira, 24, em Santiago, a análise final das evidências científicas para determinar se o poeta chileno Pablo Neruda, Nobel de Literatura, foi ou não assassinado durante a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

"Estamos prestes a encerrar uma investigação que nos parece transcendental", declarou Mario Carroza, juiz coordenador nacional de direitos humanos, a repórteres após a cerimônia de inauguração da nova rodada de trabalhos.

Especialistas locais e internacionais iniciaram um ciclo de reuniões de nove dias no Palácio dos Tribunais, em Santiago, para analisar os resultados de uma série de estudos aos quais foram submetidos os restos mortais do poeta, morto 12 dias após o golpe de Estado liderado por Pinochet, em 11 de setembro de 1973.

Segundo a versão oficial da época, Neruda — um opositor da ditadura — morreu em decorrência de um câncer de próstata. Mas em outubro de 2017, um grupo de 16 peritos confirmou que ele não morreu de câncer, embora não pudessem apontar a causa exata.

Foi então iniciada uma investigação sobre uma toxina, a Clostridium botulinium, que foi encontrada nos restos mortais do escritor.

O novo painel avaliará se há provas suficientes para estabelecer se essa substância tóxica causou a morte de Neruda e como e quem inoculou Neruda enquanto ele estava internado em uma clínica particular em Santiago.

Os especialistas devem concluir sua tarefa no dia 7 de março, quando entregarão o relatório final à juíza Paola Plaza, que comanda a investigação.

“Me dá a impressão de que [as provas] vão levar a conclusões que podem ser definitivas para que a magistrada que atualmente é responsável pela investigação possa tomar uma decisão definitiva” sobre o caso, explicou Carroza.

Neruda morreu aos 69 anos. Sua saúde havia piorado enquanto ele se preparava para deixar o país após o golpe de Pinochet contra o presidente socialista Salvador Allende, de quem o poeta era amigo próximo.

Um avião fornecido pela embaixada mexicana esperava Neruda sair da clínica para levá-lo ao México como exilado.

A investigação sobre as causas da morte de Neruda começou depois que seu ex-motorista, Manuel Araya, disse à imprensa em 2011 que o poeta poderia ter sido envenenado pela ditadura de Pinochet, que deixou mais de 3,2 mil mortos e cerca de 38 mil torturados, segundo dados oficiais.