Carreira

‘IA vai eliminar empregos, mas quem tiver estas habilidades será relevante’, diz líder do Linkedin

Milton Beck afirma que a inteligência artificial está mudando a forma de contratar e o perfil dos candidatos – será o fim do profissional júnior?

Milton Beck, do LinkedIn: “O maior risco para os profissionais não é a inteligência artificial em si, mas permanecer parado enquanto o mercado evolui” (Leandro Fonseca /Exame)

Milton Beck, do LinkedIn: “O maior risco para os profissionais não é a inteligência artificial em si, mas permanecer parado enquanto o mercado evolui” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 25 de julho de 2026 às 12h35.

Última atualização em 31 de julho de 2026 às 11h29.

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A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho mais rapidamente do que muitos profissionais imaginavam. O tema esteve no centro da participação de Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para Brasil e América Latina, no Clube CHRO São Paulo, evento realizado pela EXAME nesta quarta-feira, 22, no restaurante Dalva e Dito, em São Paulo.

O encontro reúne exclusivamente C-levels de Recursos Humanos que integram o clube, iniciativa da EXAME com patrocínio da Alelo Benefícios e da Elofy.

Durante a conversa, Beck afirmou que o maior risco para os profissionais não é a inteligência artificial em si, mas permanecer parado enquanto o mercado evolui.

"Vai ter perda de empregos com a IA. Algumas funções serão substituídas, principalmente as mais repetitivas. Mas a maior parte dos profissionais precisará se adaptar e desenvolver novas habilidades", afirmou o executivo.

A inteligência artificial, segundo Beck, já alterou a forma como empresas recrutam, treinam e promovem profissionais. O impacto é sentido principalmente entre quem está entrando no mercado de trabalho, mas também alcança profissionais experientes que precisarão se reinventar.

O fim do "júnior tradicional"

Uma das mudanças mais visíveis ocorre nas vagas de entrada.

Atividades operacionais que antes eram executadas por profissionais iniciantes agora podem ser realizadas com auxílio da inteligência artificial, afirma Beck. Como consequência, empresas passaram a contratar jovens esperando um nível de produtividade muito maior desde o primeiro dia.

"O cargo continua sendo de entrada, mas a expectativa já é de alguém muito mais produtivo porque ele tem IA disponível. O trabalho mudou", afirma.

Apesar disso, o executivo contesta a ideia de que a inteligência artificial esteja destruindo empregos em massa.

Ele lembra que a corrida global por infraestrutura de IA criou centenas de milhares de vagas ligadas à construção de data centers, semicondutores e novas tecnologias. Por outro lado, para o executivo, boa parte da desaceleração nas contratações também está ligada ao cenário macroeconômico, marcado por juros elevados, inflação, guerras e maior cautela das empresas para investir.

As cinco habilidades que a IA não substitui

Se algumas atividades tendem a desaparecer, outras se tornam ainda mais valiosas.

Na avaliação do diretor do LinkedIn, o diferencial competitivo passa menos pelo conhecimento técnico isolado e cada vez mais pelas habilidades humanas.

Baseado no livro Open to Work, do ex-CEO global do LinkedIn Ryan Roslansky, Beck destaca cinco competências fundamentais para quem deseja permanecer relevante nos próximos anos:

  • Comunicação;
  • Criatividade;
  • Curiosidade;
  • Coragem para experimentar e aprender continuamente;
  • Compaixão, entendida como empatia.

"As pessoas entram nas empresas pelas habilidades técnicas, mas muitas vezes saem pela falta de habilidades interpessoais", afirmou.

Além dos cinco "Cs", o executivo afirma que todo profissional deverá combinar domínio técnico da sua área, fluência digital e capacidade constante de aprender e desaprender.

"Se você sabia fazer de um jeito, talvez amanhã tenha que fazer de outro. Essa capacidade de adaptação será cada vez mais importante", diz.

Diploma perde espaço para competências

Outra transformação acelerada pela inteligência artificial acontece na forma como empresas selecionam candidatos.

O mercado começa a abandonar o modelo baseado exclusivamente no nome da universidade e passa a olhar as habilidades efetivamente demonstradas pelos profissionais, diz Beck.

"O mercado está deixando de buscar apenas diplomas e passando a procurar competências específicas", afirma.

Para Beck, ferramentas de inteligência artificial ajudam justamente a reduzir esse tipo de viés e ampliar a busca por profissionais com habilidades compatíveis, independentemente do diploma.

IA muda também a forma de contratar

As mudanças no LinkedIn não atingem apenas quem procura emprego.

Beck compartilha que o LinkedIn prepara o lançamento em português do Hiring Assistant, um agente de inteligência artificial capaz de automatizar parte do trabalho dos recrutadores.

A ferramenta realiza buscas contínuas por candidatos, interpreta descrições escritas em linguagem natural, identifica perfis compatíveis e reduz o tempo gasto em atividades operacionais.

Nos projetos-piloto conduzidos pela empresa, recrutadores registraram ganhos de produtividade de até 30%, segundo o executivo. Com isso, sobra mais tempo para entrevistas, relacionamento com candidatos e tomada de decisão.

Brasil é um dos maiores mercados do LinkedIn

O Brasil se consolidou como um dos principais mercados da plataforma.

O LinkedIn, segundo Beck, acaba de atingir 100 milhões de usuários no país, o equivalente a cerca de 85% da população economicamente ativa. O crescimento, segundo ele, mostra que a rede deixou de ser apenas um local para procurar emprego e passou a funcionar como espaço de networking, aprendizado, construção de reputação e geração de negócios.

Na avaliação do executivo, construir uma carreira será cada vez menos responsabilidade exclusiva das empresas.

"O dono da sua carreira é você. A empresa pode oferecer ferramentas, cursos e oportunidades, mas quem precisa desenvolver as habilidades e construir sua trajetória é o próprio profissional".

O evento contou com a presença de nomes de peso no cenário corporativo brasileiro, com representantes de empresas como:

AGV
Alelo
BTG Pactual
CI&T
CIATC
Copastur
Direcional Engenharia
Elofy by Zucchetti
Eztec
Grupo Fleury
Hugo Boss
Michael Page
Oitchau
Stone
We Capital

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