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Uma escola criou esse sistema de ensino em 2004 — hoje ele domina o Enem, Sisu e ITA

Rede tem mais de 1.300 escolas, 530 mil alunos e também lidera aprovações no Sisu e em olimpíadas

 (divulgação)

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Publicado em 23 de julho de 2026 às 14h00.

Última atualização em 24 de julho de 2026 às 14h57.

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Das 100 escolas particulares com melhor desempenho no Enem 2025, 27 usam o mesmo sistema de ensino. A rede nasceu dentro de um único colégio em Fortaleza, no Ceará, e hoje chega a quase 1.500 escolas em todos os estados do país.

O sistema é o SAS (Sistema Ari de Sá), criado a partir da metodologia do Colégio Ari de Sá. Para Idelfranio Moreira, professor e diretor de ensino e inovações educacionais da SAS Educação, o maior risco para o aprendizado hoje não é a falta de acesso à tecnologia.

"A nossa maior preocupação é a preguiça cognitiva. Se o aluno deixa a inteligência artificial fazer, ele está deixando de se desenvolver. Não tem aprendizado, não tem resultado, não tem nada", diz Moreira.

De um pedido inusitado a um sistema em quase 1.500 escolas

A história do SAS não começou como estratégia de expansão. Começou com um pedido. Um dono de escola do interior do Ceará queria comprar o material didático produzido internamente pelo Colégio Ari de Sá para usar em sua própria instituição.

"A gente não faz material para vender, isso aqui é da nossa escola", foi a primeira resposta, lembra Moreira.

A insistência do dono da escola, somada ao fato de as duas instituições não serem concorrentes, mudou o rumo da história.

Décadas depois, o que era material interno de uma escola de Fortaleza virou um sistema de ensino presente em unidades de perfis muito diferentes entre si, da escola militar à confessional, da tradicional à voltada para formação humana.

Segundo Moreira, a personalização é o que permite que um mesmo sistema funcione em contextos tão distintos. A entrega da rede combina três frentes: conteúdo didático, tecnologia que direciona o uso desse conteúdo de forma diferente em cada escola, e um corpo de serviço que ajusta calendário e estratégia à realidade de cada instituição.

Apostila SAS Educação

Apostila SAS Educação (divulgação)

Essa lógica também aparece na forma como o conteúdo é atualizado. Um exemplo citado por Moreira: dias depois do gol de bicicleta de Richarlison na Copa do Mundo, o lance virou abertura de um capítulo sobre lançamento vertical e queda livre. "É preciso dizer que aquilo está associado com intencionalidade pedagógica, não é só estampa", diz. Três meses depois, já estava no material que os alunos usavam em sala.

Domínio no Enem 2025, do topo do ranking à redação

Além da escola número 1 do país, o desempenho do SAS no Enem 2025 se repete em outros recortes:

  • 3 das 10 escolas privadas mais bem colocadas no país usam o SAS
  • 9 escolas privadas que lideram o ranking em seus estados são parceiras do SAS
  • 7 das 10 escolas privadas com as melhores notas de redação do país usam o sistema

Mais de 10 mil aprovados no Sisu, quase 1 em cada 10 em Medicina

No Sisu 2025, 10.977 estudantes aprovados em instituições de ensino superior estudaram com o SAS. Desses, 1.002 ficaram em primeiro lugar em seus cursos e 5.621 entre os 10 primeiros colocados.

Em Medicina, um dos cursos mais concorridos do país, 9,6% dos aprovados pelo Sisu vieram de escolas parceiras do SAS.

Um quarto dos aprovados no ITA são alunos do SAS

Nos vestibulares de Fuvest, Unicamp e ITA de 2026, o sistema soma mais de 2.500 aprovações em USP, Unicamp e Unesp, as três universidades públicas mais concorridas do estado de São Paulo.

  • 25% dos aprovados no ITA estudaram com o SAS
  • 1.118 aprovados na USP, o equivalente a 10% das vagas
  • 416 aprovados na Unicamp, 12% das vagas

A aposta contra a preguiça cognitiva

Para engajar estudantes do ensino fundamental, a rede aposta em um ambiente gamificado chamado Eureka, voltado a alunos do 3º ao 9º ano. Um algoritmo ajusta a dificuldade das questões conforme a evolução de cada aluno, e a missão declarada é sempre a mesma: resolver os exercícios do capítulo.

"No Ceará, a gente chama isso de migué. É o jeito cearense de botar os alunos para resolver questão", diz Moreira, sobre o apelo do ranking e das recompensas virtuais da plataforma. Segundo ele, alunos mais engajados no Eureka chegam a ter quase 20% a mais de resultado nas avaliações.

A partir do 6º ano, os alunos das escolas parceiras têm acesso a olimpíadas de matemática, ciências, humanas, tecnologia e sustentabilidade. Um currículo olímpico consistente pode abrir as portas de universidades de ponta no Brasil sem a necessidade do vestibular tradicional.

"O aluno olímpico tem resiliência emocional, tem capacidade de foco, não vive subjugado ao algoritmo de recomendação", diz Moreira. Para ele, a determinação pode pesar mais que QI ou currículo na hora de produzir resultado, e é isso que a cultura olímpica treina desde cedo.

O Brasil chegou à 11ª colocação na Olimpíada Internacional de Matemática de 2026, disputada em Xangai, com cinco medalhas de prata e uma de bronze. Três dos seis integrantes da equipe brasileira são de Fortaleza, o mesmo estado onde nasceu o sistema de ensino que hoje atende quase 1.500 escolas pelo país.

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