Christiane Rodrigues, vice-reitora de In Company da Saint Paul durante aula.
Redatora
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 15h09.
Última atualização em 16 de setembro de 2026 às 17h29.
Um curso pronto para 41 analistas recém-saídos do trainee de um banco não serve para reunir 400 líderes de supervisão a presidência em uma companhia de pedágio, e o programa que forma gerentes bancários há 15 anos não resolve a urgência de uma operadora de telecom que precisa capacitar 10 mil pessoas em cibersegurança.
Empresas com desafios tão diferentes, no entanto, têm recorrido à mesma escola para resolver o problema: a Saint Paul In Company.
O modelo funciona como um serviço sob encomenda. Em vez de vender uma grade fechada de disciplinas, a Saint Paul primeiro mapeia o momento da empresa, sua cultura e o perfil do público, para só então desenhar o conteúdo, a carga horária e o formato ideal do programa.
O resultado aparece em números concretos: o Bradesco já formou mais de 2.300 colaboradores em 65 turmas desde 2010, e a Sem Parar Corpay reuniu quase 400 líderes em um único evento de mais de 30 horas.
O ponto de partida de qualquer programa In Company é um diagnóstico: quais competências a empresa precisa fortalecer, que momento de negócio ela atravessa e qual o perfil de quem vai participar. A partir daí, a Saint Paul monta jornadas que podem combinar encontros presenciais, online ou híbridos, com trilhas adaptadas ao contexto de cada organização.
"Analisamos o momento da empresa, sua cultura, os desafios prioritários e o perfil do público para construir uma solução aderente à realidade do negócio", diz Christiane Rodrigues, vice-reitora de In Company da Saint Paul.
Foi esse processo de diagnóstico que levou a Sem Parar Corpay a fechar com a Saint Paul depois de avaliar ao menos três instituições de educação executiva.
Pesou a favor a capacidade de entregar, em um único formato, uma experiência para quase 400 pessoas de níveis hierárquicos distintos ao mesmo tempo, sem cair no conteúdo genérico. Já a TIM optou por dividir a própria Cyber Academy em quatro trilhas diferentes dentro do mesmo programa, uma para cada perfil de exposição ao risco digital, do colaborador comum ao administrador de sistemas.
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A Saint Paul estrutura o In Company em três frentes de conteúdo (liderança, inteligência artificial para negócios e finanças corporativas) e em cinco níveis de organização: alta liderança, média liderança, primeira liderança, especialistas e analistas, e trainees ou talentos em formação.
Essa segmentação aparece nos próprios cases. O Programa Carreira Acelerada do Itaú foi desenhado para 41 analistas que acabaram de sair do trainee, começando por um módulo sobre ambidestria organizacional e liderança transformacional.
Já o Acelerando o Futuro, da Ipiranga, mira um público mais sênior: coordenadores e especialistas com cerca de cinco anos de casa, selecionados por um processo que inclui apresentação diante de uma banca de diretores. No outro extremo, o Leadership Summit da Sem Parar Corpay reuniu, na mesma sala, gestores da supervisão à presidência.
"Nós conhecemos as dores e os desafios do negócio; eles trazem a expertise para transformar essas necessidades em uma experiência de alto nível para nossas lideranças", diz Daniel Campos, CHRO da Sem Parar Corpay.
Não há um setor ou porte único entre as empresas que contratam o In Company. Bancos como Itaú e Bradesco usam o modelo para formar talentos internos com visão técnica e comportamental.
A Sem Parar Corpay, do setor de pagamentos e mobilidade, e a Ipiranga, no setor de combustíveis, recorreram à Saint Paul para acelerar carreiras e reter quem já está pronto para liderar.
A Edenred, que atende mais de 1 milhão de clientes corporativos em 44 países, criou em 2022 um programa próprio de liderança chamado LEA para lidar com decisões rápidas em ciclos curtos. A TIM usou o formato para treinar cerca de 10 mil pessoas em cibersegurança de uma só vez.
O que une essas empresas não é o setor, mas o momento: todas cresciam, mudavam de modelo de negócio ou enfrentavam uma lacuna de liderança grande demais para um curso pronto resolver.
"Quando você faz algo com a sua cara, fica mais eficiente", diz Douglas Pina, vice-presidente de RH da Edenred Brasil, sobre a decisão de desenvolver um programa próprio com a Saint Paul em vez de contratar uma formação padronizada.
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Para as seis empresas, o programa não termina na sala de aula: aparece depois, nos indicadores que cada RH escolheu acompanhar, seja o índice de percepção de marca da Sem Parar Corpay, seja as promoções internas registradas pela Ipiranga.