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Enquanto EUA vive um 2026 de sucesso nos cinemas, salas brasileiras perdem público

Projeção de US$ 10 bilhões para Hollywood contrasta com um mercado brasileiro que mantém público estagnado desde 2023 e ainda depende quase totalmente de produções estrangeiras

Blockbusters: apesar do sucesso de longas como 'Michael' no Brasil, as salas de cinema brasileiras não mostram o mesmo grau de recuperação que as norte-americanas (Glen Wilson/Lionsgate/Divulgação)

Blockbusters: apesar do sucesso de longas como 'Michael' no Brasil, as salas de cinema brasileiras não mostram o mesmo grau de recuperação que as norte-americanas (Glen Wilson/Lionsgate/Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 15 de julho de 2026 às 17h14.

O ano de 2026, até o momento, foi recheado por grandes sucessos de bilheteria em Hollywood. Desde janeiro, com o rescaldo do sucesso de "Avatar: Fogo e Cinza", passando pelo período de fevereiro a maio, com "Devoradores de Estrelas", "Super Mario Galaxy", "O Diabo Veste Prada 2" e "Michael", a temporada de verão dos Estados Unidos já projeta bilheterias bilionárias com "Toy Story 5" e "A Odisseia".

De acordo com a Variety, a previsão é que, até o final do ano, os cinemas americanos acumulem US$ 10 bilhões em vendas de ingressos, marca que não é alcançada desde antes da pandemia de Covid-19. O bom momento é impulsionado tanto por franquias tradicionais quanto por sucessos inesperados, enquanto a Geração Z lidera o retorno do público às salas.

No Brasil, no entanto, o ano tem andado mais devagar.

Apesar do grande sucesso de títulos como "Michael" e "O Diabo Veste Prada 2", 2026, até o momento, acumula R$ 1,38 bilhão em bilheteria e 63,06 milhões de espectadores até a 27ª semana cinematográfica, segundo dados da Ancine. Esse resultado representa uma queda de público de 0,5% comparado ao mesmo período em 2025 e de 2% comparado a julho de 2024.

O grande ano dos blockbusters, nos Estados Unidos

Depois de um período marcado pelos efeitos da pandemia e das greves de roteiristas e atores de Hollywood, os cinemas americanos vivem seu melhor momento em anos. Segundo a Variety, a arrecadação de 2026 já supera em 10% a do mesmo período de 2025 e deve alcançar US$ 10 bilhões até dezembro.

Até meados de julho, o mercado doméstico dos Estados Unidos já havia movimentado US$ 5,09 bilhões, segundo a Box Office Mojo, desempenho que recoloca Hollywood na trajetória de recuperação observada antes da pandemia, quando o país superava regularmente os US$ 11 bilhões anuais em bilheteria.

Os dados da Box Office Mojo mostram a dimensão dessa retomada. Depois de atingir US$ 11,89 bilhões em 2018 e US$ 11,36 bilhões em 2019, o mercado americano despencou para US$ 2,11 bilhões em 2020, no auge da pandemia de Covid-19. A recuperação foi gradual, passando por US$ 4,48 bilhões em 2021, US$ 7,37 bilhões em 2022, US$ 8,91 bilhões em 2023 e US$ 8,57 bilhões em 2024, até chegar a US$ 8,66 bilhões em 2025.

Retomada pós-pandemia: com a projeção de US$ 10 bilhões de bilheteria em 2026, cinemas americanos voltam a faturar na casa dos dois dígitos pela primeira vez desde 2019 (Dados Box Office Mojo / Gráfico produzido no Excel)

Em 2026, até meados de julho, as bilheterias domésticas já somam US$ 5,09 bilhões. Mantido o ritmo atual, a Variety projeta que o mercado encerrará o ano na casa dos US$ 10 bilhões, resultado que consolidaria a recuperação do setor após a pandemia, ainda que abaixo dos recordes observados antes de 2020.

O calendário de lançamentos ajudou a impulsionar essa recuperação. "The Super Mario Galaxy Movie" tornou-se o primeiro filme do ano a ultrapassar US$ 1 bilhão em bilheteria mundial. "Michael" tornou-se a primeira cinebiografia da história a superar essa marca, enquanto "O Diabo Veste Prada 2" transformou-se em uma rara comédia de enorme sucesso comercial, ultrapassando rapidamente toda a arrecadação do longa original.

