Felipe Calbucci, CEO LATAM da TotalPass, aposta em exemplo de liderança para incentivo à atividade física
Jornalista
Publicado em 23 de julho de 2026 às 14h35.
A TotalPass vende acesso a academias e estúdios para milhares de empresas. E, dentro de casa, também faz questão de incentivar a atividade física: 99% dos colaboradores usam o benefício de forma ativa, segundo a companhia.
O número chama atenção porque raramente uma empresa consegue fazer seus próprios funcionários adotarem o produto que ela vende nesse nível de intensidade. Para Felipe Calbucci, CEO LATAM da TotalPass, o resultado não é explicado apenas pelo setor em que a empresa atua, mas por uma combinação de acesso facilitado, comunicação constante e comportamento da liderança.
“Esse resultado é fruto de uma estratégia intencional de cultura, comunicação e gestão de pessoas”, afirma Calbucci. “Um plano construído para transformar o benefício em uma ferramenta efetivamente incorporada à rotina”, defende.
Todos os colaboradores têm acesso gratuito ao plano TP7, o mais completo da plataforma, com uma rede que reúne mais de 35 mil academias e estúdios parceiros e mais de 250 modalidades – desde musculação em unidades como Smart Fit e Bio Ritmo até estúdios de nicho como Aera Pilates e Jab House.
Ao longo do ano, a empresa mantém campanhas internas e desafios coletivos, além de funcionalidades como o check-in extra, que permite combinar duas atividades no mesmo dia. A TotalPass também mantém a Orla TotalPass, uma aposta de R$ 20 milhões da companhia, localizada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, que reúne experiências de esporte, gastronomia e convivência.
Orla TotalPass reúne esporte, gastronomia e convivência no Parque Villa-Lobos
Executivos da TotalPass têm papel importante nessa estratégia. Eles são usuários da plataforma e participam de atividades em encontros de integração fora do escritório. Para Calbucci, esse comportamento ajuda a reduzir a ideia de que se exercitar é estar menos comprometido com o trabalho.
O discurso, porém, não pede uniformidade. A empresa afirma respeitar diferenças de condição física, rotina e preferência, evitando associar bem-estar a um único tipo de corpo ou modalidade. Também há uma preocupação para não transformar a prática de atividades físicas em métrica de performance. Calbucci revela que não há vínculo entre frequência de exercício e avaliação profissional, e recompensas se limitam a campanhas pontuais de engajamento.
Antes de lançar novas funcionalidades, a TotalPass recorre a grupos internos de colaboradores como primeiros testadores. Foi assim com o próprio check-in extra, lançado em março, mas testado internamente bem antes disso.
“Como conhecem o negócio e, ao mesmo tempo, utilizam o produto em situações reais, os colaboradores conseguem identificar pontos de fricção, oportunidades de melhoria e necessidades que podem não aparecer imediatamente em uma análise exclusivamente técnica”, diz Calbucci.
A empresa evita afirmar que a atividade física, sozinha, melhora indicadores como produtividade ou retenção de funcionários – já que esses resultados dependem de vários fatores. Mas considera a alta adesão um sinal de que o benefício tem valor real para o time e um ponto a favor nas conversas com clientes: os próprios funcionários vivem a experiência que a empresa vende.
Para Calbucci, o principal erro de outras empresas é achar que disponibilizar um benefício basta. Sem comunicação recorrente, variedade de opções e liderança engajada, diz ele, o acesso sozinho raramente muda hábitos.