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Orgia automotiva e campeão da F1: os bastidores do lançamento de um supercarro chinês

Marca de luxo da BYD, Denza escolhe o Goodwood Festival of Speed para a estreia mundial da linha Z, que passa dos 1.600 cv e será vendida no Brasil

Denza Z: o novo superesportivo da BYD (Divulgação)

Denza Z: o novo superesportivo da BYD (Divulgação)

Rodrigo Mora
Rodrigo Mora

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Publicado em 16 de julho de 2026 às 06h30.

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Goodwood (Inglaterra) - Potência e desempenho não faltam ao Denza Z. Equipado com três motores elétricos, o superesportivo da marca de luxo da BYD ostenta vertiginosos 1.604 cv e 126 kgfm de torque, que resultam em 2,25 segundos até os 100 km/h e 300 km/h de máxima. 

Beleza também não, o que pode ser notado nas harmoniosas linhas traçadas por Wolfgang Egger, o chefão de design da BYD que já ditou o estilo de Audi, Lancia, Alfa Romeo e Lamborghini (talvez por isso os faróis do Denza Z lembrem tanto os do Aventador). 

Luxo e tecnologia tampouco, já que o modelo traz painel de instrumentos digital de 8,88”, sistema de infoentretenimento de 12,8” e bancos dianteiros com ajuste elétrico, aquecimento, ventilação, massagem e encostos de cabeça com alto-falantes integrados. Fora as portas com fechamento assistido e o retrovisor digital.

Segurança, espaço interno (são 2,78 metros de entre-eixos), autonomia (410 km no padrão WLTP)...tudo o que o Denza Z deveria ter para encarar rivais de Porsche, BMW e companhia foi contemplado dentro de seus 4,78 m de comprimento. 

O que lhe falta é estirpe – o que o Goodwood Festival of Speed esbanja.

Stella Li e Jenson Button no lançamento mundial do Denza Z, em Goodwood (Divulgação)

Orgia automotiva 

A primeira edição do evento foi em 19 de junho de 1993, quando Charles Gordon-Lennox, atual Duque de Richmond, ressuscitou um circuito criado em 1948 praticamente no quintal de sua propriedade de 11 mil acres (aproximadamente 45 km2) em Chichester, West Sussex, Inglaterra. 

A atração principal é um sinuoso trecho de 1,86 km de extensão, pelo qual passa todo tipo de carro que já fez história nas pistas – e onde grande parte da orgia automotiva acontece. 

Exemplos: 60 anos após a lendária vitória da Ford sobre a Ferrari nas 24 Horas de Le Mans, os três GT40 vencedores reapareceram lado a lado na Hillclimb, o mesmo palco do desfile do dinamarquês Tom Kristensen, o único eneacampeão de Le Mans, ao volante de uma Ferrari da Fórmula 1 dos anos 1970. 

Também ali, naquele trecho estreito de asfalto cercado por feno, apareceu Bruno Senna dirigindo um McLaren-Lamborghini que seu tio teria pilotado se a parceria entre a equipe inglesa e a fabricante italiana tivesse ido adiante. E isso pouco depois de um passeio de todas as gerações dos bólidos da Fórmula E. 

Nós vamos invadir sua praia

Além da Hillclimb – que, ao longo dos quatro dias de evento, recebeu ainda campeões de Fórmula 1, carros clássicos de rali e até o Lightning McQueen –, há os estandes das montadoras, quase sempre conectando novos modelos com ícones do passado. Na Audi, por exemplo, as peruas esportivas RS2 e RS 4 introduziram o Nuvolari à plateia. 

Sem legado ou heróis nas pistas, as chinesas começam a recorrer a Goodwood para se apropriar dessa aura intangível e valiosa abundante por lá. Foi o que fizeram MG Motor e Omoda Jaecoo nesta edição. 

A Denza foi além: escalou o inglês Jenson Button, campeão de 2009 da F-1 com a Brawn GP, para apresentar a linha Z ao lado de Stella Li, vice-presidente executiva da BYD. 

"Goodwood é, de fato, um ponto de referência global para a cultura automotiva, e estamos muito satisfeitos por ter podido demonstrar como nossas tecnologias de novas energias estão impulsionando avanços na mobilidade sustentável em escala global", declarou a executiva. 

Vem pro Brasil?

Com passaporte carimbado para o Brasil, o Denza Z tem previsão de estreia no mercado nacional em outubro ou novembro, de acordo com Werner Schaal, diretor da Denza no Brasil. 

Serão entre 20 e 30 unidades, cada uma custando em torno de R$ 1,5 milhão. Para estancar a desvalorização que tem corroído o valor dos superesportivos, o executivo já tem a receita. 

“Ter construído uma base numerosa de modelos eletrificados nos ajudará a manter o valor de modelos mais caros”, explica.

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