Protagonismo universitário: o caminho para transformar a faculdade em experiência profissional
Redatora
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 17h07.
Faltam menos de dois meses para o Enem 2026, aplicado nos dias 8 e 15 de novembro, e milhões de estudantes ainda decidem qual curso vão apontar na hora da inscrição.
O prazo é curto, mas o peso da escolha é maior do que parece: segundo o Inep, apenas 27% dos concluintes do ensino médio brasileiro ingressam no ensino superior já no ano seguinte. Entre os que estudaram em escolas privadas, esse número sobe para 59%, mas ainda deixa de fora quase metade dos estudantes.
Boa parte dessa distância não é falta de interesse. É decisão adiada, ou decisão feita sob pressão, sem os dados que ajudariam a errar menos.
Administração segue como um dos cursos mais procurados do Brasil. Em 2024, foram 334.310 novos alunos matriculados, atrás apenas de Pedagogia, segundo o Censo da Educação Superior. É um curso popular, mas popularidade não é sinônimo de informação: grande parte de quem se matricula sabe pouco sobre o que muda entre um bacharelado, um curso tecnólogo e uma licenciatura, além da duração.
Bacharelados respondem por 62,5% das matrículas do ensino superior brasileiro, os tecnólogos por 20,1% e as licenciaturas por 17,4%. A diferença não é só de nome.
O bacharelado costuma ter de 4 a 5 anos e abre para uma formação mais ampla; o tecnólogo dura entre 2 e 3 anos, com foco direto em uma competência de mercado; a licenciatura forma para a docência. Escolher entre eles sem entender essa diferença é uma das formas mais comuns de errar a mão.
Nos Estados Unidos, um levantamento da ZipRecruiter com mais de 1.500 formados mostrou que 44% se arrependem da área que escolheram na faculdade.
Perguntados sobre o que fariam diferente, a resposta mais comum não foi abandonar o ensino superior, foi trocar de curso: ciência da computação e administração de empresas apareceram como as áreas que esses formados escolheriam se pudessem recomeçar.
O dado não é brasileiro, mas ilustra um padrão que se repete aqui: o arrependimento raramente é sobre ter estudado, é sobre ter estudado a coisa errada.
Duas perguntas ajudam mais do que qualquer teste vocacional. A primeira é sobre o formato: o estudante quer uma formação ampla, que abre portas em várias áreas, ou uma entrada rápida e especializada no mercado? A segunda é sobre a matriz curricular real do curso, não a ementa genérica, mas as disciplinas, os projetos práticos e o tipo de experiência que a instituição oferece fora da sala de aula.
É esse segundo ponto que separa cursos com o mesmo nome, mas experiências muito diferentes. Na Saint Paul Escola de Negócios, por exemplo, a graduação em Administração combina a formação tradicional com projetos aplicados a empresas reais, um dos fatores que costuma pesar na decisão de quem já passou pelo processo de escolha e comparou opções.
A decisão sobre o curso não precisa ser perfeita, mas não precisa ser feita no escuro. Com os dados certos, a diferença entre acertar de primeira e refazer o caminho alguns anos depois fica bem menor.