Carreira

Dois em cada três conselhos sabem pouco sobre IA: 5 perguntas que todo conselheiro deve fazer ao CEO

IA avança nas empresas mais rápido que a supervisão dos boards, e o custo dessa distância já aparece nos números

 (Magnific/Reprodução)

(Magnific/Reprodução)

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 14h38.

Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 14h53.

Priorizar nos meus resultados Google

RESUMO | Dois em cada três conselhos têm pouco ou nenhum conhecimento sobre inteligência artificial, segundo a Deloitte. Enquanto isso, 88% das empresas já usam a tecnologia, de acordo com a McKinsey. Para supervisionar a IA, o conselheiro precisa cobrar do CEO métricas de retorno, responsáveis definidos, controle de dados e regras para incidentes.


A inteligência artificial chegou às empresas antes de chegar aos conselhos. Segundo a McKinsey, 88% das organizações já usam IA em pelo menos uma área do negócio. Nos conselhos, o ritmo é outro. 

Em pesquisa da Deloitte com cerca de 700 conselheiros e executivos de 56 países, 66% dizem que seus conselhos têm pouco ou nenhum conhecimento sobre a tecnologia, e 31% afirmam que o tema nem entra na pauta das reuniões.

Esse descompasso é um problema de governança. O conselho responde por estratégia, risco e reputação, e a IA hoje afeta as três coisas. Quando não se domina o assunto, o conselho corre dois riscos: 

  1. Aprovar investimentos sem critério claro de retorno
  2. Travar projetos por insegurança

Para supervisionar a IA, o conselheiro não precisa saber programar. Precisa saber o que perguntar. As cinco perguntas abaixo ajudam a trocar a conversa genérica sobre "inovação" por uma cobrança objetiva da gestão.

Fazer as perguntas certas sobre IA exige repertório. O Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas, da Saint Paul, reúne executivos que levam esse debate para o board

1. ‘Onde a IA vai gerar valor, e como vamos medir?’

É a pergunta que separa estratégia de modismo. Um estudo do MIT de 2025, The GenAI Divide, concluiu que 95% dos projetos-piloto de IA generativa não tinham gerado impacto mensurável no resultado, mesmo com empresas investindo entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões na tecnologia. 

A metodologia foi criticada por medir só o retorno direto em seis meses, mas o recado para o conselho continua válido: piloto sem métrica vira custo.

O conselheiro pode cobrar indicadores definidos antes do projeto começar, prazos para avaliação e critérios explícitos para escalar ou encerrar cada iniciativa.

2. ‘Quem, na gestão, responde pela IA?’

Sem um responsável definido, a supervisão não funciona. Em relatório de dezembro de 2025 sobre conselhos e IA, a McKinsey recomenda que o conselho estabeleça o que deve ser discutido em plenário (como grandes investimentos para escalar a tecnologia), o que fica nos comitês (como políticas de risco e contratos com fornecedores) e o que é decisão operacional da gestão.

Se a resposta do CEO for "a TI cuida disso", o conselho tem um sinal de alerta.

3. ‘Que ferramentas de IA os funcionários já usam sem autorização?’

A IA costuma entrar na empresa antes da política que deveria regulá-la. O estudo do MIT mostra que em mais de 90% das empresas pesquisadas há funcionários usando ferramentas pessoais de IA no trabalho, enquanto só cerca de 40% delas contrataram assinaturas oficiais.

Esse uso paralelo, chamado de shadow AI, tem custo. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, 63% das organizações analisadas não tinham política de governança de IA. O uso de ferramentas não autorizadas esteve presente em 20% dos vazamentos de dados e aumentou o custo médio de cada incidente em US$ 670 mil.

4. ‘Que dados estamos expondo, e como isso se encaixa na LGPD?’

Os vazamentos ligados a shadow AI atingiram mais dados pessoais (65% dos casos) e propriedade intelectual (40%) do que a média, segundo a IBM. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados prevê multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração, além do desgaste de imagem.

