Redação Exame
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 15h33.
O RH brasileiro passou décadas operando sob uma rotina de tarefas transacionais, da folha de pagamento à triagem de currículos. Esse cenário começa a mudar de forma mensurável. Levantamento conduzido pela LG lugar de gente, em parceria com a FIA Business School, mostra que o uso de inteligência artificial na gestão de pessoas já devolve 5,4 horas semanais por profissional, o equivalente a 12% de uma jornada de 44 horas.
O estudo, que ouviu 1.130 profissionais durante o CONARH 2026, projeta que o setor pode recuperar mais 8,4 horas por semana à medida que as soluções de IA avançam, totalizando 31% da carga semanal redirecionada para frentes de maior valor estratégico, como desenvolvimento de lideranças e gestão da cultura organizacional.
A amostra reúne profissionais dos 26 estados brasileiros e mais de 40 segmentos da economia. Do total de respondentes, 45% atuam em companhias com mais de mil funcionários, e 33% ocupam cargos de gestão ou diretoria.
Os dados mostram que a transformação começou pelas tarefas mais operacionais. A triagem e o apoio ao recrutamento aparecem entre as aplicações mais frequentes, citadas por 39% dos respondentes, seguidas do atendimento interno a colaboradores por chatbots e agentes, mencionado por 38%. A produção de textos e apresentações vem na sequência, com 31% de adoção.
Usos mais analíticos ainda têm espaço para crescer: apenas 21% dos profissionais utilizam IA como suporte à tomada de decisão, e 20% aplicam a tecnologia em análises preditivas de turnover, clima ou engajamento.
"O RH historicamente enfrentou o desafio de operar sob uma grande carga de rotinas burocráticas e transacionais. Os agentes de IA podem mudar esse patamar ao assumir parte da execução de processos operacionais com autonomia e governança, liberando o profissional de RH para atuar onde a capacidade humana gera mais valor para a organização", diz Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente.
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À medida que a tecnologia amplia sua participação nas tarefas transacionais, as funções que exigem contexto, julgamento e relacionamento humano preservam maior peso das pessoas. O desenvolvimento de lideranças lidera essa lista, apontado por 44% dos respondentes como uma frente em que a atuação humana permanece decisiva, seguido por promoção e sucessão (41%), gestão da cultura organizacional (40%) e clima e engajamento (40%).
A mudança também acompanha a evolução das plataformas de gestão de pessoas. Conforme as empresas avançam no uso de IA para automatizar processos, cresce a demanda por ecossistemas capazes de integrar dados, sistemas e agentes à operação. A LG lugar de gente diz vir desenvolvendo soluções com agentes autônomos integrados a frentes como folha de pagamento, departamento pessoal, recrutamento e seleção e experiência do colaborador.
"A automação não reduz a relevância do profissional de RH, ela amplia sua capacidade de contribuição estratégica. Quando aplicamos inteligência artificial com a precisão de quem acumula mais de 40 anos de contexto e dados sobre o mercado de gestão de pessoas, a tecnologia consegue assumir a carga operacional com total segurança. Com isso, o setor ganha tempo útil para focar no que é insubstituível: desenvolvimento de lideranças, cultura e decisões que exigem sensibilidade humana", pontua Azevedo.
O RH que sobra da automação não é um RH menor. É um RH que finalmente tem tempo para fazer o que só as pessoas conseguem fazer.