Burnout é um problema crescente na saúde mental corporativa
Redatora
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 05h43.
Os afastamentos por burnout no Brasil cresceram 823% em quatro anos, saindo de 823 casos em 2021 para 7.595 em 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
Diante desse cenário, psicólogos e pesquisadores têm reforçado um ponto que muitas vezes passa despercebido nas discussões sobre saúde mental no trabalho: a dificuldade de reconhecer os próprios limites e padrões de comportamento tende a agravar o processo de esgotamento, não apenas sofrer as consequências dele.
O Brasil fechou 2025 com mais de 530 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior volume da série histórica, segundo o mesmo levantamento do Ministério da Previdência Social.
Desde 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, resultado de estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi administrado com sucesso, e não como uma condição médica isolada.
A relação entre autoconhecimento e esgotamento profissional já foi estudada de forma mais direta pela ciência. Uma pesquisa da Universidade da Madeira, publicada na revista científica INFAD, acompanhou 250 professores e encontrou uma correlação estatística clara: quanto maior a capacidade de reconhecer e regular as próprias emoções, menor o nível de exaustão emocional relatado.
O estudo reforça um achado recorrente na literatura sobre o tema, de que a inteligência emocional funciona como fator de proteção contra o burnout.
Na prática, isso se traduz em situações comuns no dia a dia profissional: aceitar mais uma demanda mesmo sem capacidade real de absorver, evitar um conflito necessário até ele virar crise, ou permanecer em uma função desalinhada com o próprio momento de vida sem entender por quê.
Sem clareza sobre os próprios padrões, esse tipo de decisão tende a se repetir, alimentando o ciclo de desgaste. Reforça o problema o fato de que apenas 12% das empresas brasileiras oferecem acompanhamento psicológico como benefício, segundo levantamento citado pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).
Nenhum curso ou processo de autorreflexão substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando o esgotamento já está instalado.
O que a literatura sugere é que desenvolver autoconhecimento de forma estruturada, entender padrões, gatilhos e limites, funciona como fator de proteção antes que o quadro se agrave, o que é diferente de tratar um burnout já estabelecido.
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