Escandinávia precisa desesperadamente de pessoas qualificadas

Suécia e Dinamarca precisam atrair, urgentemente, mais profissionais qualificados para dar conta da demanda

“Mesmo o nosso clima sendo tão ruim quanto o do Reino Unido, nós ainda temos muito a oferecer.”

Assim escreveu um ex-ministro da Economia dinamarquês no The Guardian, neste mês, na tentativa de atrair trabalhadores qualificados europeus preocupados com o Brexit.

A indústria escandinava há tempos se queixa da escassez. E agora tem um aliado. A Hays, uma firma especializada em recrutamento, publicou seu relatório anual mais recente sobre oferta e demanda de trabalhadores qualificados em 33 grandes economias.

O Global Skills Index (Índice Global de Talentos), compilado com a ajuda da Oxford Economics, utiliza sete indicadores (desde flexibilidade educacional até pressão salarial em trabalhos altamente qualificados) para quantificar a facilidade ou a dificuldade de as empresas atraírem e reterem os trabalhadores mais talentosos (uma pontuação acima de 5 sugere que o mercado de trabalho está sob pressão).

Assim como no ano passado, a líder do índice é a Suécia, onde a demanda por mão de obra especializada ultrapassa de longe a oferta, razão pela qual os salários dos setores altamente qualificados vêm subindo. O descompasso é tão agudo que a Suécia corre o risco de ficar de fora agora que o restante da Europa vem registrando um crescimento, segundo Torbjorn Halldin, economista da Confederação Sueca de Empresas.

A terceira classificada é a Dinamarca, cuja pontuação aumentou mais do que a de qualquer outro país neste ano. A Confederação da Indústria Dinamarquesa afirmou que os resultados estão em linha com suas próprias conclusões de que “quase 4 em cada 10 de nossas empresas-membros têm tido dificuldades para recrutar funcionários qualificados”.

O vice-diretor Steen Nielsen atribui parte da culpa à decisão da Dinamarca de aumentar o montante de dinheiro que um trabalhador de fora da UE deve ganhar para se qualificar para um visto de trabalho. A decisão foi impulsionada pelo Partido Social-Democrata, de oposição, e pelo Partido Popular Dinamarquês, nacionalista, como parte dos esforços conjuntos para reduzir a chegada de trabalhadores estrangeiros ao país.

Entre as principais habilidades em alta demanda estão contabilidade, na Suécia, e desenvolvimento de software, na Dinamarca.

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