Ao mesmo tempo, produções menos convencionais também surpreenderam. "Devoradores de Estrelas", "Backrooms" e "Obsession" se consolidaram como alguns dos maiores sucessos do ano, mostrando que o público voltou a responder também a histórias originais.

FilmeBilheteria nos EUA
Super Mario Galaxy: O FilmeUS$ 429,8 milhões
Toy Story 5US$ 406,8 milhões
MichaelUS$ 371,9 milhões
Devoradores de EstrelasUS$ 344,1 milhões
ObsessionUS$ 254,0 milhões
O Diabo Veste Prada 2US$ 220,5 milhões
Backrooms: Um Não-LugarUS$ 194,2 milhões
Star Wars: O Mandaloriano e GroguUS$ 177,3 milhões
HoppersUS$ 166,0 milhões
Avatar: Fogo e Cinzas*US$ 154,0 milhões em 2026 (US$ 404,3 milhões acumulados)

*Valor referente à arrecadação obtida em 2026. O filme estreou em dezembro de 2025.

Segundo a publicação, boa parte dessa retomada é liderada pela Geração Z. Levantamento da Fandango citado pela Variety mostra que 87% dos integrantes dessa geração foram ao cinema pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, índice superior ao registrado entre millennials (82%), geração X (70%) e baby boomers (58%).

Bilheterias brasileiras andam a passos mais lentos que em 2024 e 2025

No Brasil, os números também são positivos, mas a retomada das salas de cinema ocorre em ritmo mais moderado.

Dados da Ancine mostram que, até a 27ª semana cinematográfica de 2026, os cinemas arrecadaram R$ 1,38 bilhão com a venda de ingressos para um público de 63,06 milhões de espectadores. No período, foram exibidos 530 títulos e o preço médio do ingresso ficou em R$ 21,87. Comparando esse momento ao mesmo período dos anos anteriores, até 2018, as salas de cinema brasileiras estagnaram em público após 2023, girando por volta dos 62 e 64 milhões.

27ª semana de exibição: de acordo com dados da Ancine, o cinema brasileiro tem dados de público semelhantes desde 2023 (Ancine / Reprodução)

No total, no entanto, 2024 foi um ano de ápice, com público de 126 milhões, versus os 114 milhões de 2023 e os 113 milhões de 2025.

Total anual: 2024 foi o ano de maior sucesso nos cinemas brasileiros desde a pandemia de Covid-19 em 2020 (Ancine / Reprodução)

Assim como nos Estados Unidos, o ranking brasileiro é dominado por produções estrangeiras, responsáveis por 96,1% da renda das bilheterias em 2026. Entre os filmes de maior público aparecem "Michael", "O Diabo Veste Prada 2", "Toy Story 5", "Super Mario Galaxy: O Filme", "Avatar: Fogo e Cinzas" e "Devoradores de Estrelas". O único longa brasileiro entre os maiores sucessos do período é "O Agente Secreto", que levou mais de 1,3 milhão de espectadores aos cinemas em 2026.

FilmeBilheteria no Brasil
MichaelR$ 168,6 milhões
O Diabo Veste Prada 2R$ 164,9 milhões
Zootopia 2*R$ 152,7 milhões
Avatar: Fogo e Cinzas*R$ 143,4 milhões
Toy Story 5R$ 98,0 milhões
A Empregada*R$ 97,3 milhões
Super Mario Galaxy: O FilmeR$ 95,5 milhões
Todo Mundo em PânicoR$ 56,3 milhões
O Agente SecretoR$ 51,1 milhões
Devoradores de EstrelasR$ 48,0 milhões

*Filmes lançados em 2025 que continuaram em cartaz em 2026.

Embora Brasil e Estados Unidos exibam rankings semelhantes, os dois mercados vivem momentos diferentes na retomada pós-pandemia.

Nos Estados Unidos, a combinação entre um calendário robusto de lançamentos, sucessos inesperados e o retorno do público mais jovem colocou a indústria novamente na trajetória dos US$ 10 bilhões anuais. No Brasil, por outro lado, o público permanece praticamente estável desde 2023 nas primeiras 27 semanas do ano, variando entre 62 milhões e 64 milhões de espectadores.

Os dados da Ancine também mostram que a dependência de Hollywood continua elevada.

Em 2026, 95,7% do público e 96,1% da renda vieram de produções estrangeiras, enquanto apenas um filme brasileiro, "O Agente Secreto", aparece entre os maiores sucessos do período.

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