Salvatore Saggio, empresário da educação. (Arquivo Pessoal / Salvatore Saggio)
Redatora
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 13h47.
“Isso ou aquilo?” O formato de vídeo em que influenciadores escolhem entre duas opções ganhou espaço nas redes sociais. O advogado e empreendedor Salvatore Saggio, 24, aproveita a tendência e vai além. Com mais de 50 mil seguidores, o jovem reúne uma audiência formada majoritariamente por pais e estudantes que buscam informações para decisões mais embasadas sobre educação.
Nos vídeos, Saggio faz rankings de escolas, analisa universidades e recomenda escolhas acadêmicas. Entre os vídeos de maior alcance estão os que ranqueiam escolas de ensino médio e cursos de graduação.
Os critérios considerados incluem clareza no posicionamento e embasamento da proposta pedagógica da instituição, participação em projetos sociais, qualificação do corpo docente, desempenho no Enem e, no caso das universidades, indicadores de empregabilidade. De acordo com Saggio, não se trata de publicidade, mas análises independentes.
Na contramão do discurso crescente que questiona a relevância da universidade, Salvatore defende a necessidade de olhar para os dados. Segundo ele, profissionais com diploma de ensino superior ganham, em média, 120% a mais do que aqueles sem formação universitária.
“É possível se dar bem sem curso superior, mas isso é uma raríssima exceção”, afirma.
Além da renda, Salvatore aponta o networking como um dos principais ganhos do ensino superior. “Ao abrir mão da universidade, a pessoa também deixa de conhecer indivíduos com realidades diferentes, que podem agregar muito à sua trajetória”, diz. Para ele, a decisão deve ser baseada em evidências. “Olhe os dados e não se considere sempre uma exceção.”
Filho de educadores responsáveis pela gestão da Instituição Júlio Verne, Salvatore cresceu imerso no ambiente escolar. A convivência cotidiana com a rotina e os desafios da gestão educacional moldou desde cedo sua visão crítica sobre o setor e ajuda a explicar a base sobre a qual construiu suas posições públicas a respeito da educação.
Empreendedor e criador de conteúdo fala sobre educação e escolhas de carreira nas redes.
Antes de se dedicar à produção de conteúdo, ele esteve por cerca de dois anos à frente da escola, acompanhando de perto as demandas de alunos e famílias. A experiência reforçou a percepção de que o debate sobre educação costuma se apoiar em generalizações.
“As famílias iam muito pelo senso comum e não entendiam o que existe por trás de uma escola, todo o trabalho que envolve ensinar bem. Foi aí que percebi a importância de fazer esse tipo de apontamento nas redes sociais”, afirma.
Foi a partir desse diagnóstico, ancorado em uma vivência familiar e profissional no setor, que surgiu o projeto digital, iniciado há cerca de um ano. O crescimento, no entanto, ganhou tração nos últimos sete meses, quando os vídeos passaram a viralizar, ampliando o alcance de um discurso que se apoia na experiência prática e no histórico familiar de atuação na educação.
Atualmente, Salvatore é sócio da instituição Júlio Verne e monetiza sua atuação nas redes sociais por meio de publicidade, parcerias e consultorias para centros educacionais. O próximo passo é a estruturação de uma mentoria acadêmica e profissional voltada a estudantes do ensino médio e jovens em fase de escolha de carreira. A proposta é ir além do modelo tradicional de orientação vocacional.
“As profissões estão mudando muito rápido, sobretudo com a chegada da inteligência artificial. O mercado de orientação de carreira está atrasado porque ainda se concentra apenas nas ocupações tradicionais”, afirma.
Com o apoio de psicólogos, educadores e profissionais de diferentes áreas, Salvatore pretende auxiliar jovens a alinhar curso, carreira e demandas do mercado de trabalho. “A ideia é oferecer uma mentoria que realmente ajude esse jovem a fazer escolhas mais eficientes para o futuro”, diz.