Muito mais do que um simples “tapinha nas costas”, uma parabenização na frente da equipe ou um bônus pontual, reconhecer alguém no trabalho é um exercício de intencionalidade e coerência (TCmake_photo/Getty Images)
Fundadora e Presidente do Conselho Cia de Talentos/Bettha.com
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 18h53.
Última atualização em 7 de setembro de 2026 às 19h34.
Existem alguns termos do vocabulário corporativo que soam um tanto quanto abstratos, apesar de serem muito utilizados. São palavras ou expressões que podem até fazer parte do dia a dia, mas não necessariamente são colocados em prática com consistência. Entra naquela lógica de: eu sei o que significa, mas não sei explicar (e nem praticar).
O reconhecimento faz parte desse grupo.
Muito mais do que um simples “tapinha nas costas”, uma parabenização na frente da equipe ou um bônus pontual, reconhecer alguém no trabalho é um exercício de intencionalidade e coerência. E, como todo exercício, demanda consistência.
Apesar de um gesto isolado poder ter a intenção de valorizar ou agradecer, é importante entender que o reconhecimento enquanto elemento estruturante da cultura da empresa se constrói cotidianamente. Trata-se de um conjunto de práticas (e não de uma única ação) que tornam visível e significativo o valor que uma pessoa tem para a organização.
Isso significa que, dentre outras habilidades, reconhecer um talento envolve comunicação. Veja, não se trata só de falar “bom trabalho”, mas de deixar claro o que foi feito, por que aquilo importa e qual impacto esse comportamento ou entrega gerou para o time, o negócio ou o cliente.
Claro que a prática não para por aí. Ela envolve também um aspecto, digamos, mais tangível, como:
Envolve ainda reconhecer aquilo que precisa melhorar. Ou seja, dar feedbacks que ajudem o talento a se desenvolver, corrigir rota e ampliar seu repertório de competências, preparando-o para desafios maiores e mais complexos.
É um combo: comunicação de um lado para dar sentido, e ações concretas de outro que reforcem essa mensagem no dia a dia. Só que esse “pacote” anda em falta em muito lugar. Ou, pelo menos, é essa a percepção geral.
De forma direta, a resposta é muito mais gente do que talvez imaginamos. Segundo a pesquisa Carreira dos Sonhos 2025, 43% do público jovem, 41% da média gestão e 33% da alta liderança afirmam que a falta de reconhecimento é o maior incômodo com a empresa. Essa é disparada a maior queixa entre as pessoas pesquisadas.
Para se ter uma ideia, o segundo item mais citado nessa lista de incômodos é a relação com a liderança, mas ela foi mencionada por apenas 17% de jovens, 14% da média gestão e 16% da alta liderança. Bem menos expressivo que a percepção de não ter seu valor devidamente reconhecido.
Resolver essa questão não se trata de gentileza ou “boa ação corporativa”. Para as empresas também é interessante praticar o reconhecimento daquilo que está bom e daquilo que precisa melhorar porque isso impacta diretamente engajamento, produtividade, retenção e, consequentemente, os resultados do negócio.
Como já expliquei, comunicação e ações palpáveis caminham juntas.
Agora, de forma mais detalhada, também é possível trabalhar questões mais específicas, como:
Compartilho esses seis pontos não como um “manual” ou uma fórmula infalível, mas como sinais do que está faltando nas relações entre pessoas e organizações. Quando o reconhecimento falha, o que se rompe não é só a motivação: é o vínculo.
A pessoa até continua entregando, mas passa a fazê-lo no modo automático, com menos envolvimento, menos confiança e menos disposição para ir além do mínimo esperado.
Reconhecer, portanto, não é um gesto de bondade nem uma política de RH isolada. É uma escolha de gestão. E, cada vez mais, uma escolha que define quem consegue atrair, engajar e reter pessoas em um mundo em que trabalhar deixou de ser apenas uma questão de sustento e passou a ser, também, uma questão de sentido.