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Redatora
Publicado em 23 de julho de 2026 às 14h00.
Última atualização em 24 de julho de 2026 às 14h57.
Das 100 escolas particulares com melhor desempenho no Enem 2025, 27 usam o mesmo sistema de ensino. A rede nasceu dentro de um único colégio em Fortaleza, no Ceará, e hoje chega a quase 1.500 escolas em todos os estados do país.
O sistema é o SAS (Sistema Ari de Sá), criado a partir da metodologia do Colégio Ari de Sá. Para Idelfranio Moreira, professor e diretor de ensino e inovações educacionais da SAS Educação, o maior risco para o aprendizado hoje não é a falta de acesso à tecnologia.
"A nossa maior preocupação é a preguiça cognitiva. Se o aluno deixa a inteligência artificial fazer, ele está deixando de se desenvolver. Não tem aprendizado, não tem resultado, não tem nada", diz Moreira.
A história do SAS não começou como estratégia de expansão. Começou com um pedido. Um dono de escola do interior do Ceará queria comprar o material didático produzido internamente pelo Colégio Ari de Sá para usar em sua própria instituição.
"A gente não faz material para vender, isso aqui é da nossa escola", foi a primeira resposta, lembra Moreira.
A insistência do dono da escola, somada ao fato de as duas instituições não serem concorrentes, mudou o rumo da história.
Décadas depois, o que era material interno de uma escola de Fortaleza virou um sistema de ensino presente em unidades de perfis muito diferentes entre si, da escola militar à confessional, da tradicional à voltada para formação humana.
Segundo Moreira, a personalização é o que permite que um mesmo sistema funcione em contextos tão distintos. A entrega da rede combina três frentes: conteúdo didático, tecnologia que direciona o uso desse conteúdo de forma diferente em cada escola, e um corpo de serviço que ajusta calendário e estratégia à realidade de cada instituição.
Apostila SAS Educação (divulgação)
Essa lógica também aparece na forma como o conteúdo é atualizado. Um exemplo citado por Moreira: dias depois do gol de bicicleta de Richarlison na Copa do Mundo, o lance virou abertura de um capítulo sobre lançamento vertical e queda livre. "É preciso dizer que aquilo está associado com intencionalidade pedagógica, não é só estampa", diz. Três meses depois, já estava no material que os alunos usavam em sala.
Além da escola número 1 do país, o desempenho do SAS no Enem 2025 se repete em outros recortes:
No Sisu 2025, 10.977 estudantes aprovados em instituições de ensino superior estudaram com o SAS. Desses, 1.002 ficaram em primeiro lugar em seus cursos e 5.621 entre os 10 primeiros colocados.
Em Medicina, um dos cursos mais concorridos do país, 9,6% dos aprovados pelo Sisu vieram de escolas parceiras do SAS.
Nos vestibulares de Fuvest, Unicamp e ITA de 2026, o sistema soma mais de 2.500 aprovações em USP, Unicamp e Unesp, as três universidades públicas mais concorridas do estado de São Paulo.
Para engajar estudantes do ensino fundamental, a rede aposta em um ambiente gamificado chamado Eureka, voltado a alunos do 3º ao 9º ano. Um algoritmo ajusta a dificuldade das questões conforme a evolução de cada aluno, e a missão declarada é sempre a mesma: resolver os exercícios do capítulo.
"No Ceará, a gente chama isso de migué. É o jeito cearense de botar os alunos para resolver questão", diz Moreira, sobre o apelo do ranking e das recompensas virtuais da plataforma. Segundo ele, alunos mais engajados no Eureka chegam a ter quase 20% a mais de resultado nas avaliações.
A partir do 6º ano, os alunos das escolas parceiras têm acesso a olimpíadas de matemática, ciências, humanas, tecnologia e sustentabilidade. Um currículo olímpico consistente pode abrir as portas de universidades de ponta no Brasil sem a necessidade do vestibular tradicional.
"O aluno olímpico tem resiliência emocional, tem capacidade de foco, não vive subjugado ao algoritmo de recomendação", diz Moreira. Para ele, a determinação pode pesar mais que QI ou currículo na hora de produzir resultado, e é isso que a cultura olímpica treina desde cedo.
O Brasil chegou à 11ª colocação na Olimpíada Internacional de Matemática de 2026, disputada em Xangai, com cinco medalhas de prata e uma de bronze. Três dos seis integrantes da equipe brasileira são de Fortaleza, o mesmo estado onde nasceu o sistema de ensino que hoje atende quase 1.500 escolas pelo país.