IA chega ao C-level e muda as habilidades exigidas de CEOs e altos executivos (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 09h49.
A adoção de inteligência artificial está alterando não apenas processos, mas também as competências exigidas de quem ocupa posições de liderança. Para CEOs e executivos, entender a tecnologia passou a fazer parte da capacidade de tomar decisões estratégicas.
Um levantamento do World Economic Forum aponta que 39% das principais habilidades exigidas no mercado de trabalho devem mudar até 2030. Entre as competências que mais ganham importância estão IA e big data, pensamento analítico, criatividade, liderança e influência social.
Para o C-level, o desafio não é necessariamente aprender a programar ou construir modelos de IA. É desenvolver repertório suficiente para avaliar onde a tecnologia pode gerar valor, quais riscos estão envolvidos e quais mudanças serão necessárias na organização.
Um executivo precisa compreender conceitos básicos de IA, como modelos generativos, automação, agentes, dados e limitações dos sistemas.
Isso permite fazer perguntas mais precisas às equipes técnicas e avaliar propostas antes de direcionar investimentos. A alfabetização tecnológica também reduz a dependência de explicações exclusivamente técnicas para decisões de negócio.
A tecnologia precisa estar relacionada a um problema empresarial concreto. Uma ferramenta pode ser sofisticada e, ainda assim, não produzir impacto relevante para a companhia.
A McKinsey aponta que líderes de negócio capazes de conectar problemas empresariais às possibilidades da tecnologia têm papel central nas transformações com IA. Segundo a consultoria, esses executivos funcionam como uma ponte entre estratégia e tecnologia.
Na prática, isso significa avaliar perguntas como:
Quanto maior a autonomia dos sistemas, maior a necessidade de definir responsabilidades. Questões como privacidade, segurança, uso de dados, supervisão humana e critérios de aprovação entram na agenda dos executivos.
O World Economic Forum aponta que 82% dos executivos planejavam adotar agentes de IA nos três anos seguintes, mas destaca que muitas organizações ainda enfrentavam dificuldades para avaliar e governar essas tecnologias.
Para o C-level, governança significa estabelecer limites claros para o uso da tecnologia e acompanhar seus efeitos sobre clientes, funcionários e operações.A adoção de IA também altera funções, processos e estruturas de equipes. O executivo precisa entender quais atividades podem ser automatizadas, quais exigem supervisão humana e quais novas competências serão necessárias.
O World Economic Forum coloca liderança, gestão de talentos, pensamento analítico e aprendizagem contínua entre as habilidades que ganham relevância nos próximos anos.
Esse conhecimento ajuda o C-level a transformar a adoção tecnológica em uma agenda de gestão da mudança, e não apenas de implementação de ferramentas.
A IA amplia a quantidade de informações disponíveis para a liderança, mas não elimina a necessidade de julgamento executivo.
CEOs precisam interpretar indicadores, questionar premissas, comparar cenários e entender as limitações dos dados utilizados. A capacidade de análise continua sendo necessária mesmo quando parte do trabalho de processamento é automatizada.
A McKinsey também destaca que a liderança na era da IA exige combinar fluência digital e habilidades humanas, como definição de prioridades, construção de confiança e tomada de decisões difíceis.
A preparação para o C-level, portanto, passa por compreender a tecnologia sem perder de vista fundamentos de gestão. O executivo que participa dessas decisões precisa saber avaliar oportunidades, riscos, pessoas e impactos financeiros antes de transformar uma solução de IA em prioridade empresarial.