Estudo do LinkedIn mostra que conseguir emprego é apenas um dos resultados possíveis de uma boa rede profissional (Nuthawut Somsuk/Getty Images)
Repórter
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 06h03.
Fazer networking pode abrir portas para um novo emprego, ajudar a conquistar clientes, aumentar o conhecimento sobre um setor ou até dar mais confiança para tomar decisões de carreira. Mas o papel das conexões profissionais muda bastante dependendo da área de atuação.
É o que mostra uma nova pesquisa do LinkedIn, realizada com 1.000 profissionais brasileiros. O levantamento revela que, enquanto trabalhadores de alguns setores recorrem à rede principalmente quando precisam de alguma coisa, outros cultivam seus contatos de maneira mais frequente.
Em Finanças, 33% dos profissionais dizem recorrer à rede diante de uma necessidade ou oportunidade específica, como procurar emprego ou pedir orientação. Em Educação, são 32%.
O comportamento é diferente em áreas como Marketing (38%), Indústria e Serviços de Utilidade Pública (35%), Tecnologia da Informação (31%) e Varejo, Alimentação e Lazer (30%), nas quais aparece com mais força o hábito de dedicar tempo regularmente para manter contato e contribuir com a própria rede.
“Os dados mostram que não existe uma única forma de construir ou se beneficiar de uma rede profissional. As necessidades e os desafios mudam de acordo com a área e o momento da carreira”, afirma Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina.
Segundo o executivo, entender essas diferenças pode ajudar os profissionais a construir relações de maneira menos pontual.
“Entender essas diferenças pode ajudar os profissionais a construir relações de forma mais natural e contínua, para que suas redes acompanhem sua evolução profissional”, afirma.
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Milton Beck, Diretor-Geral do LinkedIn para a América Latina e África: “Os dados mostram que não existe uma única forma de construir ou se beneficiar de uma rede profissional" (Leandro Fonseca /Exame)
Embora networking seja frequentemente associado à procura por uma nova vaga, a pesquisa mostra que conseguir emprego é apenas um dos resultados possíveis de uma boa rede profissional.
No geral, 16% dos brasileiros afirmam já ter conseguido um novo emprego ou oportunidade por meio de suas redes profissionais. O percentual chega a 21% entre trabalhadores de Finanças e a 18% na área da Saúde.
Em algumas áreas, porém, o principal ganho aparece longe da busca por uma nova posição.
Na Educação, 53% dos profissionais dizem que as interações com suas redes aumentaram seu conhecimento sobre algum tema de interesse. Em Tecnologia da Informação, são 51%.
A rede também pode funcionar como uma espécie de reforço para decisões profissionais. Quatro em cada dez profissionais de Finanças (41%) dizem ter adquirido mais confiança na própria carreira por meio dessas relações. Em Tecnologia da Informação, o índice chega a 44%.
Já para quem trabalha em Marketing (51%), Indústria e Serviços de Utilidade Pública (48%) e Varejo, Alimentação e Lazer (44%), um dos principais ganhos foi ter feito uma conexão que ajudou na carreira.
Na Saúde, os contatos indiretos ganham importância: 40% dos profissionais afirmam ter conseguido uma oportunidade por meio de alguém que conheceram através de outra pessoa.
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Apesar dos benefícios, transformar uma lista de contatos em relações profissionais relevantes continua sendo um desafio.
Entre os brasileiros, 40% afirmam não saber como transformar conexões em relacionamentos significativos.
Em alguns setores, a dificuldade é ainda maior: chega a 51% em Finanças, 49% em Varejo, Alimentação e Lazer e 48% em Saúde.
Existe também uma barreira anterior: simplesmente saber por onde começar.
Em Varejo, Alimentação e Lazer, 54% dos profissionais dizem não saber ao certo como começar a construir uma rede profissional. Em Finanças, são 46%, ante 37% entre os brasileiros em geral.
Os dados expõem um paradoxo particularmente interessante em Finanças: o setor aparece entre aqueles em que o networking mais se converte em oportunidades de carreira, mas também entre aqueles nos quais os profissionais relatam maior dificuldade para transformar conexões em relações significativas.
Para outros profissionais, o obstáculo é menos prático e mais comportamental.
Em Marketing, 45% afirmam ter receio de incomodar outras pessoas ou desperdiçar o tempo delas ao interagir com redes e comunidades profissionais online. O percentual está dez pontos acima da média dos profissionais brasileiros.