Com direção de Ana Paula Zamper, que fez carreira de 31 anos na IBM, o PIACC forma turmas selecionadas de C-levels e conselheiros para decidir sobre IA com critério. Conheça o programa

O conselho deve saber que dados alimentam os sistemas de IA da empresa, quem tem acesso a eles e se os contratos com fornecedores protegem as informações da companhia.

5. ‘Que incidente chega ao conselho, e em quanto tempo?’

A IA também virou ferramenta de ataque. Em 2024, a empresa de engenharia britânica Arup perdeu cerca de US$ 25 milhões depois que um funcionário em Hong Kong participou de uma videochamada com executivos falsos, criados com deepfake. Segundo a IBM, 16% dos vazamentos analisados envolveram criminosos usando IA, principalmente em phishing e em falsificação da identidade de executivos.

Mesmo assim, menos de 25% das empresas têm políticas de IA estruturadas e aprovadas pelo conselho, segundo a National Association of Corporate Directors (NACD), dos Estados Unidos. O conselheiro deve cobrar regras claras sobre quais incidentes são levados ao board e em que prazo.

O conselho também precisa voltar a estudar

A pressão já muda a composição dos conselhos. Na pesquisa da Deloitte, 40% dos entrevistados dizem que estão repensando quem ocupa as cadeiras do conselho por causa da IA. Para a consultoria, os conselheiros precisam entender a tecnologia o bastante para fazer as perguntas certas.

É nesse ponto que atua o Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas (PIACC), da Saint Paul. São 93 horas de aulas presenciais na unidade da Consolação, em São Paulo, com transmissão ao vivo. 

O programa tem módulos específicos como "Tecnologia e IA nos Conselhos", "Cybersecurity para o board" e "LGPD na era da IA", além de mentoria e de um projeto aplicado individual. A diretora do programa, Ana Paula Zamper, trabalhou 31 anos na IBM, em cargos de C-level e VP, e hoje atua em conselhos.

Em governança de IA, a pergunta feita a tempo sai mais barata que a explicação depois do incidente.

No PIACC, da Saint Paul, cada participante desenvolve um projeto de IA para a própria empresa, com mentoria individual. Saiba como o programa conecta estratégia, risco e governança


O que é o PIACC, da Saint Paul?

O PIACC é o Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios. A formação conecta IA, estratégia e tomada de decisão, com foco em IA generativa e cultura de dados.

Para quem o PIACC é indicado?

O programa é voltado a C-levels, conselheiros, acionistas e líderes que precisam incorporar a IA à estratégia do negócio. O nível é avançado.

Quais temas de governança de IA o PIACC aborda?

O PIACC tem módulos como "Tecnologia e IA nos Conselhos", "Cybersecurity para o board" e "LGPD na era da Inteligência Artificial". A formação também trata de ética, cultura de dados e implementação de projetos de IA.

Como funcionam as aulas do PIACC?

São 93 horas de aula, com encontros mensais às quartas e quintas, das 8h às 18h. As aulas são presenciais na unidade da Consolação, em São Paulo, com transmissão ao vivo online.

Quem é a diretora do PIACC?

A diretora do programa é Ana Paula Zamper, que atuou por 31 anos na IBM em cargos de C-level e VP. Hoje ela integra conselhos do terceiro setor e é diretora no IBEF.

Como é o processo de admissão no PIACC?

A admissão tem três etapas: aplicação com currículo ou LinkedIn, conversa individual com um executivo da Saint Paul e resultado por e-mail em até sete dias. É preciso ter ensino superior completo e inglês suficiente para ler artigos e assistir a vídeos.

Acompanhe tudo sobre:Branded MarketingPIACCHigh Impact Programs

Mais de Carreira

Networking não é LinkedIn: a lição que a presidente da EAF levou de um programa para conselheiras

A empresa que para suas atividades e dá folga aos funcionários no Dia Mundial da Saúde Mental

95% das pessoas acham que se conhecem bem. Na prática, só 10% a 15% acertam, diz psicóloga

Pessoas disciplinadas não têm mais força de vontade. Elas precisam de menos dela, diz especialista