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Impacto da IA no trabalho deve atingir mais mulheres, diz pesquisa

Mulheres ocupam 83% dos cargos mais vulneráveis à automação por inteligência artificial nos EUA

IA: estudo aponta que mulheres ocupam maioria dos empregos mais vulneráveis à automação nos EUA (Alona Horkova/Getty Images)

IA: estudo aponta que mulheres ocupam maioria dos empregos mais vulneráveis à automação nos EUA (Alona Horkova/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 11 de maio de 2026 às 05h46.

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A expansão da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho pode atingir mulheres de forma desproporcional. Um estudo da organização americana National Partnership for Women & Families mostrou que mulheres ocupam 83% dos 15 empregos considerados mais vulneráveis à automação por IA nos Estados Unidos.

Embora representem 47% da força de trabalho americana, elas concentram a maioria das funções classificadas como de alto risco para substituição tecnológica. O levantamento aponta principalmente cargos administrativos, clericais e de suporte operacional como os mais expostos.

Segundo o relatório, muitos desses empregos já operam sob sistemas automatizados de monitoramento e gestão algorítmica, nos quais softwares controlam grande parte da rotina de trabalho.

A pesquisa também identificou diferenças raciais na exposição ao risco. Mulheres brancas, latinas, indígenas americanas e nativas do Alasca aparecem em proporções significativamente maiores nos empregos considerados mais vulneráveis à IA.

As mulheres brancas, por exemplo, representam 28% da força de trabalho geral, mas ocupam 52% dos postos classificados como de maior risco de automação.

Entre mulheres negras e multirraciais, a participação nos empregos mais vulneráveis também supera a presença proporcional na força de trabalho total. Mulheres negras ocupam 31% das vagas entre os 15 cargos mais expostos à IA.

Funções administrativas concentram risco

O relatório atribui parte da desigualdade à concentração feminina em funções administrativas e de escritório, áreas em que ferramentas de IA já conseguem executar tarefas repetitivas, organização de dados, produção de relatórios e atendimento automatizado.

Segundo os pesquisadores, esses cargos também costumam apresentar salários menores, menos investimento corporativo em qualificação profissional e menor capacidade de transição para novas funções tecnológicas.

A organização afirma que fatores históricos ligados à desvalorização do trabalho feminino, especialmente entre mulheres negras e latinas, contribuíram para essa distribuição desigual no mercado de trabalho.

IA também amplia preocupações sobre vieses

Além do risco de substituição profissional, o estudo aponta que mulheres demonstram preocupação crescente com vieses algorítmicos, privacidade e transparência nos sistemas de IA.

O relatório afirma que muitas ferramentas foram desenvolvidas sem participação proporcional de mulheres, o que aumenta a percepção de distanciamento e desconfiança em relação às tecnologias.

A pesquisa recomenda que empresas incluam mulheres no desenvolvimento de políticas relacionadas à adoção de IA no ambiente corporativo e ampliem programas de treinamento voltados ao uso responsável da tecnologia.

Os pesquisadores também sugerem revisões internas em políticas de contratação, remuneração e promoção para evitar que sistemas automatizados ampliem desigualdades já existentes no mercado de trabalho.

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