Já entre trabalhadores da Saúde (38%) e de Indústria e Serviços de Utilidade Pública (36%), aparece com força o receio de serem julgados.
No setor de Varejo, Alimentação e Lazer, 35% citam tanto o medo de julgamento quanto o receio de parecer pouco autênticos.
A pesquisa sugere, portanto, que o desafio do networking não está apenas em encontrar as pessoas certas, mas também em superar a percepção de que iniciar uma conversa profissional necessariamente significa pedir alguma coisa.
Os profissionais também enxergam consequências diferentes quando deixam de cultivar suas conexões.
As diferenças aparecem ainda mais quando os profissionais são questionados sobre os momentos em que suas conexões foram mais importantes.
Os resultados reforçam que networking não precisa começar quando surge uma vaga de emprego. Dependendo da área e do momento profissional, uma rede pode funcionar como fonte de conhecimento, espaço para trocar experiências, canal para conquistar negócios ou caminho para chegar a pessoas que dificilmente seriam acessadas diretamente.
A pesquisa do LinkedIn foi conduzida pela Censuswide a pedido do LinkedIn, com 1.000 profissionais brasileiros entre 18 e 80 anos, empregados em período integral ou parcial. As entrevistas foram realizadas entre 20 de julho e 11 de agosto de 2026.
A Censuswide segue os princípios da ESOMAR, integra a Market Research Society e o British Polling Council e é signatária do Global Data Quality Pledge.
Um dos principais erros de um profissional é procurar a rede apenas quando surge uma necessidade, seja uma vaga, um cliente ou um novo projeto, segundo Fernanda Nascimento, estrategista digital, CEO da Stratlab (agência especializada em marketing e vendas B2B).
A especialista elenca 5 práticas para construir uma rede profissional mais consistente
O networking, segundo Nascimento, funciona melhor quando faz parte da rotina. Isso porque oportunidades profissionais podem ser resultado de relações construídas meses ou até anos antes.
“Boa parte das oportunidades profissionais começa muito antes de existir uma vaga, um projeto ou uma conversa comercial concreta”, afirma.
Networking também não precisa começar necessariamente com uma mensagem privada. Publicar conteúdo, compartilhar experiências e apresentar pontos de vista sobre temas da própria área são maneiras de se tornar conhecido por outros profissionais.
“Muitas relações profissionais começam antes da primeira mensagem direta, porque alguém já leu, ouviu ou acompanhou o que você pensa”, diz Nascimento.
Ter centenas ou milhares de conexões não significa necessariamente possuir uma rede profissional forte.
“Adicionar alguém à rede é muito diferente de construir confiança”, afirma Nascimento.
Para avançar dessa primeira conexão para uma relação profissional, a especialista recomenda acompanhar o contato, retomar conversas quando houver um motivo legítimo, contribuir e criar continuidade.
“Essa sucessão de interações transforma uma pessoa conhecida em alguém que lembra de você quando surge uma oportunidade.”
Fernanda Nascimento, estrategista digital, especialista em marketing e vendas B2B e CEO da Stratlab (Arquivo pessoal/Divulgação)
Nem sempre será o contato mais próximo que levará a uma oportunidade. Como mostra a própria pesquisa, 40% dos profissionais da Saúde afirmam ter conseguido uma oportunidade por meio de um contato indireto.
Nascimento recomenda, portanto, enxergar o networking como uma rede de relações, e não como uma coleção de contatos individuais.
“Quem indica, quem recomenda, quem apresenta, quem valida uma competência e quem leva seu nome para uma conversa da qual você nem participa pode ter tanta importância quanto o contato direto”, afirma.
É por isso que, segundo ela, também vale diversificar a rede, mantendo relações com pessoas de diferentes empresas, áreas, níveis de experiência e momentos profissionais.
Construir uma rede profissional não significa abordar cada pessoa pensando no retorno que aquela relação poderá trazer.
“Nas relações profissionais, muitas vezes, não conseguimos associar uma conversa de hoje a um resultado concreto amanhã, e nem deveríamos tentar”, diz Nascimento.
O efeito do networking pode aparecer muito depois do primeiro contato. Uma indicação para uma vaga, convite para um projeto ou apresentação a um potencial cliente pode surgir depois de diversas interações que, isoladamente, não tinham qualquer objetivo comercial ou profissional imediato.
“Relações consistentes acumulam confiança e podem gerar oportunidades muito depois.”
Veja a entrevista de Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina, ao "De frente com CEO", da EXAME: